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02/01/2001 Evento revela geografia do choro O mapa do choro vai muito além das fronteiras cariocas. Lugares como São Paulo, Pernambuco e Brasília há muito vem cultivando o gênero com harmonia, breques e síncopes bem particulares. É para apresentar e celebrar a geografia desta música de alma puramente brasileira que o Centro Cultural do Banco do Brasil promove a partir do próximo dia 2 o evento Brasileirinho - o choro um século depois, que irá reunir, durante cinco terças-feiras, grandes representantes do estilo. Izaías e seus chorões, Jacaré, César Faria e Déo Rian sobem ao palco do Teatro 2 para mostrar as várias faces da música que mesmo centenária não perde sua juventude. ''O objetivo deste projeto é apresentar as diversas escolas de choro que existem no país'', define Mario de Aratanha, diretor artístico do evento. A abertura na próxima terça-feira será feita em grande estilo, reunindo a velha guarda peso pesado do choro numa homenagem à malícia e à improvisação. César Faria, Déo Rian, os parceiros Zé da Velha e Silvério Pontes e ainda Henrique e Beto Cazes além de Paulo Sérgio Santos, Maionese da Flauta e André Bellieny fazem uma roda de choro com músicas que vão de Joaquim Callado a Paulinho da Viola. O repertório põe em relevo as obras-primas do choro com Flor amorosa, de Joaquim Callado, Cochichando e Um a zero, de Pixinguinha, Noites cariocas e Bole bole, de Jacob do bandolim, além de Vê se gostas, de Waldir Azevedo. No dia 9, o evento abre passagem para um fino encontro entre pernambucanos e cariocas. Vindos do Recife, o violonista Henrique Annes e Jacaré, com seu cavaquinho arretado, são recebidos pelos cariocas Pedro Amorim (bandolim), Luciana Rabello (cavaquinho), Maurício Carrilho (7 cordas) e Jorginho do Pandeiro, que saúdam o choro pernambucano com obras de seus maiores representantes, João Pernambuco, Alfredo Medeiros e Zé do Carmo. ''O choro de Pernambuco tem referências do frevo, baião e coco e o carioca é mais urbano e inspirado em Ernesto Nazareth, Jacob do Bandolim. Mas os dois falam a mesma língua. Apenas os sotaques são diferentes'', comenta Luciana. Longe de palcos cariocas há dez anos, o mais antigo grupo do gênero em atividade de São Paulo, Izaías e seus Chorões - derivado do grupo Atlântico - chega à cidade para derramar o choro da terra da garoa. ''Uma música que recebeu muita influência dos músicos do Rio e que até hoje mantém muitas afinidades com o choro da cidade'', afirma o bandolinista Izaías, que lidera os instrumentistas Israel Bueno (7 cordas), Odair Felício (6 cordas), Arnaldo Galdino (cavaquinho) e Gustavo Simão (pandeiro). O repertório da turma se divide entre composições próprias e clássicos como Lamento do morro, de Garoto. A apresentação ganha tom especial com a presença de Carlos Poyares - experiente flautista com mais de 80 discos no currículo - e Antônio Bombarda com seu elogiado acordeón. Agora, coloque o choro sentimental de São Paulo, a tradição carioca e o ritmo nordestino, bata bem no liquidificador e eis o choro do Planalto Central. ''Com a mudança da capital para Brasília chegaram por aqui muitos funcionários públicos que eram músicos. Além disso, este lugar virou um centro catalizador que recebe pessoas de todo o Brasil e o choro ganhou muito com este caldeirão'', comenta Reco do Bandolim, que desembarca na cidade no dia 23 ao lado do grupo Choro livre e do virtuose bandolinista Hamilton de Holanda. Reco é presidente do Clube do Choro em Brasília e também da primeira escola do gênero, nomeada em homenagem a Rafael Rabello. E de Brasília vem outra boa notícia para o choro. ''Foi sancionada a lei que cria o dia nacional do choro: 23 de abril, em homenagem ao nascimento de Pixinguinha'', conta Reco. A renovação carioca também mostra a sua cara. No último dia do evento, 30 de janeiro, os grupos Rabo de Lagartixa formado por Daniela Spielman, Alexandre Valente, Alexandre Brasil e Marcello Gonçalves, e Trio Madeira Brasil, que traz Marcello Gonçalves, Ronaldo do Bandolim e José Paulo Becker, apresentam suas versões para o choro do novo milênio. ''Procuramos usar o choro de forma abrangente, ligando o estilo a outros gêneros brasileiros. Queremos ampliar suas possibilidades musicais'', afirma Marcello Gonçalves. (JB) |
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