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02/01/2001 Ano começa com homenagem a Lins do Rego
Com seu primeiro romance, Menino de Engenho, de 1932, o paraibano Lins do Rego se inscreve na linhagem regionalista do romance brasileiro, junto com Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos, José Américo de Almeida e outros. Força da ficção nordestina, que revitalizou as letras brasileiras naquele tempo. Segundo artigo de Marques da Rocha no Jornal de Letras, Lins do Rego propunha uma divisão para sua obra romanesca. Menino de Engenho, Doidinho, Bangüe, Fogo Morto e Usina, compondo o ciclo da cana de açúcar. Ciclo do cangaço , misticismo e seca, com Pedra Bonita e Cangaceiro. Obras independentes, porém ligadas aos dois ciclos anteriores: Moleque Ricardo e Riacho Doce. Desligadas dos ciclos: Água-Mãe e Eurídice. Espera-se que essa comemoração não caia na esterilidade usual das efemérides. A obra de José Lins do Rego precisa ser relida e descoberta pelas novas gerações. Isto é, caso se entenda que o romance regionalista ainda tem alguma coisa a dizer ao Brasil de hoje, o que deveria ser tema de análise. Em tempo: o romance de estréia de José Lins do Rego deu origem ao primeiro longa-metragem de um grande cineasta, Walter Lima Jr. Menino de Engenho, o filme, é um modelo de adaptação sensível, fiel e inspirada de um romance. Vale, também ele, ser revisto neste ciclo de comemorações ao nascimento do escritor. Projeto Brasil - Para quem acha que a universidade não inova, recomenda-se a leitura da Revista USP. O dossiê Projeto Brasil: Alternativas para o século 21 foi concebido fora dos padrões habituais. O grupo de debatedores foi reunido para discutir o tema sob o formato de um programa para TV. A gravação durou cerca de duas horas e reuniu os professores Ana Mae Barbosa, Fernando de Castro Reinach, Francisco de Oliveira, Oliveiros S. Ferreira e o jornalista Marcello Rollemberg. O que se lê na revista é a transcrição desse debate. O tom predominante é o pessimismo, mas, como diz o editor Francisco Costa, "esse pessimismo calça muito bem suas posições com argumentações difíceis de contraditar - por serem cristalinas". Além do dossiê, a Revista USP apresenta vários artigos de interesse. Por exemplo, um ensaio de Haroldo de Campos sobre o Segundo Fausto, de Goethe; uma tentativa de interpretação de Nada e a Nossa Condição, conto de Guimarães Rosa, e um artigo sobre os 250 anos da morte de Bach, entre outros. Digno de nota é também o ensaio de María Zulma M. Kulikowski sobre o escritor argentino Roberto Arlt, ainda relativamente desconhecido no Brasil, apesar de a editora Iluminuras ter recentemente lançado sua obra. O conhecimento da literatura argentina no País ainda se restringe a Borges e Cortázar e, mais recentemente, a Ricardo Piglia. Falta descobrir autores como Arlt e, sobretudo, Macedônio Fernández, que influenciou a todos eles. (Luiz Zanin Oricchio, OESP) |
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