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Todas as nações num só batuque

28/02/2003

Maracatu Rural

 
 

Naná Vasconcelos comanda 280 batuqueiros de maracatu na abertura do Carnaval do Recife, que serão acopanhados pela Orquestra Sinfônica

JOSÉ TELES

   Naná Vasconcelos repete, pela segunda vez, hoje, na abertura oficial do Carnaval, no Marco Zero, o inusitado encontro de músicos de nações diferentes de maracatu, desta feita com uma novidade: o acompanhamento da Orquestra Sinfônica do Recife. A festa prossegue depois com show do cantor Lenine, que volta a participar da folia pernambucana após quatro anos.

   O encontro dos maracatus foi uma das maiores ousadias musicais cometidas pelo percussionista em toda sua carreira: “Eles nunca haviam tocado juntos. Aliás, são como tribos rivais, uma herança forte dos antepassados africanos”, comenta, orgulhoso, o maestro que idealizou este concerto original e transgressor.

   No ano passado, houve a participação de 220 batuqueiros, de 11 nações de maracatu, 20 para cada uma delas. O número aumentou para 280: “Este ano, houve um interesse grande deles em tomar parte. Assim não continuou mais o mesmo número de músicos para cada maracatu. Tem 20 de um, 30 de outro”, esclarece Naná, que precisou de bastante diplomacia, a fim de evitar queixas dos mestres de maracatu, entre os quais estão alguns grupos relativamente novos, como o Porto Rico, e os venerandos Leão Coroado e o Elefante, ambos existentes desde o século 19.

   Naná Vasconcelos abre o espetáculo com uma loa de domínio público: “Não pertence ao repertório particular de nenhuma nação”, esclarece. A seguir, serão entoadas loas de cada uma das nações presentes à festa, uma sintética apresentação particular, antes da participação de todos os batuqueiros ao mesmo tempo: “É interessante a gente sentir que a tradição continua muito firme, e ao mesmo tempo existe uma renovação. O Nação Porto Rico, por exemplo, utiliza o timbal, aquele instrumento da Timbalada, que até então nunca havia sido usado em maracatus”, ressalta o percussionista.

   Ele lembra que o que antes era restrito a descendentes de africanos, hoje tem muita participação de brancos, universitários. Isso é atribuído ao Maracatu Nação Pernambuco, e, principalmente, a uma influência do grupo mangue Chico Science e Nação Zumbi, que ao incrementar com alfaias sua música pop, atraiu uma grande quantidade de jovens para as oficinas onde se ensina o maracatu de baque virado. As próprias oficinas proliferaram a partir deste fenômeno.

   O maracatu de Naná Vasconcelos concentra-se, no final da tarde, na rua da Moeda, de lá sai em desfile até o Marco Zero, posicionando-se diante do palco onde estará a Orquestra Sinfônica do Recife. Em seguida às loas, a orquestra e o poderoso batuque deste maracatu heterogêneo darão continuidade à parte, por assim dizer, ocidentalizada do show. Depois do tradicional Evoé, interpretam uma versão do Hino Nacional. A seguir tocam O Trenzinho do caipira, de Heitor Villa-Lobos (do repertório do ano passado) e encerram com A praieira, a ciranda cibernética de Da Lama ao Caos, primeiro CD do Chico Science & Nação Zumbi. O espetáculo terá duração aproximada de uma hora.

(© Jornal do Commercio-PE)


Lenine mata a saudade da folia

Depois de quatro anos ausente do Carnaval, o cantor e compositor volta com três apresentações na agenda

JOSÉ TELES

   No ano passado, Lenine pretendia introduzir uma inovação no Carnaval do Recife. Com o nome de Falange Canibal (o mesmo do seu mais recente CD), pretendia montar um pólo internacional, com os músicos africanos Regis Gisavo e Richard Bona e o grupo francês Fabulous Troubadours. “Tinha tudo a ver com a cidade, mas a Prefeitura não topou bancar. Pior é que acabou havendo um mal-entendido. O custo total do projeto, que seria de R$ 95 mil, Foi divulgado, não sei por quem, como sendo o valor que eu havia cobrado para cantar no Carnaval. Claro que não era, meu cachê é compatível com a realidade do Recife”, relembra.

