As estrelas da Costa Dourada
Luciano Viana
Especial para O GLOBO
A Costa Dourada Nordestina é um dos trechos
mais badalados do mapa turístico brasileiro. São 253 quilômetros entre Maceió e
Recife, passando por lugares como Maragogi e Porto de Galinhas. Você vai saber a seguir
como passar seis dias nesse verdadeiro paraíso, pegando estradas de terra, visitando
praias quase desconhecidas e descobrindo histórias como a de Porto de Galinhas. Lá, as
imagens de galinhas que ficam espalhadas pela cidade (tem galinha turista, baiana, de
biquini, tradicional etc.) são todas feitas por artesãos locais usando apenas a raiz do
coqueiro.
(© O Globo On
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Primeiro dia: Pajuçara tem dois quilômetros de mar
à espera do turista
A capital alagoana é uma das mais charmosas cidades nordestinas. E por ser
relativamente pequena, é difícil se perder em Maceió, onde os pontos turísticos de
maior destaque são de fácil localização. Pela manhã, o ideal é relaxar na linda
Praia de Pajuçara, a principal orla da cidade. Bateu a fome? Chame o jangadeiro. Não
entendeu? Em Pajuçara, existem piscinas naturais a cerca de dois quilômetros da praia,
mar adentro. E, no meio delas, diversos barcos se transformam em verdadeiros bares, onde
cerveja, sucos e petiscos, como camarão na brasa e peixe frito são feitos na hora. A
sensação de estar com água na cintura, no meio do mar, saboreando um peixinho e vendo a
cidade lá longe é indescritível.
Depois de se refestelar nas piscinas naturais, pegue fôlego e siga a pé
pela orla até a Praia de Jatiúca, a mais badalada de Maceió. Com sua avenida cercada de
hotéis cinco estrelas, ela é daquelas bonitas de se ver, mas difíceis de entrar, por
causa dos corais que cercam a praia desde sua parte rasa. Retornando um pouco em direção
novamente à Pajuçara, a pedida é esperar o sol se pôr nas agradáveis barraquinhas da
Praia de Ponta Verde, onde você pode passear de catamarã por Jatiúca ou se arriscar num
dos caiaques alugados no local.
À noite é hora de curtir a badalação da cidade. Maceió recuperou uma
parte de seu centro antigo para fazer um espaço quase inteiramente dedicado aos turistas,
com forró ao ar livre, bares um ao lado do outro e uma espécie de Hard Rock Forró,
o Virgulino. No enorme bar e restaurante, os atendentes se vestem de policiais do
cangaço, enquanto um personagem caracterizado de Lampião recebe e tira fotos com os
turistas. É para se esbaldar sem remorsos de comer carne-de-sol e macaxeira.
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Segundo dia: No caminho de Maceió para Carro
Quebrado, paradas em Riacho Doce e no Mirante da Sereia
É hora de acordar cedo e começar nossa viagem de carro. Pegar a AL-10 é
fácil: basta seguir a orla, passando pelas praias de Pajuçara e Jatiúca. O caminho é
bem sinalizado.
Depois de alguns quilômetros rumo ao norte, passamos por Garça Torta, onde
o alagoano Djavan mantém uma casa, e chegamos a Riacho Doce, a nossa primeira parada.
Famoso por ter inspirado José Lins do Rego a criar uma das maiores obras da literatura
brasileira (Riacho Doce), o vilarejo ainda tem algumas construções fiéis à
época do romance. Mas não espere encontrar as paisagens nem as habitações da série
homônima apresentada pela Rede Globo (aquela mesmo, do Nô e seu corpo fechado e da
galega Vera Fischer), pois ela foi filmada inteiramente em Fernando de
Noronha. Continuando o caminho, logo chegamos ao Mirante da Sereia, na Praia de Pratagi, e
seu visual belíssimo com coqueiros, piscinas naturais, além da estátua de uma sereia
olhando para o mar.
Sem perda de tempo, vamos para a Ilha da Croa (que, apesar do nome, é uma
península), a caminho da Praia de Carro Quebrado. O Croa vem de uma
corruptela da palavra coroa. Já a praia chama-se Carro Quebrado porque
pasmem! uma vez uma Brasília velha enguiçou no local...
