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31/01/2003
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Diretor volta ao estilo que o
notabilizou, o do "filme-de-estrada", adotado em "Bye, Bye Brasil"
(1979)
SILVANA ARANTES
DA REPORTAGEM LOCAL
A foz do rio São Francisco, em Alagoas, é
o ponto de partida e de chegada d'Ele em "Deus É Brasileiro", 16º longa do
cineasta Cacá Diegues, que estréia hoje.
Entre a ida e a volta ao lugar em que o rio
deságua, Deus (Antonio Fagundes) percorre milhares de quilômetros num trajeto de ensino
e aprendizado -não nesta ordem- com Taoca (Wagner Moura), um "gauche na vida".
Os personagens passam até por Brasília
Teimosa, periferia pernambucana onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou a
miséria ao seu ministério.
As filmagens se encerraram há um ano e
meio. Hoje, Diegues, 62, se orgulha discretamente de lançar um filme "que coincide
com o retorno ao gosto pelo Brasil, uma curiosidade pelo país, uma negação do Brasil
oficial, ideal".
Além dos círculos que os personagens
descrevem no filme, "Deus É Brasileiro" faz algumas voltas na carreira do
diretor. Primeiro, ao seu Estado natal, as Alagoas, em que acompanhou, quando criança, as
andanças do pai, até a foz do São Francisco, inclusive.
Mas o título é, sobretudo, o retorno de
Diegues a um estilo cinematográfico que o notabilizou, o do "filme-de-estrada",
adotado em "Bye, Bye Brasil" (1979), até hoje sua obra mais bem-sucedida.
"A partir do momento em que escolhi a foz como ponto de partida, o resto da geografia
foi se organizando naturalmente, pela lógica das coisas", diz o cineasta.
Diegues enumera: "A feira mais famosa
perto da foz é a de Penedo, a primeira cidade é Piaçabuçu, a grande metrópole da
região é o Recife e aí fui entrando pelo sertão. Quando acabei de estabelecer o
traçado da viagem dos personagens, me dei conta de que o filme se passava todo na margem
esquerda do São Francisco".
Reconhecido o "acidente ou acaso"
que pôs o filme do lado de lá do rio, o diretor decidiu "promovê-lo e
respeitá-lo", incorporando "modos de falar da margem esquerda e uma trilha
sonora de músicos, compositores, cantores" desse pedaço do Brasil.
O longa é baseado no conto "O Santo
Que Não Acreditava em Deus", de João Ubaldo Ribeiro, e teve a colaboração do
escritor no desenvolvimento do roteiro.
"Deus É Brasileiro" não é nem
teológico nem religioso. O Deus do nosso filme é um personagem literário, o grande
herói do maior livro da civilização ocidental -a Bíblia", diz Diegues.
Sobre essa base, o diretor procurou colocar
"uma certa tradição picaresca nordestina e outras informações mais
eruditas".
"Do teólogo Pierre Teilhard de
Chardin, tirei a idéia do milagre como um encontro entre uma idéia natural e a vontade
de Deus. Há ainda o Deus que dança, de Nietzsche, e até mesmo Darwin, autor em quem
estou cada vez mais interessado, que diz algo lindo -Deus inventou o mundo, mas pôs a dor
e o sofrimento como condição para a evolução humana", cita Diegues.
A capacidade de melhorar -a si mesmo e ao
país- é uma das idéias centrais do filme. "Pertenço a uma geração que, nos anos
60, achava que, pelo exercício da nossa vontade, o mundo iria mudar magicamente da noite
para o dia. A história recente do Brasil mostrou que estávamos errados. Hoje acho que é
necessário muita tolerância e compaixão (no sentido teológico do termo: solidariedade
com a trajetória do outro), muita paciência e muita obsessão para conseguir mudar as
coisas."
Em resumo, "o filme é uma
humanização de Deus para dizer que nós, homens, nunca seremos Deus e temos de nos
acostumar com isso. É um filme sobre a tolerância com a condição humana".
