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04/02/2003
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Bruno Porto
SALVADOR - Enviado especial
Punks de butique, moderninhos, fãs de
reggae e patricinhas dividiram, numa boa, a platéia do Parque de Exposições de
Salvador, onde rolou, na semana passada, o Festival de Verão. Além de pesos pesados do
pop nacional, como Paralamas do Sucesso e Skank, a galera foi para assistir a grupos menos
conhecidos, que se apresentavam no Palco Pop.
Entre as bandas que subiram no palco dos novatos, destaque para o grupo
mineiro Berimbrown. Diretamente de Belo Horizonte, a banda botou os baianos para dançar
com sua black music suingada e encorpada.
Não foi a primeira vez que o Berimbrown, que conta com nada menos que 13
integrantes, tocou na Bahia este ano. A banda fez uma participação no DVD Eletrodoméstico,
que Daniela Mercury gravou na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, nos
dias 24 e 25. Daniela gostou e convidou os mineiros para repetir a dose no seu trio
elétrico, que sai no sábado de carnaval. Um dia antes, o Berimbrown que lançou
recentemente o seu segundo disco, o independente Aglomerado vai
comandar o primeiro trio elétrico dedicado à black music no carnaval baiano. Já
confirmaram presença as cantoras Sandra de Sá e Luciana Mello.
O nosso trio elétrico vai ser demais. Só vai faltar o James Brown.
Black music para a gente é necessidade. Não é uma moda diz Mestre Negoativo, que
em 1991 montou a oficina de percussão que acabaria dando origem à banda.
Negoativo acrescenta que os blocos afro também influenciaram o som do
Berimbrown, que mistura, com competência, metais, percussão, scratches, guitarra e,
claro, berimbau.
Nosso som é tudo que a gente vive. Por isso é tão importante
estarmos em Salvador diz Negoativo, dono de longas dreadlocks.
Já Alexandre Cardoso, principal vocalista da banda, cultiva um black power.
Se descesse do palco, sua cabeleira passaria despercebida no meio da multidão, que
misturava várias tribos. Gente diferente em quase tudo, como Caio Frenn, que usa penteado
moicano e é fã de punk; João Paulo Carvalho, dono de dreadlocks e amante do reggae, e a
patricinha Helena Chicourel, que não dispensa salto alto e descreve seu gosto musical com
o infalível eclético. Em comum mesmo, só o fato de estarem lá.
Caio, de 22 anos, toca bateria e foi assistir ao show de Gilberto Gil. Já um
amigo seu, Lula Oliveira, de 24 anos, não foi ao festival por causa de um artista
específico, queria ver a mistura do caldeirão baiano.
Tem muita coisa boa acontecendo ao mesmo tempo diz Lula, que
estava se achando com um aro de óculos sem as lentes. Meu visual é
contemporâneo.
O reggeiro João Paulo, de 21 anos, também foi ao festival ver Gil.
Quero ver como é um ministro tocando brincava ele, enquanto
assistia, dançando sem parar, à apresentação do Berimbrown.
Apesar de visual radicalmente diferente, Lula poderia engrenar um bate-papo
com a patricinha Helena, de 22 anos, que estava com as amigas Flávia Rêgo, de 24 anos, e
Priscilla Almeida, de 17 anos.
Sou fã de tudo diz ela, que se define como fashion, enquanto
Flávia se diz clean e Priscilla, moderna. (Bruno Porto viajou a convite da produção
do Festival de Verão)
Todo baiano já sabe namorar
Não deu para Ragatanga, do
Rouge, nem para as últimas obras-primas de bandas de axé como Chiclete com Banana, Asa
de Águia e Araketu. A música mais tocada no verão de Salvador é Já sei namorar,
dos Tribalistas. Durante o Festival de Verão, o sucesso do trio formado por Arnaldo
Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte não ficou mais do que meia-hora sem ser executado
nas barracas de comida e bebida, nas lojas, nos camarotes. A música saía dos
alto-falantes transformada em forró, dance farofa e, claro, axé. Na noite de
quinta-feira Já sei namorar foi tocada ao vivo pela primeira vez. Arnaldo
Antunes deu uma canja no bom show no palco principal da baiana Margareth Menezes e fez com
ela uma versão turbinada (com os cumprimentos da ótima banda da cantora) do hit
tribalista.