Para chegar lá, basta seguir as placas para Barra de Santo Antônio,
atravessar com o carro por uma balsa e seguir em direção a Carro Quebrado. Depois de uns
dez minutos por uma estrada de terra, chegamos à linda praia. Vazia nos dias de semana,
ela tem apenas três barraquinhas de comidas típicas e bebidas, e é emoldurada por
falésias e coqueiros. O lugar pede para você passar a tarde relaxando por lá, nas suas
águas verdes limpíssimas. Se o espírito de Indiana Jones baixar em você, ande até a
vizinha Praia do Cebola, ainda mais vazia e impossível de se chegar de carro.
De tardinha, é hora de seguir viagem para dormir na agradável São Miguel
dos Milagres, uma típica cidadezinha do interior, com seu aparelho de TV comunitário na
praça (onde dezenas de pessoas se reúnem todas as noites para assistir às novelas) e
simpáticos habitantes, sempre solícitos para contar seus causos aos
visitantes.
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Terceiro dia: o sossego das vilas de pescadores no
trajeto de São Miguel dos Milagres à Maragogi
Depois de um belo café da manhã, partimos em direção a Maragogi, chamada
em Alagoas de a capital da Costa Dourada. O percurso até lá é um dos
trechos mais bonitos da viagem, passando por Boqueirão e Japaratinga, num trajeto de
cerca de uma hora, repleto de belíssimas praias praticamente desertas e cercadas por
plantações de coqueiros (onde, na maré baixa, dá para avançar centenas de metros com
a água pelo joelho).
Apesar do caminho entre São Miguel dos Milagres e Maragogi ser feito em
cerca de uma hora, vale a pena reservar pelo menos a metade do dia para passear pelas
pequenas vilas de pescadores que cercam a estrada. Aproveite para almoçar numa das vilas
por ali mesmo, onde qualquer morador sabe indicar um restaurante bom e barato que sirva
uma suculenta peixada, especialidade local.
De barriga cheia, é hora de rumar para Maragogi. Apesar de toda a
badalação em torno de seu nome, a pequena cidade alagoana ainda não dispõe de muita
infra-estrutura para turistas. Melhor assim, pois o clima de tranqüilidade de vila de
interior cativa todos que passeiam pela cidade. Com uma pequena orla, que pode ser
percorrida a pé em menos de uma hora, a Praia de Maragogi, com sua água cristalina e
suas piscinas naturais (chamadas pelos locais de galés), é um convite irresistível ao
descanso pelo resto do dia.
Aproveite para dormir em Maragogi mesmo e passear pela cidadezinha à noite,
onde a hora de maior badalação é lá pelas 21h, quando os alunos da escola municipal
saem da aula e se encontram com os amigos para bater papo na pracinha da cidade.
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Quarto dia: pausa para apreciar um futuro pólo
turístico da região: Guadalupe
Acordar bem cedo é fundamental para aproveitar bastante o dia ao chegar na
Praia de Maragogi, onde rapidamente algum morador irá oferecer ao visitante passeios de
barco até as piscinas naturais, a principal atração turística da cidade.
Mais uma vez não há como não ficar impressionado: depois de quase meia
hora de passeio de barco rumo a alto-mar, o turista chega a verdadeiras piscinas, onde a
água cristalina bate apenas na cintura.
Vale a pena comprar antes uma máscara de mergulho para apreciar melhor a
beleza dos corais e das várias espécies de peixes. Os tripulantes dos barcos de passeio
costumam vender saquinhos de comida para eles basta jogar um pouquinho no mar para
o visitante ficar imediatamente cercado por cardumes de peixinhos coloridos, num
espetáculo inesquecível.
De volta a Maragogi, é hora de pegar as malas e dar adeus a Alagoas. No
caminho para Pernambuco, aproveite para deixar bem aberta a janela do carro e sentir o
cheiro da cana que sai forte das usinas de açúcar da região.
Aliás, uma das curiosidades dessa viagem são as estradas periféricas
perfeitas que aparecem do nada ligando a estrada principal às plantações de cana e
usinas de açúcar, usadas predominantemente pelos caminhões carregados de cana.
Juntamente com os coqueiros e o mar, eles serão seus companheiros constantes durante
praticamente toda a viagem.
A caminho de Pernambuco, aproveite para apreciar a paisagem das praias quase
desertas das cidadezinhas e povoados entre Maragogi e a fronteira do estado. Uma das mais
bonitas é a Praia do Cachorro Peludo, onde o mar azul e os barquinhos de pescadores
formam uma visão fantástica.
Ultrapassando a fronteira entre os estados, o turista começa a encontrar
placas do Centro Turístico Guadalupe. A região em torno da cidadezinha de mesmo nome tem
praias lindas e quase selvagens e está sendo preparada pelo governo pernambucano para ser
um dos principais pontos turísticos do Nordeste daqui a alguns anos. Não deixe de
visitar a cidade e conhecer o píer que liga a estrada onde é comum encontrar bois
e vacas vagando sem rumo à Praia de Carneiros.