(© Folha de S. Paulo)
CRÍTICA
Comédia busca poética do imperfeito
JOSÉ GERALDO COUTO
COLUNISTA DA FOLHA
Deus (Antonio Fagundes) desce à Terra e, para justificar
sua aparência prosaica ao primeiro homem que encontra -o borracheiro Taoca (Wagner
Moura)-, diz: "Se fosse o deus das girafas, teria cara de girafa".
Eis a idéia subjacente a "Deus É Brasileiro". O homem cria Deus à sua imagem
e semelhança. Humanizado, imperfeito, contraditório, cheio de vaidade e de ira, mas
também de um amor infinito. E o Deus criado pelos brasileiros só pode ser um Deus
brasileiro, integrado em sua cultura, em seu humor, em sua poética.
Cansado de cuidar das coisas do mundo, desiludido com a humanidade que estragou sua
perfeita criação, esse Deus desembarca no Nordeste brasileiro disposto a achar um santo
que fique em seu lugar por uns tempos.
Mas o primeiro homem que encontra, Taoca, é um pícaro brasileiro: ladino e generoso,
ardiloso e sentimental. Da família de Macunaíma e João Grilo. É esse homem que
acompanha Deus em sua jornada Brasil adentro, em busca do homem sem pecado.
Na estrada dá-se o contraponto cômico entre um Deus orgulhoso de sua obra e um homem que
critica os defeitos do universo e propõe melhorias, feito Emília na "Reforma da
Natureza".
"Deus É Brasileiro" cruza a tradição picaresca de origem ibérica com a do
"filme-de-estrada" brasileiro, como "Iracema", "Central do
Brasil" e, claro, "Bye, Bye, Brasil". Se "Bye, Bye" lamentava o
fim de um certo Brasil, atropelado pela modernidade urbana, "Deus" é uma
declaração de amor ao país torto que temos.
O que incomoda é a insistência em realçar "nossas belezas naturais". Mas há
um momento em que o filme auto-ironiza esse seu pendor turístico. Na foz do São
Francisco, Taoca diz a Deus: "Aqui o senhor caprichou, hein? Mas dá pra baixar um
pouquinho o volume da música?".
Tudo somado, "Deus É Brasileiro" é uma saborosa farsa popular, ancorada no
talento irresistível do jovem Wagner Moura e em cenas inspiradas, como a de Taoca e sua
namorada vagando pelo mar numa canoa, vistos de cima, ao som de Djavan cantando
Villa-Lobos. Uma poesia singela e brasileira.
(© Folha de S. Paulo)
Deus É Brasileiro
Idem 
Direção: Cacá Diegues
Produção: Brasil, 2002
Com: Antonio Fagundes, Wagner Moura, Paloma Duarte
| Assim no céu como na Terra |
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Jaime Biaggio
Deus fez o homem à sua imagem e
semelhança, diz a Bíblia. O homem fez Deus à sua imagem e semelhança, disse Cacá
Diegues em entrevista ao Segundo Caderno, no início da semana, para discutir seu filme
Deus é brasileiro, que chega hoje aos cinemas. Nele, Antônio Fagundes entra
para a galeria dos atores que deram um rosto ao Todo-Poderoso. Sempre que é assim, Ele
costuma ser muito mais humano e imperfeito do que aquela luz etérea que surge do céu nos
épicos bíblicos e nas suas paródias.
E, realmente, o Deus encarnado por Fagundes está muito próximo da gente.
Só para começar, no motivo que o leva a se enfiar Nordeste e Norte adentro: férias, as
primeiras em trocilhões de anos. Realmente disposto a suspender tudo por um
tempinho, Ele vem ao Brasil atrás de um tal Quinca das Mulas (Bruce Gomlevsky), que crê
ter todas as qualificações para virar santo e tomar conta das coisas durante Suas
férias.
Por que Quinca das Mulas? Bem, é um homem bom, justo, professor devotado,
defensor dos índios contra os fazendeiros gananciosos etc. Acima de tudo, porém, a
resposta é bem outra: porque Deus quer assim e pronto. No filme, livremente inspirado num
conto de João Ubaldo Ribeiro, Ele é idiossincrático, rabugento, teimoso. Um homem.
