31/01/2001
Coronelismo: Nova versão para uma velha história
A
historiografia e a ciência política produzidas no Nordeste alimentaram a idéia de que
as elites cearenses tinham as mesmas especificidades do coronelismo da Bahia, Pernambuco e
Paraíba. O professor da UFC, Josênio Parente, desfaz a tese e inicia uma ruptura
conceitual.
As conclusões do cientista político, expostas no livro A fé e a razão na
política, mostram que o NE do açúcar e do cacau está longe do NE do couro, do
algodão e da seca. ``Nossa literatura foi influenciada demais pela literatura de
Pernambuco, onde havia oligarquias fortes'', afirma. Em outras palavras, se em Pernambuco
velhas oligarquias se eternizam no poder, no Ceará o processo se dá de forma diferente.
Uma expressão histórica de inferioridade impossibilitou, segundo ele, uma visão
alternativa ao pensamento tradicional.
Josênio Parente analisa o que considera um equívoco fazendo uma crítica aos
acadêmicos cearenses. O professor faz uma reflexão sobre a esquerda, o governo Tasso e
os personagens da história recente da política cearense. Diz que Amarílio Macêdo
poderia ter ocupado espaço importante, mas ``fugiu da raia'', e que Sérgio Machado é um
possível nome a preencher um espaço de transição entre a sociedade e a política
partidária.
O POVO - O senhor está apresentando uma novidade teórica à ciência política
produzida no Nordeste, afirmando que as elites políticas cearenses, ao contrário de
estados como Paraíba, Pernambuco e Bahia, não se caracterizaram pela formação de
oligarquias fortes. De onde vem essa ruptura conceitual?
Josênio Parente - Eu fiz anteriormente um estudo analisando o poder local,
discutindo o integralismo em Quixadá. E percebi que Quixadá não se enquadrava na
estrutura de poder local do Nordeste. Ninguém havia percebido esse detalhe. O
integralismo foi um movimento nacional, mas que politicamente foi muito forte em dois
estados: São Paulo e Ceará. Na época da primeira edição do livro (Anauê: os
camisas verdes no poder), o Tasso (Jereissati) estava subindo ao
poder. Na hora do lançamento, eu estava dando uma entrevista à TV e fui vendo que estava
falando da década de 30 e tudo aquilo estava se repetindo.
OP - Mas o que influenciou para que a formação das elites cearenses se
diferenciasse?
JP - O Ceará não formou oligarquias fortes porque, na sua estrutura, a
economia não ajudou. Nossa economia é de seca. A base de sustentação do poder local
sempre foi em cima de se obter voto. E, se na hora da seca, até o dono da terra sai, como
ele pode sustentar esse poder? O Ceará está muito mais ligado ao messianismo, a uma
magia para explicar as incertezas que a natureza deixou na nossa realidade. O Ceará não
pôde formar oligarquias como em Pernambuco, como na Paraíba. Aqui você teve a
oligarquia dos Acioly, que passou menos de doze anos, e as pessoas se lembram como se os
Acioly dominassem todo o tempo no Ceará. A literatura se influenciou demais pela
literatura de Pernambuco. As pessoas pensavam que Pernambuco era Nordeste. O manifesto
regionalista de Gilberto Freyre mostra isso. Então o Ceará encontrou essa inferioridade
e os intelectuais não tinham essa visão. Quixadá era formada por elites comerciais e
não por coronéis. A família Barreira desaparece na década de 20 para ficar a Igreja
tomando espaço. Isso mostra a fragilidade enorme de encontrar elites civis fortalecidas.
OP - Mas há momentos em que essas elites civis se fortalecem.
