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Rock pulsa na veia do sertanejo de Arcoverde

25/01/2003

 

 

Município que revelou Cordel do Fogo Encantado também tem bandas de punk e hard core

   Arcoverde, no Sertão pernambucano, cidade conhecida nacionalmente por ter projetado um dos grupos mais originais da contemporaneidade brasileira, o Cordel do Fogo Encantado, oculta uma cena musical capaz de fazer inveja a qualquer roqueiro de carteirinha. O município, que tem pouco mais de 60 mil habitantes, abriga uma dezena de bandas de diversos estilos, organizadas dentro de uma espécie de cooperativa, o Sistema Calango. Sem misturas com ritmos regionais ou sotaque necessariamente sertanejo, os músicos não se intimidam com o conservadorismo da sociedade interiorana e levantam com audácia as principais bandeiras da contracultura.

   “O movimento que fazemos aqui é de resistência mesmo. O preconceito contra nós é enorme e sofremos muita perseguição pelo nosso modo de nos vestir e de nos comportar”, disse Rubens Alcides, aliás Pastor, de 29 anos, vocalista dos Cobaias de Sisal. A banda participou, no fim de semana passado, do I Lual Rave do Sertão, realizado no Bar do Soró, na Serra das Microondas, de onde se tem uma vista privilegiada de Arcoverde. O evento serviu de vitrine para os grupos da cidade e foi uma prova da capacidade de organização e subsistência autônoma da cena.

   Contrariamente ao que sugeria o nome, o evento não foi marcado pela música eletrônica. “Chamamos de rave porque a festa devia durar até o amanhecer, mas acabou interrompida pela chuva”, observou Fernando Albuquerque, 26, um dos organizadores. Com dancing, palco, galeria de arte, studio de tatuagem e um espaço denominado cantinho do amor, onde torchas foram espalhadas na vegetação da caatinga, o que predominou mesmo foi a vocação punk da cidade.

   “A maioria das bandas tem influência do punk, grunge e do hard core, mas não há sectarismo”, comentou Pastor, que já foi de igreja evangélica e hoje mudou de rebanho. Durante a rave, reggaeiros, skatistas e metaleiros conviviam amigavelmente no mesmo recinto, coisa pouco comum no Recife. “Como somos poucos, temos que estar unidos para manter a força, cooperando uns com os outros”, explicou.

(© Jornal do Commercio-PE)


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