E, bem antes de esbarrar em Quinca das Mulas, Ele encontra alguém que é
certamente páreo: Taoca (Wagner Moura), pescador metido a esperto, malandrão do tipo que
arranja resposta para tudo até sugere a Deus uns aperfeiçoamentozinhos no mundo,
como separar os órgãos sexuais do aparelho excretor.
Taoca, juntamente com a avoada e apaixonada Madá (Paloma Duarte), acaba por
tornar-se o companheiro de viagem de Deus em suas andanças pelo Nordeste e pelo Norte, do
litoral de Alagoas a Tocantins, passando por Recife. Um norte imprevisível, que oferta
aos personagens e ao espectador algumas imagens esperadas (a beleza do agreste e do
litoral, o calor do povo simples de vilas e cidadezinhas de beira de estrada sim,
este é um legítimo road movie ) e outras inusitadas (um sujeito que usa seu
computador e a internet para evocar espíritos de mortos). Imagens que só têm em comum a
beleza com que foram registradas por Affonso Beato, o diretor de fotografia mais
internacional do país (trabalhou com Pedro Almodóvar em A flor do meu segredo,
Carne trêmula e Tudo sobre minha mãe, por exemplo).
(© O Globo On Line)
O cachê alto, a revelação e o novato
NO ELENCO DE DEUS é brasileiro
chamam a atenção o mais bem pago ator do cinema brasileiro (Antônio Fagundes, que só
por seu trabalho em Bossa nova, de 2000, ganhou R$ 200 mil), uma revelação
em seu melhor momento (Wagner Moura) e outra em início de campanha (Bruce Gomlevsky).
Moura é um dos filhos bem-sucedidos da peça A máquina, de
João Falcão, cuja carreira deslanchou no cinema após o sucesso nos palcos. Depois de
voltar a trabalhar no teatro em Os solitários, de Felipe Hirsch, estreou na
televisão ao lado dos companheiros de peça num episódio de A grande família.
O ator esteve nas telas em As três Marias, Abril despedaçado e
Sabor da paixão. E logo poderá ser visto também em O homem do ano,
de José Henrique Fonseca, Carandiru, de Hector Babenco, e Caminho das
nuvens, de Vicente Amorim.
Rosto mais conhecido de comerciais, Gomlevsky foi destaque no ano passado na
peça Vida, o filme, ainda em cartaz no Espaço Unibanco. Antes, o ator
participou de várias encenações da Companhia de Ópera Seca quando seu diretor, Gerald
Thomas, estava à frente do teatro Sesc-Copacabana. No cinema, Gomlevsky que está
na montagem de Nada de pânico!, produção de Marco Nanini e Guel Arraes, no
Teatro Villa-Lobos foi visto em Lara, de Ana Maria Magalhães. E este
ano aparece ainda no longa Apolônio Brasil O campeão da alegria, de
Hugo Carvana. Eduardo Simões
(© O Globo On Line)
Uma galeria de pícaros
SEGUNDO CACÁ Diegues, Taoca, o personagem
vivido por Wagner Moura que é o guia de Deus em Deus é brasileiro, é
aparentado de outros personagens que perpassam muitos filmes seus.
São personagens pícaros, herdeiros da tradição ibérica diz
o diretor.
Tais personagens pícaros aparecem no cinema de Cacá desde o
início. O migrante nordestino vivido por Antônio Pitanga em A grande cidade,
o produtor da trupe mambembe de Quando o carnaval chegar interpretado por Hugo
Carvana, personagem quase revivido por José Wilker na Caravana Rolidei que atravessa o
país em Bye-bye Brasil, e mesmo a sensual e galhofeira heroína negra Xica
da Silva, imortalizada por Zezé Motta, fazem parte dessa tradição.