   O coordenador de música da PCR, Zé da Flauta, confirma Lenine: “O projeto do show que ele queria fazer com os estrangeiros era muito interessante, mas caro para o que podíamos pagar na época”. Esclarecido, pois, o equívoco.

   Lenine volta a cantar no Carnaval recifense depois de quatro anos ausente. Apresenta-se, hoje, no Marco Zero, na abertura da festa, faz show em Casa Amarela e participa do Rec-Beat no último dia da folia. “Montei dois roteiros, sem frevos clássicos. No primeiro, o repertório é formado por canções de todos os meus discos, músicas que têm uma identificação com o público. O segundo, é o do Rec-Beat, e aí será basicamente o disco Falange Canibal”, diz o cantor.

   Incentivador e praticante da “brodagem” musical, Lenine aproveitou a vinda ao Recife para participar do disco que Lula Queiroga está gravando. Os amigos, por sua vez, retribuem à altura. Nos shows deste Carnaval, ele diz que espera muitos convidados no palco: “Ainda não fiz convites pessoais, mas os amigos que estiverem presentes correm o risco de ser convidados para dar uma canja”, adverte.

TIRAÇÃO DE ONDA

   Há mais de duas décadas morando no Rio, Lenine diz que todo ano procura armar algum subterfúgio para estar no Carnaval do Recife. Lá, ele ajudou a fundar um dos blocos que renovaram o Carnaval carioca, o Suvaco de Cobra (com u mesmo), e participa do Monobloco, de Pedro Luís e a Parede: “Bloco de Carnaval tem que ser feito o Quanta Ladeira - que ele fundou com Lula Queiroga e vários amigos - uma tiração de onda. Quando se torna uma multidão perde a graça”.

   Entusiasta da cena mangue desde o início, Lenine exulta com os últimos lançamentos que tem escutado e vai enumerando: “Tem a Eddie, com um discaço, Silvério, DJ Dolores, grande, Cordel do Fogo Encantado, que dá a resposta do Sertão ao Brasil, Nação Zumbi, fantástico. É muita coisa boa, mas será que há uma política mensurando esta cultura? Todo este potencial que temos em Pernambuco?”, deixa a questão no ar.

   O tempo dividido entre a família e o mundo. Esta é a vida que Lenine vem levando desde que se tornou presença constante em festivais europeus e japoneses. “Hoje tenho um público certo na França, que está quase sendo meu segundo país. Meus discos vendem bem no Japão. Recentemente em Cuba aconteceu uma coisa incrível, num festival chamado Interactivo. Fiz show para 3.500 pessoas, que cantavam minhas músicas em coro. Depois autografei mais de cem discos. Tudo pirata. É o que chamo de pirataria do bem. Como lá eles não têm acesso fácil ao CD, a pirataria me fez ficar conhecido dos cubanos”.

   Disco novo, Lenine confessa que não pensa no assunto por enquanto. “Ainda tem Estado no Brasil onde não fiz show de Falange Canibal. Mas tenho composto bastante, e isto, para falar a verdade, já é o começo de um novo disco”.

(© Jornal do Commercio-PE)

Carnaval pernambucano é resgatado em documentário

 

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   Que o Carnaval de Pernambuco é ímpar, todo mundo sabe, no entanto os detalhes das histórias que compõem esse período efervescendo podem ser esquecidos. Para manter acessa a chama da alegria, uma percussionista alemã e um produtor pernambucano se uniram para rodar o documentário intitulado “Carnavais – No Passo do Tempo”, que será lançado nesta quinta-feira (27) no Bar e Cachaçaria La Prensa às 20h.