JP - Em poucos momentos, dois eles muito parecidos. Os Acioly e o coronéis
se fortaleceram porque o Governo Federal buscava fortalecer as oligarquias internas para
poder se fortalecer. Veja o coronelismo aqui, iniciado justamente por César Cals, que é
cearense por acaso. O pai dele foi candidato no Ceará, mas fazia política interna em
Pernambuco. A pressão dos militares de Recife fez César Cals entrar no Ceará para criar
poder aqui. Já que Virgílio Távora tinha um peso, Adauto Bezerra também queria, então
os três se adaptaram à estrutura partidária. Esse mito do coronelismo permaneceu, mesmo
quando o governo militar, que o sustentava, fragilizou-se com a democracia. E as pessoas
não perceberam que Gonzaga Mota e Maria Luiza não têm mais nada a ver com a situação
anterior e que estava acontecendo uma transformação. O grupo das elites estava se
reorganizando. A esquerda não teve competência nenhuma.
OP - O senhor falava de semelhanças entre as elites dos anos 30 e dos anos que
marcam a ascensão de Tasso Jereissati. Que semelhanças são essas?
JP - Nos dois momentos há interesses internacionais em jogo, de modo a
fortalecer essas elites. No caso da década de 30, a Igreja estava fortalecida em Minas
Gerais, Ceará, São Paulo, Salvador e Rio Grande do Sul. Estes locais eram pólos
formadores de quadros. O Seminário da Prainha, por exemplo, ajudou a socializar e
homogeneizar a elite. E quem homogeneizou esse elite para obter poder foi D. Manuel da
Silva Gomes, quando ele chegou no Ceará e assistiu, em 1912, à queda dos Acioly. Em
1913, ele criou o Círculo Católico de Fortaleza, que historicamente tem as mesmas
características do CIC (Centro Industrial do Ceará), com o mesmo papel de
formar quadros. No Círculo Católico, apareciam as mesmas pessoas que estavam no poder na
década de 30. Por outro lado, os partidos políticos da época são exatamente os
partidos políticos que estão se formando na época de Tasso. Parece que a estrutura vai
permanecendo.
OP - O senhor fala que o fortalecimento das elites no Ceará dependeu de influência
externa. Não se estaria aí minimizando uma realidade interna propícia ao surgimento de
elites fortes?
JP - Não há dúvida nenhuma de que a estrutura não anula a História. (Karl)
Marx já dizia, por exemplo, que a gente não faz História porque quer. Há o peso da
estrutura. Há um livro que a esquerda não gosta muito, mas que é muito bom, Miséria
da Filosofia, onde ele diz assim para os anarquistas: ``Não adianta lutar contra
o capitalismo, deixando a estrutura''. Então, é preciso primeiro dominar essa estrutura,
quebrá-la e depois criar uma outra estrutura. Você tem condições de ser criativo. E
aí é que entra a elite cearense e o fato de ela ter se tornado criativa em nível
nacional, em um momento em que o Brasil estava dando um salto ideológico. Na década de
30 há um salto ideológico. Naquele momento o Brasil optou pelo conservadorismo. E nesse
conservadorismo o Ceará foi um dos líderes. Mais tarde, no momento em que o Brasil está
se preparando para uma queda desse conservadorismo, o Ceará tem quadros competentes. Foi
um laboratório importante. Quem começa isso é o Banco do Nordeste em 1954. O Banco do
Nordeste foi não um banco em si, mas um formador de quadros.
OP - Na mesma medida do Seminário da Prainha, nos anos 30.
JP - Exatamente. O Banco do Nordeste, como o Seminário da Prainha, criou
aqueles quadros complementares, preparou também uma elite modernizadora sem precedentes.
Se você vir quem foi o secretário da Fazenda e do Planejamento dos coronéis para cá,
todos vieram do Banco do Nordeste. O Banco do Nordeste de hoje não é o mesmo banco, ele
tem uma outra função. Uma função, talvez, de agente de mudança. Já é um processo de
modernidade, uma forma de estimular empresários no âmbito local. A Sudene também foi
importante. Eu analisei o discurso de Celso Furtado. Ele é emblemático. Ele reproduz o
ideário nacional desenvolvimentista. Esse ideário tinha o objetivo de modernizar o
Brasil, modernizar as elites, estimular as elites modernas - sobretudo industriais - para
assumir a liderança do País.
