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12/01/2002
Companhia baiana faz turnês pelo exterior e favorece 200 crianças carentes de Salvador KARLA DUNDERO Balé Folclórico da Bahia vive uma situação no mínimo inusitada: pouco espaço para apresentações no Brasil e agenda lotada no exterior até 2004. A partir de março, a companhia coloca o pé na estrada para fazer três turnês por países da Europa e dos Estados Unidos. Fundado há 13 anos, atualmente o Balé está dividido em dois grupos - um para turnês mundiais e outro fixo para espetáculos, há oito anos em cartaz no Teatro Miguel Santana - e possui uma forte ação social que abriga 200 crianças carentes do Pelourinho. O mais interessante é que a realização desses projetos ocorre sem patrocínio. Além dessas atividades, o Balé pretende ampliar sua atuação no Brasil. "Gostaríamos de fazer turnês percorrendo vários Estados; somos mais conhecidos no exterior do que aqui", diz o diretor da companhia Walson Botelho, carinhosamente apelidado de Vavá. Por falta de verbas, a companhia faz poucos espetáculos no País. Em 2002, conseguiu mostrar a coreografia Rapsódia Nordestina com o apoio da empresa canadense Nortel. "Ainda não sabemos se teremos esse apoio neste ano; de qualquer maneira, precisamos de um patrocínio para a manutenção da companhia e, para isso, já foram elaborados projetos para dar entrada nas leis de incentivo", afirma. Com apoio financeiro, Vavá pretende investir na publicação de um livro de fotografia sobre dança folclórica e popular. Segundo o diretor, a intenção é reunir em um volume material de pesquisa colhido desde 1998. "A proposta do livro não é de realizar um simples registro. Reunimos material histórico com gravuras de estilos de dança regional que foram extintas, além de levar ao leitor um olhar antropológico sobre a dança folclórica e de rua", observa. Também está nos planos da companhia lançar um CD com músicas que fazem parte das apresentações. Para este ano, fora as três turnês, os artistas vão investir na renovação do repertório - estão programadas duas novas coreografias para reforçar os espetáculos. "Conquistamos o porte de uma grande companhia, precisamos exibir peças novas a cada ano. A questão é que temos poucos recursos para isso." Vavá conta que a verba disponível é adquirida durante as turnês internacionais e de um apoio dado pela Secretaria de Estado da Cultura da Bahia, insuficiente, um apoio à Companhia 2, que faz shows e atrai uma série de turistas para o Pelourinho. Segundo Vavá, manter uma companhia de dança folclórica não é barato. "Não podemos simplesmente criar, temos de fazer uma pesquisa séria, levantar dados, o que demanda tempo. As coreografias são caras por utilizarmos um figurino elaborado e música ao vivo", explica. Para o diretor do Balé, a vantagem do patrocinador é ter seu nome agregado a uma companhia festejada internacionalmente. Os espetáculos são recheados com boa dose de energia, vigor, sensualidade e beleza. "Em todos os nossos trabalhos procuramos celebrar a cultura africana e, por meio da dança, expressamos manifestações regionais, tornando-as agradáveis ao público", avalia. "É um estilo comprometido com a arte, ao mesmo tempo que é vendável - uma companhia precisa conquistar platéias." Grupo - Há 13 anos, Vavá decidiu utilizar o que aprendeu na Faculdade de Antropologia com o grupo Viva Bahia. Misturou a dança afro com a capoeira, investiu pesado na produção, na capacitação técnica de bailarinos e passou para a ação social oferecendo formação gratuita em dança para crianças carentes da região. Bailarinos profissionais ensinam, voluntariamente, crianças de 5 anos até adolescentes de 14 anos técnicas de diversos estilos de dança - do clássico ao afro. O projeto social tem dado resultados. "Alguns meninos já estão na Companhia 2 e outros, que já passaram dessa para a principal, em breve estarão participando de viagens pelo exterior. Só oferecemos as aulas, se conquistarmos uma parceria, poderemos dar benefícios, como vale-transporte e lanche." Mais informações sobre o Balé pelo telefone: 0--71 322-1962. (© O Estado de S. Paulo)Com relação a este tema, saiba mais:
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