Para entendê-los, basta lembrar do mais importante dos pícaros da
literatura ibérica, o Dom Quixote, de Cervantes, quase um fundador do gênero. Os
personagens de Cacá, quixotescos, engajam-se em causas perdidas ou grandiosas demais
como a de Taoca, ganhar o emprego de santo ou conquistar a mulher
inatingível mas sem nunca perder a humanidade. Neste sentido, e com Taoca não é
diferente, ganham a identificação do espectador por encarnarem, com humor, os dilemas do
ser humano. Hugo Sukman
(© O Globo On Line)
Diretor sabe incorporar a lógica do marketing
A fotografia bonita é apenas parte de um pacote feito para ser atraente, que
também inclui música nordestina de todas as épocas e matizes (de Luiz Gonzaga a Chico
Science & Nação Zumbi e DJ Dolores, com canja do grupo Cordel do Fogo Encantado na
tela) e um elenco que, em sua maioria, é conhecido do público que só vê televisão
(Wagner Moura e Bruce Gomlevsky são exceções): Fagundes, Paloma e, em papéis menores,
Stepan Nercessian, Castrinho, Hugo Carvana, Toni Garrido e Susana Werner.
Há tempos é assim com Cacá Diegues. Um raro representante da geração de
diretores do Cinema Novo ainda plenamente ativo, ele manteve a preocupação autoral em
seus filmes através dos anos, mas soube incorporar a lógica do marketing. Aprendeu a
vendê-los como produtos para poder apresentá-los como filmes, a usar as ferramentas ao
seu alcance para atiçar a curiosidade do público e assim levá-lo a experimentar filmes
que, seja para bem ou para mal, não são jamais exatamente aquilo que se espera deles.
É assim que, desde a virada dos anos 80 para os 90, precisamente a época em
que produzir cinema no Brasil tornou-se mais difícil, os filmes de Cacá Diegues sempre
trazem alguma forte oportunidade de venda ou um elemento marketeável . Dias
melhores virão (1989) trazia a novidade de estrear em horário nobre na Globo, indo
só depois para os cinemas (o que, aliás, mais atrapalhou do que ajudou). Veja esta
canção (1994) tinha como chamarizes as canções em que se baseavam seus quatro
episódios, composições famosas de Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil (além
de uma menos conhecida de Jorge Benjor).
Em 1996, Tieta do agreste trouxe como chamariz a volta de Sonia
Braga ao cinema brasileiro (e isso para não mencionar a escalação de Chico Anysio como
pai de Tieta e a trilha sonora de Caetano Veloso). Já Orfeu (1999), também
com música de Caetano, trazia o cantor Toni Garrido no papel-título. Para platéias mais
antigas, claro, havia o chamariz extra de ser uma nova versão de Orfeu da
Conceição, de Vinicius de Moraes.
Em Deus é brasileiro, contudo, esse tipo de artifício tem menos
importância. Embora o pacote seja consideravelmente vendável, o filme, o melhor de Cacá
desde o pouco visto e subestimado Dias melhores virão, sustenta-se, afinal,
na interação entre um ator ainda não tão conhecido do público (Wagner Moura) e um
veterano que, apesar de associado facilmente às novelas, é, desde sempre, ator de cinema
(Fagundes). O início é onde o teor cômico é mais acentuado, com Taoca se metendo a dar
palpite atrás de palpite na viagem de Deus. Do meio em diante, a ênfase é na viagem e
no que se acha pelo caminho. Vão com Deus.
(© O Globo On Line)
'Deus é brasileiro': O Homem existe
Arnaldo Bloch
A primeira impressão ao encarar o Deus
brasileiro de Cacá Diegues pode ser de estranhamento. De que o cineasta está forçando a
barra. De que Antônio Fagundes é e sempre será apenas Antônio Fagundes. De que, sem
transcendência tipificada, Deus nunca é Deus. Mas, à medida que avança a projeção, e
que avança Deus na sua peregrinação em companhia de Taoca (o impressionante Wagner
Moura) e Madá (Paloma Duarte, competente e bela) à procura de Quinca das Mulas (o enfant
terrible Bruce Gomlevsky, um pouco caricato no papel), essa impressão começa a dar lugar
(e aí Fagundes é magistral) à sensação não menos estranha de que aquele Deus é um
velho conhecido, sujeito íntimo. Sem nenhum prejuízo para a Sua deidade.
