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02/01/2001 Otto se veste de branco e prepara o batuque no terreiro de Condom Black Otto, o Bicho que Pula do mangue, percussionista das duas principais bandas do movimento, Nação Zumbi e Mundo Livre S/A, é hoje uma das figuras pop mais conhecidas do País, de sair distribuindo autógrafos pelas ruas da Paulicéia Desvairada. Seu primeiro disco solo, Samba Pra Burro, foi escolhido pela crítica como um dos melhores do ano passado. A segunda e esperada seqüência foi Changez Tout Samba Pra Burro Dissecado, as mesmas canções do álbum de estréia, só que masterizadas pela nata dos DJs do País. Uma ousadia que deu certo, o catálogo de DJs, como o CD é definido por Otto, está esgotado, vendeu 30 mil cópias, para tal tipo de música, uma grande tiragem. Ele hoje é o maior vendedor da Trama, sua gravadora. Changez Tout foi uma das poucas ousadias, aliás, no comportado panorama da música brasileira no ano 2000. Um dia, a gente encontra Fred 04, por acaso. Pergunta as novidades: O disco que Otto tá gravando. Vai dar o que falar, pode crer, cara!. Ora, Otto havia saltado fora da Mundo Livre S/A e embarcara numa carreira solo, que para muitos seria barca furada. Um show que ele apresentou no palco pequeno do Abril Pro Rock foi castastrófico. A crítica fica por conta do bardo William Shakespeare: Much ado bout nothing, ou seja, muito barulho para nada. Apenas uns turistas dinamarqueses curtiram e elogiaram o show (tocavam com Otto nesta noite B Negão e Black Alien, do Plant Hemp). Mas ali estava o embrião do Samba pra Burro. E não é que o disco deu o que falar? De repente surge Otto com seu mangue eletrônico, melodias assoviáveis, letras inteligentes e voz, que se não é nem um Caruso, funcionalmente é a ideal. Ele é o melhor intérprete de si mesmo. TV a Cabo chegou a tocar nas FMs recifenses (um espanto!). A explicação para as canções, Carlinhos Brown não as daria melhor: O Pina de Copacabana é o fim da avenida Boa Viagem, um lugar legal para fumar um baseado, é o Leme de Boa Viagem, o Pina de Copacabana.(sic) Nascido longe dos manguezais, em Belo Jardim, que o compositor Carlos Fernando (presente ao papo) considera parte da Região Metropolitana de Caruaru, Otto veio morar cedo no Recife. Jogou futebol de salão no Naútico e Santa Cruz, e finda a adolescência, teve que enfrentar um dilema, para ele, crucial: Ou eu ficava ali de bobeira, na praia do Acaiaca, fumando maconha, ou viajava. Optou por viajar, no sentido estrito. Tomou um avião e foi atrás de Marta, uma namorada que vivia em Paris. Foi na Capital Francesa, que ele, que já sentia pendores, decidiu-se definitivamente pela música : Tocava lá em todo canto, no metrô, na rua, onde desse. Cheguei a cantar com um turbante feito aqueles de Carmem Miranda, revela. No início dos anos 90, Otto estava de volta ao Recife. Sua namorada de então, a jornalista Clarice Hoffman, apresentou Otto aos cineastas Paulo Caldas e Lírio. Daí ele foi entrosando-se com o pessoal da música. Na campanha de Humberto Costa para a Prefeitura, em 92, Otto fez a letra, que fala de vários bairros do Grande Recife,que serviria para um jingle, e mais tarde foi aproveitada em Rios Pontes e Overdrives. Logo o galego do Agreste incorporava-se ao modus vivendi do mangue, virava caranguejo com cérebro. Eu tocava congas, um instrumento que praticamente ninguém tocava aqui. Era tudo tambor, caixa, acho que isto ajudou a eu entrar nos grupos, lembra. No primeiro Abril Pro Rock ele batucou com Chico Science & Nação Zumbi e com a Mundo Livre S/A. Suas performances no palco, fizeram com que o jornalista (do JC) Marcelo Pereira, o apelidasse em sua coluna (Rec-Beat), de O Bicho que Pula. Pegou, e Otto gosta. A conversa rola no Royal, bar do lado oriental do Recife antigo, point dos descolados, fashions e boêmios. Vestido inteiramente de branco, Otto dá a impressão de um urso polar com hiperatividade. Não pára na cadeira muito tempo, e nem tampouco de falar. Qual seria o segredo do seu sucesso em relação aos outros artistas do mangue? Seria pelo biotipo, mais assimilável pelos paulistas, ou à MTV? Sua altura, pele cabelos e olhos claros não são exatamente a imagem que se tem do nordestino: Pode até ter sido isto, mas também é fruto de muito trabalho. Nordestino é assim. Nunca sai daqui pro Rio, ou São Paulo o marginal, vai sempre o cara que tá a fim de trabalhar analisa. (José Teles, JC) |
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