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Curtas de Spencer em versão DVD

25/01/2003

Fernando Spencer com Ariano Suassuna (este, à esquerda)

 

Parte da obra do curta-metragista pernambucano ganhará edição em formato digital. O disco pode ser vendido nas bancas de revista a preços camaradas

JAILTON MARTINS

   O filósofo alemão Walter Benjamin escreveu em seu famoso texto A Obra de Arte na Era da Reprodutibilidade Técnica que a reprodução de uma obra de arte em série pode ser uma coisa benéfica pois possibilita as pessoas terem acesso à obra e ainda ajuda a desenvolver nelas um outro olhar sobre a realidade daquela obra. A reprodução de parte da filmografia do cineasta e crítico de cinema pernambucano Fernando Spencer em DVD pode ser vista sob esse ponto de vista benjaminiano. Alguns filmes da extensa lista de curta-metragens de Spencer serão transferidos para a bolachinha prateada e poderão estar disponíveis nas bancas de revista dentro em breve.

   A idéia partiu de comum acordo entre Spencer, dono de 16 prêmios nacionais em festivais de cinema, e o produtor carioca Guilherme Whitaker, da Segunda Mostra do Filme Livre, que vai homenagea o cineasta pernambucano e o curta-metragista carioca Eduardo Nunes, de 4 a 16 de fevereiro, no Rio de Janeiro (ver matéria nesta página).

   “Spencer me sugeriu a idéia e eu me propus a fazê-la”, afirma Whitaker. “Vou produzir um DVD matriz e dar de presente para ele reproduzir como quiser”, continua o produtor. “O produtor aguardando Spencer chegar no Rio, no dia 4 de fevereiro, para selecionar com ele quais os filmes que poderão ser transferidos para o DVD.

   “Você não pode esperar que apareça uma entidade que tome a iniciativa de fazer um projeto como este”, diz Fernando Spencer. “Além do mais, é uma saída para evitar os efeitos do tempo sobre a minha obra”, prossegue. A idéia do curta-metragista pernambucano é reproduzir o DVD para que ele esteja disponível nas bancas de revista a um preço acessível.

   Apenas os filmes que estiverem telecinados é que poderão passar pelo processo de reprodução para virar DVD. “Os filmes que estiverem telecinados são gravados em betacam, por exemplo, em seguida são transferidos para a memória de um micro, de onde serão copiados para o formato de DVD”, ensina Whitaker, explicando o passo-a-passo do processo.

   OS INDICADOS – De oito a dez curtas em 16mm poderão passar pelo processo de reprodução para DVD. Spencer já tem uma lista com pelo menos oito filmes, para mostrar a Whitaker assim que desembarcar no Rio, mês que vem.

   Estrelas de Celulóide, História de Amor em 16 Quadros por Segundo, Santa do Maracatu, Capiba, Ontem, Hoje e Sempre, Evocações de Nelson Ferreira, Trajetória do Frevo, O Último Bolero no Recife, e Jota Soares, Um Pioneiro no Cinema estão entre os candidatos de Spencer à digitalização. O DVD deve ter duração máxima de 90 minutos.

   A maioria da seleção recebeu prêmios nacionais e no exterior. Estrelas de Celulóide, por exemplo, ganhou como melhor curta em Brasília, em 1984. O documentário História de Amor em 16 Quadros por Segundo, parceria com Amim Stepple, foi menção honrosa em Brasília e ganhou prêmios nos festivais de Salvador e Recife. Já Evocações de Nelson Ferreira, parceira com Flávio Rodrigues, crusou o Atlântico e venceu um festival de curtas em Portugal.

   Agora, resta esperar o retorno de Spencer do Rio de Janeiro, na segunda semana de fevereiro, quando o cineasta deve estar de posse da matriz do DVD, para ver o projeto tomar corpo. Como diria Benjamin, a reprodução de uma obra de arte pode até banalizar uma obra, tirando-lhe a sua aura original, mas abre espaços sem precedentes para democratizá-la. E isso é o que importa.

(© Jornal do Commercio-PE)


Cineasta será homenageado no Rio de Janeiro

   Será no calor dos debates e das sessões de cinema da 2ª Mostra do Filme Livre, no Rio de Janeiro, que Fernando Spencer vai articular a produção do seu primeiro DVD. O evento, que reúne filmes realizados em qualquer formato, duração ou era, escolheu Spencer como homenageado da edição deste ano.

   A Mostra entrará em cartaz no Instituto Cultural Banco do Brasil, no Rio, de 4 a 16 de fevereiro. Duzentos e cinqüenta filmes de todo o Brasil estão inscritos no festival, entre curtas e longas, de todos os formatos, do VHS a 35mm, passando pelo Super8 e DVD.

   Com o objetivo de esboçar um panorama do audiovisual experimental independente no País, a mostra não é competitiva e se volta apenas ao debate e à reflexão sobre a produção nacional.

   Para lembrar a carreira de Spencer, que ficará na mostra nos dias 4, 5 e 6 de fevereiro, está programada uma retrospectiva da filmografia do diretor, seguida de debate com a presença dele ao final das sessões. Além do pernambucano, o jovem diretor e produtor de curtas carioca Eduardo Nunes será homenageado na Mostra, com uma sessão retrospectiva da sua obra completa, também seguida de debate.

   Haverá ainda a exibição de longas inéditos no circuito comercial brasileiro, como Olho da Rua, de Sérgio Bloch, Soluços e Soluções, de Edu Filestoque e Nereu Cerdeira, O Rei do Samba, de José Sette, Samba Canção, de Rafael Conde, Estética da Solidão e Filme Estrangeiro, ambos de Luiz e Ricardo Pretti.

   Mais informações sobre o festival, sobre os filmes participantes, a forma de inscrição nas oficinas ou como fazer para exibir trabalhos no evento vale consultar o site abaixo indicado. (J.M.).

(© Jornal do Commercio)


Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


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