Ora, desde tempos imemoriais, Ele é manipulador, vingativo, vaidoso,
violento, egocêntrico, imprevisível, incapaz de lidar sem atropelos com o seu amor pelos
homens. E, sobretudo, altamente inseguro quanto ao resultado de sua obra, atrapalhada por
um tal de livre-arbítrio, cisma sua.
Ao dar vida na tela ao mítico Deus brasileiro, Cacá Diegues de volta
à dimensão mambembe e itinerante de Bye-bye Brasil, aqui pontuada de
cadências glauberianas e realizada com acabamento notável e equilibrado não
apenas retoma a incômoda constatação de que foi o homem que criou Deus à sua imagem e
semelhança. Ele o faz lembrando que, ao criá-lo e recriá-lo, o homem configura o
Criador de acordo com seus hábitos, sua língua, seu jeito, como se divindade fosse massa
de moldar. E mesmo enquadrando Deus e homem num percurso regional, Cacá encontra e
potencializa Sua dimensão universal.
O filme não se limita, tampouco, a uma reiteração do jogo de espelhos
Deus/homem. É, em vez disso, uma aposta esperançosa: de tanto mirar-se no humano, Deus
há de recobrar o amor original, anterior à quebra de confiança que até hoje assombra a
existência.
Essa quebra da desconfiança desaguaria na restauração do
Paraíso. O que há de brilhante no filme de Cacá é a crença de que não cabe apenas ao
homem, mas a Ele, conhecer-se melhor e dar um salto de qualidade definitivo. Mesmo que
Deus não seja nada além de um componente ilusório do homem; que, posto que existe,
precisa evoluir.
(© O Globo On Line)
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De Deus É Brasileiro a Carandiru, ator de 26 anos está nos
principais filmes da temporada |

Mariane
Morisawa
O nome Wagner
Moura pode não significar nada para você ainda. Mas é bom prestar atenção
neste rosto, porque ele começa a invadir as telas. Ele é o vingador de Rodrigo Santoro
em Abril Despedaçado, aquele escondido por trás de grossas lentes. E também o
matador com cicatriz dividindo o rosto e tatuagem tomando as costas em As Três Marias,
de Aluizio Abranches, que estréia no dia 9. Apesar de aparecer pouco, levou o prêmio de
melhor ator no Festival do Ceará por seu magnético Jesuino Cruz. Como é uma
fábula, deu para enlouquecer com o personagem, diz Wagner, 26 anos.
Nada mal para
quem, apenas dois anos atrás, estava escondido no teatro da Bahia Wagner começou
a atuar na escola, até ser chamado por uma amiga para integrar um grupo. Aprendi
fazendo, conta ele, que nunca fez curso de interpretação e acabou na faculdade de
Jornalismo. Por algum tempo, dividiu-se entre os palcos e a assessoria de imprensa. Pois
foi em Salvador que o diretor João Falcão encontrou o rapaz, bem como o hoje famoso
Vladimir Brichta, para a montagem de A Máquina.
A partir do
trabalho com Falcão, choveram testes. Fez o Suel de O Homem do Ano, de José
Henrique Fonseca, e o malandro Taoca em Deus É Brasileiro, de Cacá Diegues.
Sabendo que Hector Babenco ia filmar Carandiru, arriscou. Pedi a um amigo
para gravar um teste em vídeo, atrás de uma grade. Ficou ridículo, conta. Recebeu
uma ligação da produção, marcando encontro com o cineasta. Ele queria me ver,
porque não tinha conseguido enxergar meu rosto, ri. Wagner ganhou o papel do
traficante Zico e afirma que filmar no presídio foi arrepiante. A energia do lugar
é muito ruim. Ainda havia presos no complexo, foi punk, diz o ator, que está na
peça Os Solitários, com Marieta Severo e Marco Nanini.
Agora, malha
para emagrecer e viver o pai em O Caminho das Nuvens, que Vicente Amorim começa a
rodar em setembro, sobre uma família que viaja do sertão ao Rio de bicicleta. Em breve,
mais Wagner Moura num cinema perto de você.
(© ISTOÉ Gente, 05.08.2002) |
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Com relação a este tema, saiba mais
(arquivo NordesteWeb)
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