OP - E deu certo?
JP - Não. Exatamente porque os incentivos fiscais tornaram fácil a vinda
das indústrias do Sul. Então se criou uma industrialização sem burguesia. Era isso que
não podia acontecer. A burguesia ficou lá. Pernambuco e Bahia se beneficiaram muito, mas
sem burguesia. O Ceará, não. Como não houve atração, a burguesia era cearense. Esse
foi um detalhe importante, porque aqui se completou um modelo nacional desenvolvimentista.
No fundo há semelhanças em uma estrutura que pesou. A estrutura inclui a presença de um
treinamento de socialização para homogeneizar, algo que aconteceu no Ceará apenas duas
vezes. Na época de Tasso, porque não eram apenas industriais, mas também industriais
que sabiam o que era capitalismo e qual é o papel do capitalista. Havia homogeneidade
como na década de 30, quando a Igreja Católica homogeneizou. O que está acontecendo nos
partidos políticos daqui aconteceu na década de 30. As pessoas ficam surpresas quando
aparece uma Maria Luiza, um Tasso, porque a arquitetura que nós temos é exatamente a
arquitetura de oligarquias fortes, que não têm nada de modernidade. Por falta de
compreensão e pelo fato de o Ceará ser minoria no Nordeste, ficou essa idéia de que a
gente é igual. Essa é a surpresa.
OP - Isso significa o quê? Uma fragilidade do nosso pensamento acadêmico? É um
complexo de vira-lata? Se o senhor estiver certo, grande parte do pensamento político e
acadêmico do Ceará estará errado.
JP - Na realidade, é polêmico porque as pessoas, de certa forma,
assimilaram e não estudaram. Não estudaram porque se conformaram com a situação. Quem
tentou fazer um estudo do coronelismo foi a Auxiliadora (Lemenhe), que é
uma mineira competente, que fez um estudo sobre o Adauto (Bezerra). É
interessante observar que, quando se fala de São Paulo, se está falando de Brasil. O
Gilberto Freyre, quando fala de Pernambuco, está falando do Nordeste. Então a gente, no
lugar de estudar a questão do Ceará, vê o próprio umbigo. Por exemplo, o Raimundo
Girão tinha uma visão histórica muito boa do Ceará, mas não tinha do Brasil. Faltava
uma ligação. Uma ligação da coisa do Nordeste. Essa imagem foi boa no período de
Tasso, na década de 80. Tasso incorporou o nacional-desenvolvimentismo, incorporou a
modernidade contra o pessoal que, por coincidência, era coronel. Por coincidência, foram
os coronéis que fizeram o sinal da modernidade.
OP - Curiosamente, a nossa tradição é muito positiva. Isso vem de Capistrano de
Abreu, que foi um marco na história do pensamento do País, por sinal esquecido por nós.
Nós perdemos um pouco a característica de uma tradição de pesquisa de vanguarda, que
rompe com conceitos antigos e se torna inovador?
JP - Eu acho que faltou aqui tentar entender que os estudos históricos do
Ceará desde o século passado são coisas cearenses. Fazendo um balanço dos estudos,
percebemos que a gente não estuda o coronelismo, como estuda os cangaceiros, os
movimentos populares. Faltou a nós desconfiar do bom senso. De certa forma, não sei se
isso é fácil, às vezes não é. A figura do peixe exemplifica isso. O peixe não vê a
água. Ele só a vê se sair da água e quando é morto. Quando se está aqui, não se vê
a realidade. Só se vê quando se está fora.
OP - Essa dificuldade do próprio pensamento acadêmico resulta numa dificuldade da
esquerda de sair de conceitos tradicionais. Se a elite se modernizou, até
conceitualmente, isso expôs o atraso da esquerda?
