Longa-metragem São Francisco Um
Rio Cheio de Histórias chega à fase de finalização com a composição da trilha sonora
no Estúdio Fábrica, por João Souza Leão e Marcus Vinicius Cézar (foto abaixo). A
estréia deve ser ainda este ano
JAILTON MARTINS
Falta pouco para São Francisco Um Rio Cheio de Histórias,
filme produzido por Carla Camurati, desaguar. A equipe de produção da película está no
Recife, enclausurada na sala de edição de som do Estúdio Fábrica, na Várzea, dando os
últimos retoques na trilha sonora do filme. Esta é uma das etapas do processo de
finalização do trabalho, que deve ser concluído até abril.
Agora, a prioridade é a trilha, diz o diretor Marcus Vinicius
Cézar. O cineasta pretende resgatar a tradição ribeirinha do São Francisco, com suas
músicas populares, sem perder o diálogo com a modernidade. Eu e o compositor da
trilha, João Souza Leão, estamos misturando a musicalidade tradicional da cultura
ribeirinha com um toque moderno, por meio de instrumentos eletrônicos, continua.
Mas isso não quer dizer que faremos rocknroll no São Francisco,
pondera. Vamos atualizar a leitura para não ficar apenas no som regional da sanfona
ou da viola, ressalta.
Diretor e compositor visitaram a região do São Francisco antes do
início das filmagens. Eles buscavam inspiração para ver que tipo de som se adequaria
às imagens do filme. Quando fizemos a pesquisa documental, nos preocupamos em
resgatar a musicalidade específica da região, impregnada por lendas, crenças e muita
religiosidade, diz Vinicius. Elementos dos imaginários indígena e negro foram
incorporados à trilha. Tentamos reproduzir um clima indígena ou uma sonoridade
negra em determinados momentos da trama sem necessariamente ter que captar o som num
terreiro de candomblé ou numa aldeia, diz João, do Estúdio Fábrica. Por
isso, não há um som de raiz, explica.
Além da inspiração no legado cultural da população ribeirinha, a
equipe de São Francisco pretende seguir à risca um princípio da edição: o
casamento perfeito entre imagem e som. Usamos a sonoridade de instrumentos
tipicamente nordestinos, mas de uma forma grandiosa para casar com a grandeza das tomadas
abertas do Rio, diz o compositor. A trilha conta ainda com uma ilustre presença na
percussão. Naná Vasconcelos está fazendo muita coisa conosco também, diz o
diretor.
Na concepção do compositor da trilha, a feitura das músicas para São
Francisco Um Rio Cheio de Histórias teve duas partes. Começamos a
compô-la antes mesmo de as filmagens começarem. Desse material, selecionamos alguma
coisa. Recomeçamos em outubro e agora a gente analisa o que funciona e o que não serve
para as cenas do filme, esclarece João. Trilha é igual a roteiro: chega uma
hora em que você começa a rasgar papel, brinca Vinicius. A gente mexe
muito. Para o cineasta, é um cuidado realmente necessário. A sonoridade
conduz todo o filme pontuando as emoções da história, ressalta.
CANOA FALANTE São Francisco Um Rio Cheio de
Histórias é uma co-produção Rio de Janeiro-Pernambuco, via Copacabana Filmes e B52
Desenvolvimento Cultural, respectivamente. A história do filme se passa ao longo Rio São
Francisco em diversas localidades, como Penedo, Bom Jesus da Lapa e Petrolina.
São Francisco narra a história de um fotógrafo, vivido por
Fábio Assunção, que aguarda a visita da namorada (Carla Regina), quando um desencontro
vai levá-la a uma viagem de descobrimento do Rio, na companhia de um remeiro contador de
histórias, que sabe tudo sobre o São Francisco por causa da sua canoa Cidó, a
personagem-narradora do filme. O elenco do longa conta também com os atores Aramis
Trindade e Regina Dourado.
Orçado em R$ 3 milhões, o filme mal foi concluído e já tem suas crias.
As imagens de São Francisco que não forem usadas no longa servirão para a
produção de três documentários para a TV, sobre a questão da água, que ainda estão
em fase de produção.
São Francisco deve estrear este ano. A gente quer lançar
ainda em 2003, pois a Organização das Nações Unidas instituiu a data como o ano da
água doce, diz o diretor Vinicius. Tem tudo a ver.
(© Jornal do Commercio-PE)