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São Francisco deságua em trilha grandiosa

07/02/2003

 

 
 

Longa-metragem São Francisco – Um Rio Cheio de Histórias chega à fase de finalização com a composição da trilha sonora no Estúdio Fábrica, por João Souza Leão e Marcus Vinicius Cézar (foto abaixo). A estréia deve ser ainda este ano

JAILTON MARTINS

   Falta pouco para São Francisco – Um Rio Cheio de Histórias, filme produzido por Carla Camurati, desaguar. A equipe de produção da película está no Recife, enclausurada na sala de edição de som do Estúdio Fábrica, na Várzea, dando os últimos retoques na trilha sonora do filme. Esta é uma das etapas do processo de finalização do trabalho, que deve ser concluído até abril.

   “Agora, a prioridade é a trilha”, diz o diretor Marcus Vinicius Cézar. O cineasta pretende resgatar a tradição ribeirinha do São Francisco, com suas músicas populares, sem perder o diálogo com a modernidade. “Eu e o compositor da trilha, João Souza Leão, estamos misturando a musicalidade tradicional da cultura ribeirinha com um toque moderno, por meio de instrumentos eletrônicos”, continua. “Mas isso não quer dizer que faremos rock’n’roll no São Francisco”, pondera. “Vamos atualizar a leitura para não ficar apenas no som regional da sanfona ou da viola”, ressalta.

   Diretor e compositor visitaram a região do São Francisco antes do início das filmagens. Eles buscavam inspiração para ver que tipo de som se adequaria às imagens do filme. “Quando fizemos a pesquisa documental, nos preocupamos em resgatar a musicalidade específica da região, impregnada por lendas, crenças e muita religiosidade”, diz Vinicius. Elementos dos imaginários indígena e negro foram incorporados à trilha. “Tentamos reproduzir um clima indígena ou uma sonoridade negra em determinados momentos da trama sem necessariamente ter que captar o som num terreiro de candomblé ou numa aldeia”, diz João, do Estúdio Fábrica. “Por isso, não há um som de raiz”, explica.

   Além da inspiração no legado cultural da população ribeirinha, a equipe de São Francisco pretende seguir à risca um princípio da edição: o casamento perfeito entre imagem e som. “Usamos a sonoridade de instrumentos tipicamente nordestinos, mas de uma forma grandiosa para casar com a grandeza das tomadas abertas do Rio”, diz o compositor. A trilha conta ainda com uma ilustre presença na percussão. “Naná Vasconcelos está fazendo muita coisa conosco também”, diz o diretor.

   Na concepção do compositor da trilha, a feitura das músicas para São Francisco – Um Rio Cheio de Histórias teve duas partes. “Começamos a compô-la antes mesmo de as filmagens começarem. Desse material, selecionamos alguma coisa. Recomeçamos em outubro e agora a gente analisa o que funciona e o que não serve para as cenas do filme”, esclarece João. “Trilha é igual a roteiro: chega uma hora em que você começa a rasgar papel”, brinca Vinicius. “A gente mexe muito”. Para o cineasta, é um cuidado realmente necessário. “A sonoridade conduz todo o filme pontuando as emoções da história”, ressalta.

   CANOA FALANTE – São Francisco – Um Rio Cheio de Histórias é uma co-produção Rio de Janeiro-Pernambuco, via Copacabana Filmes e B52 Desenvolvimento Cultural, respectivamente. A história do filme se passa ao longo Rio São Francisco em diversas localidades, como Penedo, Bom Jesus da Lapa e Petrolina.

   São Francisco narra a história de um fotógrafo, vivido por Fábio Assunção, que aguarda a visita da namorada (Carla Regina), quando um desencontro vai levá-la a uma viagem de descobrimento do Rio, na companhia de um remeiro contador de histórias, que sabe tudo sobre o São Francisco por causa da sua canoa Cidó, a personagem-narradora do filme. O elenco do longa conta também com os atores Aramis Trindade e Regina Dourado.

   Orçado em R$ 3 milhões, o filme mal foi concluído e já tem suas crias. As imagens de São Francisco que não forem usadas no longa servirão para a produção de três documentários para a TV, sobre a questão da água, que ainda estão em fase de produção.

   São Francisco deve estrear este ano. “A gente quer lançar ainda em 2003, pois a Organização das Nações Unidas instituiu a data como o ano da água doce”, diz o diretor Vinicius. Tem tudo a ver.

(© Jornal do Commercio-PE)


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