JP - A esquerda, a partir da queda da ideologia, da utopia, realmente sofreu
um baque. Ela está procurando um caminho, buscando uma saída, uma utopia. Porque, no
fundo, o socialismo real não mais mobiliza. Você não tem mais as pessoas buscando a
revolução tão freqüentemente. Alguém que faz isso não tem tanto respaldo, como é o
caso do Raimundão (Raimundo de Castro, do PSTU). Você vê que a quantidade
de votos dele não chega a ser representativa. Então qual é a bandeira que a esquerda
pode utilizar? Há grandes bandeiras ainda, como a questão da moralidade, que foi muito
explorada agora, mas eu acho que essas questões de participação que muitos partidos
estão assumindo, são coisas que vão na direção do aumento da democratização do
poder. Aí seria a saída da esquerda.
OP - É complicado, porque se você for ver alguns posicionamentos da esquerda no
Ceará, ela defende o Estado que foi formado por Getúlio Vargas e pela ditadura militar.
JP - Na verdade está faltando uma visão alternativa porque se perdeu a
sociedade alternativa. O socialismo real perdeu credibilidade como alternativa à
competitividade. Fica difícil. Nesses dez anos, é pouco para repensar qual seria a
saída. Talvez a única forma é a desestatização do poder. Na realidade o poder também
está se fragilizando. Ele está perdendo a soberania e há uma tendência mesmo de
democratização. Nós estamos em uma fase de não-institucionalização do processo, que
deixa tontas todas essas ideologias.
OP - O senhor fez uma comparação entre dois momentos históricos do Ceará. Com o
fim daquele primeiro momento, a partir dos anos 30, houve uma queda e quase que um atraso
diante de algumas coisas que foram construídas. Isso pode acontecer de novo? De repente,
esse grupo que está no poder pode chegar a um limite e ser tirado do poder por uma
eleição e parece que eles não deixam algo disseminado na sociedade.
JP - O Governo Tasso já era um governo hegemônico do CIC. A primeira
quebra acontece dois anos depois. Em 1986 ele (Tasso) surge e, em 1988, já
entra em quebra com Amarílio Macêdo. O Amarílio parecia ocupar um espaço dentro de
adaptação das elites ao sistema partidário mas, não sei por quê, fugiu da raia. Ele
apoiou o Edson Silva (1988) não pelo PDT, mas porque queria se contrapor a essa
hegemonia. Fortaleza mostra claramente que é difícil ser hegemônico. O Tasso só
consegue um terço, mas esse terço é fiel. E ele não consegue pegar os outros dois
terços, que são de Juraci e da esquerda. Por isso que o Juraci não faz o governo
estadual, porque só tem um terço de Fortaleza. Fortaleza é grande demais e um terço é
muito pouco. Se você pega o Interior, como o Tasso pega, então pronto. Como o Amarílio
Macêdo era o candidato natural a se integrar nesse esquema, ele vai fugindo, vai
organizando, se contrapondo.
OP - E surge o Pacto de Cooperação.
JP - Mas o Amarílio fez o Pacto de Cooperação não no governo Tasso, mas
no governo Ciro. Porque Ciro não é Tasso, não é CIC. O Ciro ficou dividido entre os
dois, porque seria o fiel da balança dentro da estrutura partidária. O prestígio de
Tasso conseguiu empurrar com a barriga essa adaptação. Tirou o Amarílio, que fugiu da
raia. O Tasso teve medo da organização da sociedade civil, por isso ele enfatiza o
Projeto São José, tentando se contrapor à organização da sociedade civil. Esse
governo realmente trabalha neste sentido, de dividir, e até anular, o que é criado na
sociedade civil. A adaptação foi sendo empurrada, mas agora, ao que parece, é
inevitável.
OP - E quem pode se credenciar para essa adaptação?
JP - O Sérgio Machado parece que quer ter o poder e assumir esse espaço
que está vazio. O Lúcio (Alcântara) não teria espaço porque ele não
gosta de conflitos. Ele gosta de consenso. Parece que Sérgio Machado é inevitável.
OP - A sociedade civil, que é representada pelo trabalho que o Amarílio Macêdo
fez, de organização do Pacto de Cooperação, parece ter dificuldade ainda de fazer a
transição para uma política partidária.
