ADRIANA DEL RÉ
A
cantora maranhense Rita Ribeiro resolveu aproveitar a entressafra que separa seu terceiro
CD, Comigo, do próximo álbum, para se voltar aos projetos especiais. Alguns deles ainda
não passam de planos, como um show de reggae e um só com repertório à la Jorge Benjor.
Outros, entretanto, estão devidamente encaminhados. É o caso do espetáculo inédito
Rendendê (nome de uma renda nordestina intrincada), que será realizado no Sesc Vila
Mariana.
São Paulo é a primeira cidade a receber
esta apresentação, com concepção assinada pela diretora de teatro Eugênia Thereza de
Andrade. No ano passado, Eugênia foi assistir a um show de Rita e a convidou para fazerem
um trabalho juntas - o que veio de encontro a um antigo desejo da cantora, que há tempos
queria criar um clima cênico em suas apresentações. "Aceitei o convite também
pela possibilidade de realizar um novo contexto sonoro", ela afirma.
O repertório compila basicamente músicas
de seus três discos, mas com novas roupagens: Cocada (Antonio Vieira), Jurema (de
domínio público), Há Mulheres (Vânia Borges), Pra Você Gostar de Mim (Vital Farias),
Impossível Acreditar Que Perdi Você (Cobel e Márcio Greyck), entre outras. Há ainda
algumas novidades na sua voz, como Milagre, Como Dizia o Mestre e Custe o Que Custar
(sucesso na interpretação de Roberto Carlos).
O show, acústico, será conduzido com uma
base simples, formada por voz, violão e percussão. "A idéia era transpor para
outras releituras", diz.
Muito dessa experimentação sonora se deve
à participação do músico Djalma Corrêa, que divide o palco com Rita Ribeiro, além de
ser responsável pela direção musical do espetáculo, com Pedro Mangabeira (com quem a
cantora trabalha há anos). Apesar de admirar Djalma desde que "se conhece por
gente", é a primeira vez que Rita realiza um projeto com o músico. "Fiquei
instigada pela possibilidade de me apresentar com ele, que já tocou com diversos músicos
e é respeitado no exterior."
Para a maranhense, as experimentações
devem pontuar a trajetória de todo artista. "Não me preocupo com fórmulas, o legal
de fazer arte é se arriscar.
O artista que não se arrisca está
morto." Ao mesmo tempo em que 'arrisca' novas musicalidades, Rita se encontra no
processo de pesquisa para o quarto disco da carreira ou, como ela denomina, na fase de
"pré-produção no palco".
E garante não ter pressa para defini-lo.
"Meus projetos são coerentes com meu sistema de trabalho, nada é solto, é do jeito
que eu gosto."