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Homem da Meia-Noite chega aos 70 anos

07/01/2002


Trajetória da agremiação mais famosa do Carnaval de Olinda é narrada em documentário da Realiza Birô de Comunicação

por JANAÍNA LIMA

   Há 70 anos, ele desempenha com orgulho a responsabilidade de dar o pontapé para um dos carnavais mais famosos do mundo, o de Olinda. Agora, além dos tradicionais aplausos que recebe durante o seu desfile pelas ladeiras da Cidade Alçta, o Homem da Meia-Noite é reverenciado com um documentário especial, relatando a trajetória do clube carnavalesco. O vídeo Homem da Meia-Noite – Setenta Anos de Magia e Frevo é uma produção da Realiza Birô de Comunicação, que já produziu, entre outros trabalhos, a premiada série Luiz Gonzaga: a Luz dos Sertões, exibida pela TV Jornal.

   “O vídeo era um projeto de vida de Tácio Botelho, que liderou a agremiação nos últimos 22 anos. Foi ele quem nos incentivou a levar o trabalho adiante, apesar de não contarmos com um patrocínio sequer, além do apoio da TV Jornal”, explica o jornalista Anselmo Alves, um dos responsáveis pelo projeto. Segundo Anselmo, o vídeo será dedicado ao carnavalesco, que faleceu no último dia 22 de novembro. Atualmente, o clube está sob os cuidados de Sílvio Botelho, sobrinho do antigo diretor.

   “Tácio era um coronel do carnaval, dava o sangue pelo Homem da Meia-Noite, mas era rebelde. Em um carnaval desses, desfilou com o boneco de costas para a prefeitura de Olinda e expulsou Jacira (Urquisa) da sede do clube porque não conseguiu a ajuda necessária para o desfile”, conta Anselmo.

   Para realizar o documentário, a equipe da Realiza Birô acompanhou o último desfile do boneco-gigante, no sábado de Carnaval deste ano. “É uma emoção indescritível. O desfile do Homem da Meia-Noite é uma das poucas tradições mantidas no Carnaval de Olinda, é uma marca da autenticidade dessa folia. À uma da manhã, quando a agremiação está começando o desfile, vemos pessoas de camisola, nas sacadas das casas, esperando o clube. Tem gente que bota o despertador para às 3h da manhã que é quando o boneco passa na frente de casa”, revela Anselmo, corrigindo, logo em seguida. “Boneco, não. Tácio dizia que era calunga, não admitia chamarmos boneco”, afirma.

   Entre as explicações dadas pelo diretor para que o Homem da Meia-noite fosse tratado como calunga (assim como as bonecas de maracatus), estava o poder do símbolo do clube. “Ele afirmava que o calunga era poderoso, que, sempre que não havia arrumado dinheiro para o desfile, perguntava: “vai sair não, calunga?”, e, logo, o dinheiro aparecia”, lembra o jornalista.

   A intenção da produtora é exibir o trabalho no Sábado de Zé Pereira, antes do desfile da agremiação, mas, a partir do dia 10 de janeiro, serão exibidas chamadas do vídeo na TV Jornal, em homenagem ao aniversário de uma das figuras mais conhecidas do Carnaval de Pernambuco. (© Jornal do Commercio)


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