JP - Pela personalidade do Amarílio de ser pusilânime. Na realidade, o
Amarílio sempre fugiu. Hoje quem está ocupando esse espaço de transição é o Sérgio
Machado, porque ele conhece a política do Interior. Ele sabe, por exemplo, que o Tasso,
na medida em que tem o poder, consegue ter os dois grupos. Mas, aos poucos, parece que
vão se formando dois partidos. Eu acho que o Sérgio Machado tem hoje mais condições de
ocupar espaço ao se contrapor ao Tasso nesse processo e deixar realmente dois partidos. E
o fiel da balança, quem seria? Aí vai depender um pouco se o Ciro vai brigar ou não com
o Tasso. O Ciro, hoje, é o fiel da balança. O partido dele é pequeno e pode até
crescer se o Sérgio Machado assumir, e assumindo eu acho que o Ciro fica como fiel da
balança. Não há como prever. O Tasso e o Ciro estão esperando.
OP - O que diferenciaria de 30 para agora, por exemplo, seria um desses dois
personagens dando esse salto e ocupando textualmente o poder?
JP - Ocupando o poder. Aí vem o fiel da balança. As esquerdas poderiam,
mas não sei se teriam suporte. A esquerda não tem homogeneidade. Quais são as
condições para você se sobrepor ao poder? Você ter uma certa homogeneidade ideológica
e uma administração intelectualizada. Sugerir à sociedade civil para ter uma
organização importante e, na organização, terá um peso maior quando há uma certa
homogeneidade.
OP - Há um traço personalístico que domina a política brasileira. O que
diferencia esse traço no âmbito cearense de outras realidades?
JP - Nós somos personalísticos, os americanos não e eu acho que o excesso
de um lado e de outro não é interessante. Eu acho que a vinda da Família Real ao Brasil
foi dramática, porque reforçou uma crença na desigualdade. Um país desigual com a
crença da desigualdade significa exatamente os valores tradicionais feudais. Os
americanos são desiguais, mas com a crença da igualdade. Isso permitiu criar estruturas
de governos que eram exatamente o ideal de liberalismo de Montesquieu, uma estrutura de
governo que funcionasse independentemente. Os americanos incorporaram, o Brasil não. A
Família Real criou o mito das pessoas que são salvadoras da pátria. Isso deturpa
qualquer partido. Quando a gente fala de estrutura partidária, a gente fala nos grupos se
organizando. Quer dizer, na realidade, não é PSDB, não é partido em si. Dentro da
estrutura cearense, você tem mais organicidade nos partidos no Sul, numa estrutura mais
próxima do coronelismo, perto de Pernambuco, no Cariri. Ali é Pernambuco que ficou no
Ceará, mas ela não se articula. Hoje é como se fossem três Cearás, que não têm
articulação. O Sul, o Norte e Fortaleza. E você tem o personalismo do partido e fica
difícil fazer essa interseção. Você vai formar dois partidos, que não são partidos,
são pessoas que são quase iguais que uma outra vai perseguir. Sempre tem sido isso.
OP - Não há perspectiva de mudanças?
JP - Algumas mudanças silenciosas estão acontecendo e não estamos
percebendo. Uma delas são esses cursos de interiorização. Esses cursos que a UVA faz,
que a Uece faz, mandando professores para o Interior. Muito desse pessoal está fazendo a
cabeça no Interior. Essas eleições refletiram muito isso. Ainda não se avaliou o papel
desses cursos. Eles vão possibilitar uma transformação enorme. De repente, é uma
novidade importante no crescimento da cidadania, favorecendo o nascimento de
organizações de poder. Que, na realidade, não estamos compreendendo suficientemente,
mas que já afetaram essas eleições. Essa mudança na educação não vem das elites,
porque as elites não chegam a se preocupar com essas mudanças porque não se interessam.
Elas estão vindo de fora. A nossa revolução burguesa está vindo de fora. (Fábio
Campos e Rodrigo de Almeida, O Povo) |
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