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HQ e design se encontram em "Ragú"

28/01/2003

 

 

Revista de quadrinhos alternativos de PE aproveita os bons ventos e nacionaliza elenco e distribuição

DIEGO ASSIS
DA REPORTAGEM LOCAL

   Nonsense. "Ragú", o título da revista, não quer dizer nada. História em quadrinhos, no sentido mais ortodoxo do termo, também não é o que o leitor vai encontrar aqui. Pouco importa, para os pernambucanos Lin e Mascaro sua nova "antologia de quadrinhos brasileiros" tem tudo para vingar.

   "Essa é a revista que sempre quisemos ver nas bancas. Uma coisa mais experimental para aqueles que já conhecem e curtem uma linha mais autoral de histórias em quadrinhos", defende Mascaro, 28, idealizador da "Ragú" e fã dos quadrinhos alternativos de Daniel Clowes e cia. "Mandamos os números anteriores para a Fantagraphics [editora americana de HQs alternativas] e fomos bastante elogiados pelo nosso design."

   "Números anteriores"?! Sim, a revista, que agora chega ao número quatro e comemora um contrato de distribuição nacional com a editora Via Lettera, já vinha circulando desde 2000 em Pernambuco e, no ano passado, recebera o HQ Mix de melhor publicação independente de 2001.

   A conquista trouxe outras novidades, mais palpáveis ainda: mudança no formato, adição de cores e de número de páginas, preço (bem) mais salgado e a quebra da antiga "panelinha de barro", como coloca Mascaro. Antes tocada apenas por desenhistas e roteiristas da região Nordeste, a quarta edição da "Ragú" conta agora com artistas de todo o país, dentre eles os mineiros Lelis e Cau, os paulistas Maxx e Bueno, o goiano Galvão, além do cubano radicado na Bahia Simanca.

   Duas homenagens completam a publicação de 80 páginas, financiada pelo Sistema de Incentivo da Cultura, da Prefeitura do Recife. A primeira delas, póstuma, ao cartunista Carlos Estevão, lembrado por suas seções de humor na revista "O Cruzeiro", e a segunda, a Abelardo da Hora, artista regional popular de 78 anos, querido no circuito das artes plásticas pernambucanas.

Mais do mesmo

   A "Ragú" não está sozinha. Da mesma Via Lettera e também apostando no potencial do quadrinho underground nacional está o álbum trimestral "Front", que há pelo menos cinco edições coloca nas livrarias novos trabalhos de Orlando, Kipper, Samuel Casal, Marcelo D'Salete, entre outros.

   Aos trancos, a igualmente premiada e esteticamente impecável "Front" tem conseguido se sustentar, mas não deixa de suscitar uma antiga discussão: onde foram parar os roteiros de fôlego do quadrinho nacional? Cadê a graphic novel tupiniquim?

   Com o mesmo formato conta-gotas, a "Ragú" ainda vai ficar devendo essa resposta...

RAGÚ - ANTOLOGIA DE QUADRINHOS BRASILEIROS. Editora: Via Lettera. Preço: R$ 18 (80 págs.).

(© Folha de S. Paulo)


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