Alta
do dólar faz o evento recifense centrar fogo em indies brasileiros
LÚCIO RIBEIRO
DA REPORTAGEM LOCAL
Maior inimigo dos festivais internacionais
do Brasil, o dólar (ou a alta do) não conseguiu matar o Abril Pro Rock 2003, mas deixou
ferido o principal evento indie brasileiro.
Sem grandes nomes do pop rock estrangeiro, o
festival recifense, que ocorre de 11 a 13 de abril, anunciou a programação de sua 11ª
edição, voltando o foco para a cena independente nacional.
"É o preço que se paga pela
independência. Vamos fazer ajustes devido às circunstâncias, mas nunca iríamos deixar
de fazer o festival", afirma Paulo André, o criador e organizador do APR. "Até
porque nunca apareceram em nossas mãos trabalhos de bandas independentes nacionais com
tanta qualidade como tem ocorrido nos últimos dois anos."
Se nos últimos tempos o festival conseguiu
escalar nomes como Asian Dub Foundation, Charlatans e Jon Spencer Blues Explosion, a
única atração de chancela gringa a perfilar entre as 23 do APR 2003 é a banda punk
alemã Terrorgruppe, que pertence ao respeitado selo Epitaph.
Entre os artistas estrangeiros cogitados
para estrelar o APR deste ano estava o guitarrista Frank Black, ex-líder da seminal
Pixies, banda americana que dividia as atenções com o Nirvana na cena alternativa do
final dos 80, começo dos 90. Mas o alto valor pedido pelo agente de Black inviabilizou a
vinda do recluso ídolo. "Cobraram preço de cachê em festival europeu. Se cidades
como São Paulo encontram dificuldade para trazer atrações internacionais, imagine o que
acontece aqui no Nordeste, onde o poder aquisitivo da região é bem mais baixo."
Ao contrário do que aconteceu em anos
anteriores, o APR não esticará seus braços indies para São Paulo, que sempre recebia
alguns shows da matriz recifense.
Na sexta, 11, o festival é puxado por nomes
como O Rappa e Nação Zumbi. No sábado, dia de punk e heavy metal, além do
Terrorgruppe, tem a paulistana Shaman, dissidência do Angra, e shows dos capixabas Dead
Fish e Mukeka di Rato. No domingo a atração principal é o veterano Ira!. Tocam também
o ex-titã Nando Reis e Los Hermanos.
(© Folha de S. Paulo)