Para a infelicidade de quem gosta da música, pouco tempo depois do show de
Margareth, o Asa de Águia subiu no mesmo palco e assassinou Já sei namorar.
Não será a última vez no verão que os baianos vão ver Arnaldo cantando a música. Ele
dará canjas no carnaval nos blocos Noite dos Mascarados, de Margareth, e Timbalada, de
Carlinhos Brown, e no trio elétrico Expresso 2222, de Gilberto Gil. Se bobear, Arnaldo
Antunes vira o Seu Jorge de Salvador.
(© O Globo On Line)
| Público do Festival de
Verão de Salvador atingiu 208 mil |
Segundo a organização da mostra,
208 mil pessoas estiveram no parque, um público um pouco superior O dia mais visto foi a
noite de sexta-feira, que teve um público estimado em 52 mil pessoas entre as
atrações desse dia, Charlie Brown Jr. e Lulu Santos. O ministro da Cultura, Gilberto
Gil, foi visto por 46 mil pessoas, no balanço final, na noite de quinta-feira
Salvador - Terminou
com recorde de público na noite deste domingo o 5º Festival de Verão de Salvador, uma
jornada de 5 dias e 50 artistas nos três palcos do Parque de Exposições da capital
baiana.
Segundo a organização da
mostra, 208 mil pessoas estiveram no parque, um público um pouco superior ao recorde
anterior, de 2001, quando o festival coincidiu com a realização da 3ª edição do Rock
in Rio. Naquele ano, 200 mil pessoas foram à mostra baiana.
Hoje tivemos uma
concorrência muito grande em Salvador, é dia de Iemanjá, e o público foi menor,
disse Maurício Magalhães, coordenador do festival. No encerramento, 32 mil pessoas foram
assistir a shows de extremo ecletismo, que iam do grupo de programa de auditório Rouge ao
celebrado DJ Patife, passando por Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Planet Hemp e Jota
Quest. É um festival propositadamente eclético, propositadamente misturado,
afirmou o coordenador.
O dia mais visto foi a noite
de sexta-feira, que teve um público estimado em 52 mil pessoas entre as atrações
desse dia, Charlie Brown Jr. e Lulu Santos. O ministro da Cultura, Gilberto Gil, foi visto
por 46 mil pessoas, no balanço final, na noite de quinta-feira.
A grande vitória do
festival, para Magalhães, foi a civilidade. Foram registrados apenas 1.032 ocorrências.
Na linguagem policial, foram 25 vias de fato, ou brigas, 507 extravios de
documentos, 241 furtos de carteiras, 30 roubos de celulares e um caso de falsidade
ideológica.
Essa estratégia, de tornar
o festival o evento com o menor número possível de crimes e casos de violência, tem a
ver com a escolha da mostra baiana pela Unesco como um dos eventos de combate à
intolerância.
E a estratégia é
abrangente. Depois de Lulu Santos, ontem foi a vez da cantora Daniela Mercury
posicionar-se contra a iminente declaração de guerra dos Estados Unidos ao Iraque.
Que nós façamos todo o esforço para evitar essa guerra. Não só no Iraque, mas
nas favelas brasileiras. É proibido tratar pobres como bichos. É proibido discriminar
qualquer pessoa. Negros. Deficientes físicos. É proibido pagar salários menores para as
mulheres. Maltratar os presidiários, discursou ela.
O festival tem um dos
preços mais baixos do País, entre R$ 17 e R$ 60. Funciona basicamente com patrocínios
fortes cerca de 63% da receita, segundo a coordenação. O Nordeste tem
realmente menor poder aquisitivo, disse a cantora Daniela Mercury. Então,
acho uma maravilha que se consiga fazer isso aqui. É um Rock in Rio que acontece em
Salvador, afirmou. Jotabê Medeiros
(© estadao.com.br, 02.04.03,
23h14) |
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Com relação a este tema, saiba mais
(arquivo NordesteWeb)
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