   A idéia da dupla surgiu diante do interesse da percussionista em levar para seu país informações sobre a folia de momo , daí o produtor Anselmo Alves e o diretor Carlos Carvalho, tiveram a iniciativa de pesquisar e reunir em um documentário toda a riqueza cultural do carnaval pernambucano. A pesquisa de apuração contou com a colaboração do acervo do Museu da Cidade do Recife, da Fundação Joaquim Nabuco, e digitalizou todo o material documental e jornalístico da TV Jornal.

   O filme é um média de 45 minutos e contém imagens inéditas filmadas por grandes cineastas pernambucanos, inclusive Firmo Neto. A realização é da Realiza Comunicação; Direção e roteiro de Carlos Carvalho; Edição de Gílson Martins e Altair Paixão; Pós- produção de Gílson Martins e Carlos Henrique; o apoio técnico de Roberto Varela.

(© Diário de Pernambuco)


Naná e OSR juntos vão agitar Marco Zero

Abertura oficial do Carnaval do Recife, às 20h, terá ainda 220 batuqueiros de 11 grupos de maracatu

   A abertura oficial do Carnaval do Recife promete ser a cara do pernambucano. Considerado um dos melhores percussionistas do Mundo, Naná Vasconcelos vai mostrar aos foliões o que vem ensaiando há duas semanas no Pátio do Terço. Este ano, Naná fará um show inusitado. Além de se apresentar com 220 batuqueiros de 11 maracatus - da mesma forma como fez no Carnaval de 2002 - o percussionista vai se unir a 70 músicos da Orquestra Sinfônica do Recife para cantar a música Praieira, de Chico Science, seguida de Trenzinho Caipira, de Villa Lobos, e do Hino Nacional.

  Antes de subir ao palco do Marco Zero, onde a orquestra estará esperando, às 20h, Naná faz evoluções junto com os batuqueiros na rua da Moeda, no Recife Antigo. Lá a concentração está prevista para acontecer às 18h30. Da Moeda, o grande grupo segue caminhando (e se apresentando ao mesmo tempo) para o Marco Zero.

  No ano passado, Naná Vasconcelos fez uma fusão de música eletrônica com percussão interpretando Villa Lobos. Este ano, a Orquestra Sinfônica doRecife se agrega para interpretar o clássico, manguebit e o Hino Nacional. Antes do show de Naná, acontecerão no mesmo palco, às 19h, apresentações de Claudionor Germano, passistas e Orquestra Popular do Recife com o maestro Ademir Araújo. O evento deverá ser fechado com um show do pernambucano Lenine.

FISCALIZAÇÃO

   Uma equipe de fiscalização do Conselho Regional de Arquitetura e Agronomia (Crea), Celpe, Corpo de Bombeiros, Dircon e Vigilância Sanitária do Recife notificou ontem a empresa Staff encarregada da montagem dos três palcos do Recife Antigo. A empresa foi orientada a isolar toda a estrutura montada na Praça do Arsenal da Marinha ou recuar o palco um ou dois metros. Segundo a fiscalização, a estrutura está muito próxima da fiação elétrica da rua. Também foram detectados no palco trabalhadores sem o equipamento de segurança e madeirites soltas no piso.

  Na rua da Moeda, faltou aterramento no palco e a estrutura estava muito próxima da rede de baixa tensão. No mesmo local foi solicitado o isolamentodo quadro de disjuntores. No palco do Marco Zero recomendou-se apenas a colocação de sinalização de saída e de extintores no palco, mesa de som e camarim. A assessoria de imprensa da Prefeitura informou que essas fiscalizações são rotineiras e positivas porque corrigem possíveis erros a tempo. Segundo a assessoria, até o final da manhã de hoje a situação estará resolvida.