No píer, é possível, na alta temporada, estacionar o carro e pegar um
barco para Carneiros. Esse é o melhor caminho para conhecer a praia, já que, de
automóvel, a estrada é mal sinalizada (a partir de Tamandaré não existem mais placas)
e está em péssimas condições.
O ideal é aproveitar o dia para conhecer a região e, quando o sol estiver
mais baixo, continuar a viagem até Porto de Galinhas, a cerca de 40 minutos. Chegando
lá, não caia na tentação de se hospedar numa das dezenas de pousadas e hotéis da
estrada que liga a Maceió-Recife à entrada da cidade. Vale a pena se hospedar dentro da
cidadezinha, uma espécie de Búzios, menor e bem mais charmosa. Apesar do tamanho, bons
restaurantes e lugares para badalação é o que não faltam. Portanto, aproveite a noite.
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Quinto dia: Passeios de buggy em Porto de Galinhas
Ao acordar, caminhe até o pequeno centro da cidade, em frente ao píer, e
combine um passeio com um dos bugreiros. O mais recomendado é o que corta toda a
extensão da praia e leva duas horas.
O que se convencionou chamar de Porto de Galinhas na verdade é um conjunto
de cinco praias, de Muro Alto ao Pontal de Maracaípe. Saindo de Porto de Galinhas, o
visitante passa pelo mangue, que também se pode visitar em companhia de grupos
turísticos locais especializados.
Ao contrário do mangue de Recife, o de Porto é limpo e ainda mantém seu
ecossistema bem conservado. A primeira parada é na Praia de Muro Alto, onde estão
localizados os resorts mais badalados da cidade. Depois de o buggy fazer um caminho por
dentro das plantações de coco (pois é proibido o trajeto de veículos na faixa de
areia), logo se chega à Praia do Cupe.
A próxima parada é Merepe, a praia onde está localizada a maioria dos
hotéis e pousadas da região. Para quem gosta de badalação, esse é o lugar certo. De
volta a Porto de Galinhas, visite as piscinas naturais, que na maré baixa podem ser
atingidas a pé. Rumo à outra ponta da região, chegamos a Maracaípe, o pedaço mais
bonito de toda a viagem. Local de surfistas, o mar bravo espanta a maioria dos turistas,
que acabam não descobrindo o melhor ponto de Porto de Galinhas: o Pontal do Maracaípe,
onde o mar encontra o mangue. É sentar e curtir, saboreando um belo queijo coalho e
petiscos diversos de peixe e frutos do mar.
Cansado de fazer nada? Na entrada do mangue, há jangadas para levar os
turistas a um passeio de meia hora, com direito a mergulho no mangue junto com o
jangadeiro que caça cavalos-marinhos na sua frente, para espanto de todos.
(© O Globo On
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Sexto dia: badalação na orla de Recife
Saindo de Porto de Galinhas, a viagem para a capital pernambucana é
relativamente rápida (40 minutos de carro, aproximadamente). No caminho, passamos pelo
movimentado Porto do Suape, pelo Cabo de Santo Agostinho e por praias badaladas como a de
Calhetas, além do tradicional ponto histórico de Jaboatão dos Guararapes.
Diferentemente de Maceió, Recife é uma cidade que corre acelerada. Não
podemos deixar de passar algum tempo da nossa estada pela orla da Praia de Boa Viagem, com
seus prédios modernos e hotéis luxuosos. Com uma grande extensão de areia entre o mar e
o calçadão, a praia é, para os cariocas, uma mistura de Aterro do Flamengo com
Copacabana ao lado dos turistas com suas máquinas fotográficas passeando pelo
calçadão, Boa Viagem também recebe esportistas de toda a cidade, com diversas quadras
de futebol, basquete e tênis espalhadas por sua extensão.
Depois de um bom almoço (a capital de Pernambuco está recheada de bons
restaurantes típicos), é hora de seguir para o Recife Antigo, para curtir o entardecer
na badalada Rua da Moeda. Nesse horário, a rua vira uma espécie de happy hour ao ar
livre, quando dezenas de executivos, estudantes e turistas lotam as mesas dos bares da
região.
Se ainda sobrar algum tempo, a dica é atravessar a ponte e fazer um passeio
turístico em Olinda com um dos guias locais da prefeitura da cidade. Mas isso já é uma
outra viagem...
(© O Globo On
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