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30/01/2003
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Sílvia Bessa
da Redação
O poeta cearense Gerardo Mello Mourão é o
segundo convidado do Programa Literato, do Centro Cultural Banco do Nordeste, que reúne
escritores nordestinos ou autores de obras de valor para a região. Ele fala sobre seu
livro mais recente, Invenção do Mar (Record, 2000), e discute a obra com
os professores Jorge Pieiro, Teoberto Landim e Leite Júnior.
Para que ninguém se confunda, é ele quem adverte: ''Não sou um poeta
nordestino. Sou um nordestino poeta. É outra coisa. Por isto sou fiel às substâncias
líricas de minha tribo e de minhas ribeiras da Ibiapaba''.
Nasceu em Ipueiras, a 8 de janeiro de 1917. Queria ser santo. Conta que foi
criado para manter intacta a imagem e semelhança de Deus. Foi até seminarista. Mas
desistiu do sacerdócio. É pecador e poeta. Autor de Valete de Espadas, Cabo
das Tormentas, Três Pavanas, Dossiê da Destruição e
da trilogia épica Os Peãs - reunião dos livros O País dos Mourões,
Peripécia de Gerardo e Rastro de Apolo.
A força de sua poesia foi ressaltada por Carlos Drummond de Andrade, o
americano Erza Pounde e os argentinos Jorge Luís Borges e Octavio Paz. Assim, já
concorreu ao prêmio Nobel de Literatura e, em 1997, foi eleito pela Guilda Órfica -
irmandade de poetas existente desde 1500 - o poeta do Século XX.
Os títulos lhe falam pouco. ''Desdenho todas as reverências.
Venham de onde vierem'', costuma repetir. Na noite de hoje, Gerardo Mello Mourão fala
sobre Invenção do Mar. Trata-se de uma grande epopéia sobre o
descobrimento do Brasil e os momentos primordiais da colonização portuguesa. Com
referências à carta de Pero Vaz de Caminha, Gerardo vai narrando os principais fatos da
História brasileira, como a travessia das caravelas de Cabral, a primeira missa celebrada
em solo brasileiro e a invasão holandesa.
Para o crítico Wilson Martins, Gerardo Mello Mourão reescreveu os
Lusíadas. ''Não haveria glória maior: os Lusíadas fundaram Portugal. Quem me dera
fundar o meu país!', comentou a respeito o poeta. ''É uma velha ambição: re-criar o
mundo em que vivemos, fundando de novo seu passado, porque, como no verso de Eliot, o
tempo presente está no tempo passado e o tempo passado é o tempo futuro''.
(© NoOlhar.com.br)
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