(© Diário de Pernambuco)


Galo quer arrastar 2 milhões de súditos

Galo da Madrugada, em 27.02.2003  Foto: Alexandre Gondim

Estado e município montam megaoperação para dar apoio ao desfile, que este ano terá 30 trios elétricos

   Quando os clarins e uma bateria de fogos composta por 50 girândolas ecoarem amanhã pelas estreitas ruas do centenário bairro de São José, um novo recorde poderá ser quebrado no desfile do Galo da Madrugada. Os organizadores estimam que 2 milhões de seguidores vão se comprimir em 2,5 quilômetros de trajeto pela vigésima sexta vez. Exagero? É possível, mas quando se trata do Galo quase tudo é permitido. A maior agremiação do Mundo, que já faz parte do Guiness, percorrerá as ruas do centro do Recife, embalada pelo som de 30 trios elétricos, sete carros de apoio, três carros alegóricos e três cityramas. Além de gente, muita gente de todas as cores e tribos. Ao lado da explosão de alegria que o Galo provoca, uma megaoperação estará sendo desencadeada para garantir a segurança e o bem-estar dos foliões. Mais de 1,8 mil policiais estarão espalhados pelo trajeto, 192 profissionais de saúde, bombeiros e 40 banheiros também darão suporte à folia.

  O tema do Galo para 2003 é o circo, e as três alegorias que o bloco leverá às ruas serão alusivas à vida no picadeiro. Para animar os foliões, todos os 30 trios elétricos partem com a velha regra: nada de baianismos ou afins. O atendimento médico será reforçado neste ano. A Prefeitura do Recife disponibilizará os 192 profissionais, entre médicos, paramédicos e enfermeiros, distribuídos pelo percurso do Galo da Madrugada. Treze ambulâncias do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) - seis básicas e sete com UTI - poderão ser acionadas pelo telefone 192. Também haverá um microônibus de plantão na Praça Sérgio Loreto. Foram montados quatro postos médicos para atendimento durante o desfile, nos seguintes locais: Praça da Independência (Pracinha do Diario), rua do Sol, próximo aos Correios, Armazém 10 e Armazém 13.

  O Hemocentro de Pernambuco, (Hemope) estará nas ruas com a campanha Carnaval é brincadeira, falta de sangue não, para conscientizar a população sobre a importância das doações. O Hemocentro (rua Joaquim Nabuco, 171, no bairro das Graças) funcionará normalmente das 07h15 às 18h30 durante todos os dias de Carnaval, exceto domingo. Para agendar as doações, basta ligar para o telefone 0800-811535.

  A Operação Carnaval, da Polícia Militar, contará com 1.852 homens durante o desfile do Galo. Haverá 14 postos de tele-atendimento para atender notificações e pedidos de socorro. O Batalhão de Choque vai atuar pela primeira vez no principal foco de animação do desfile: a avenida Guararapes. O policiamento ostensivo contará com um reforço de 700 homens. O Corpo de Bombeiros manterá pontos de atendimento na Praça Joaquim Nabuco, na Pracinha do Diario e na rua do Sol. No Rio Capibaribe, equipes de salva-vidas trabalharão com lanchas, jet-ski e botes.

  O desfile do Galo da Madrugada vai alterar o itinerário de 171 linhas de ônibus, num mudança que começa às 4h da madrugada de amanhã até a meia-noite. Depois do desfile, os itinerários ganham um novo esquema, ainda a ser definido pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU). A mudança para o Galo atinge cerca de 900mil usuários. A Prefeitura do Recife orienta os foliões para que evitem ir ao Galo de carro, e caso o façam, que utilizem os estacionamentos da própria Prefeitura, na área que fica próxima à ponte Joaquim Cardozo, nos Coelhos, e em todas as vias nas quais é regularmente permitido estacionar, no trecho que vai até a rua Gervásio Pires.

  Além disso, dez pontos de táxi foram instalados, em trechos como o Cais de Santa Rita (em frente à EMTU, nos dois sentidos), avenida Sul (Armazém 15, e antes da Ponte Giratória) rua Martins de Barros, entre outros. A Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) avisa que os pontos de táxi serão redimensionados após o desfile do Galo da Madrugada. Os pontos localizados no Bairro do Recife não serão alterados. A PCR instalou 40 banheiros químicos na avenida Guararapes, ponto onde acontece a apoteose do desfile.

(© Diário de Pernambuco)


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