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31/01/2001

Editora lança catálogo sobre o Nordeste holandês

  Reproduções dos desenhos de Frans Post, que mostram o Nordeste da época de Maurício de Nassau, ficam mais acessíveis para pesquisadores e estudantes

   O editor e pesquisador Leonardo Dantas Silva, diretor da editora Massangana, da Fundação Joaquim Nabuco, coordenou a edição do livro Frans Post, um volume ilustrado com 32 desenhos do artista holandês. A publicação já se encontra nas livrarias do Recife, e é vendido com mais dois títulos: Cuthbert Pudsey e Coleção Niedenthal. Todos dizem respeito ao Nordeste holandês, no século 17, quando Maurício de Nassau e seus compatriotas tomaram o governo do Brasil acima do Rio São Francisco até o Maranhão. Os volumes receberam uma encadernação de luxo e são vendidos numa caixa que reproduz as capas gastas dos livros antigos.

   As firulas gráficas, nesse caso, não são apenas um detalhe. Elas fazem parte de todo um projeto cuidadoso, que envolve desde a seleção dos temas, passando pelo texto e indo até o acabamento das obras. Os volumes integram uma coleção mais extensa, cujo objetivo é resgatar edições antigas sobre a história do Brasil. As publicações são assinadas pela Index com apoio financeiro da Petrobras.

   Além dos 32 desenhos, o livro Frans Post traz um texto de Leonardo Dantas situando as obras no contexto em que foram produzidas e as transformações pelas quais passaram. Post integrava a comitiva que veio acompanhando o conde Maurício de Nassau. Aqui, o grupo produziu farto material, usado como base para documentos textuais e gráficos sobre o Novo Mundo. Era uma espécie de resenha para informar aos europeus – holandeses, no caso – o que eles encontrariam no Brasil, caso atravessassem o Atlântico.

   As imagens produzidas por Frans Post, por exemplo, foram reutilizadas em pelo menos mais duas obras posteriores: as ilustrações do livro de Gaspar Barléus e as pinturas do próprio Post. “As gravuras presentes no compêndio de Barléus foram feitas a partir dos originais criados in loco por Frans Post. Acontece que, depois de pronto, o material sofreu alterações. São pequenas mudanças, detalhes que não interferem na estrutura da obra”, explica Dantas. Segundo o pesquisador, as modificações foram feitas a pedido do próprio Nassau pelos gravadores do livro, na hora de ‘transferir’ os desenhos para pranchas de gravuras.

   Sendo assim, os desenhos originais de Post são obras raras, porque há poucos registros deles. “Esse material, hoje, pertence ao Museu Britânico. Foi comprado junto com a coleção do botânico Hans Sloane, em 1752. Por isso, esse livro é relevante para pesquisadores, estudantes de história e pessoas interessadas no Nordeste”, ressalta Dantas. (JC)

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