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31/01/2001
"Auto da Compadecida" vence em MG "O Auto da Compadecida", de Guel Arraes, foi eleito o melhor filme da 4ª Mostra de Cinema de Tiradentes, de acordo com o júri popular. O festival foi encerrado na noite do último sábado, depois de exibir gratuitamente na cidade mineira, durante nove dias, 30 longas, 41 curtas e 52 vídeos da produção nacional. A programação mesclou filmes ainda não lançados comercialmente ("Condenado à Liberdade" de Emiliano Ribeiro, "Bufo & Spalanzanni", de Flávio Tambellini), sucessos recentes nas telas ("Eu Tu Eles", de Andrucha Waddington) e fitas antigas como "Copacabana me Engana", dirigida por Antônio Carlos da Fontoura em 1969. O elenco de "Copacabana" é encabeçado por Odete Lara, que foi homenageada pela mostra, juntamente com a cineasta Ana Carolina. Entre os curtas, a escolha do público
recaiu sobre "A Invenção da Infância", de Liliana Sulzbach. O melhor vídeo
foi "Secos e Molhados", de Armando Mendzz. Os autores dos trabalhos preferidos
pelo público receberam o troféu Barroco. Os responsáveis pelos melhores curta e vídeo
receberam também apoio à produção de novos trabalhos, na forma de latas de negativo e
serviços de iluminação e revelação, oferecidos por parceiros da mostra. O festival de Tiradentes estabelece como
seu principal objetivo o incentivo à formação de público, mas essa quarta edição
inspirou também alguma discussão sobre as condições de produção e distribuição do
cinema nacional. Xavier afirmou que há um perfil
homogêneo na produção recente, orientado para atingir o grande público, embora os
mecanismos de renúncia fiscal permitam aos cineastas o desapego desse objetivo. "Mas
não se vê nos realizadores mais jovens nenhuma tendência de proclamar rupturas",
disse. O cineasta Ruy Guerra afirma que "o cinema tem de ter vocação para o público". E que o equívoco brasileiro é confundir público com mercado. "Está se caindo nessa arapuca de querer conquistar o mercado brasileiro com produtos inteiramente vinculados à estética americana e que são subprodutos americanos de má qualidade." O cineasta e roteirista Antônio Carlos da Fontoura diz que não acha "muito importante que haja diversidade". "Os filmes brasileiros não têm público porque o cinema é uma atividade narrativa e nossas histórias são mal contadas e não muito interessantes", diz. (Silvana Arantes, FSP) |
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