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 Maracatus rurais marcam festa nas ruas do Recife

04/03/2003

Mestre Salustiano

Encontro reuniu 87 grupos com muitas cores, músicas e danças típicas
 

ÂNGELA LACERDA

  RECIFE - Eram 8 horas desta segunda-feira quando o Piaba de Ouro colocou seus 250 integrantes ricamente fantasiados na rua, dando início à 12.ª edição do encontro de maracatus rurais que neste ano reuniu 87 grupos de 23 municípios da região metropolitana e da zona da mata. A previsão do coordenador do encontro, Manoel Salustiano Soares, era que o desfile (uma manifestação de origem negra que floresceu na área canavieira) terminasse só à meia-noite.

   Os maracatus se concentraram na oficina de rabecas do mestre Salustiano, na Cidade Tabajara, município de Olinda, e dali ganharam as ladeiras de Olinda, as ruas do Recife antigo ou partiram para o interior.

   Com seus chocalhos, roupas bordadas com lantejoulas, chapéus com fitas coloridas e brilhantes de ráfia, lança de madeira amarrada com fitas e flor na boca, os caboclos de lança dominam o visual dos maracatus.

   Os reiamar - caboclos de pena - que têm cocar de penas de pavão, representando a parte indígena da festa, disputam em beleza com os caboclos de lança. O carnaval ainda tem figuras como o rei e a rainha, a dama do paço, a corte, o Mateus e a Catirina. Cada um com sua função e simbolismo, todos dançando e cantando ao som do bombo, tarol, poica, gongué, mineiro e instrumentos de sopro.

   O maracatu rural - ou de baque solto - nasceu em 1854, 46 anos depois do surgimento do maracatu nação - ou de baque virado. Os maracatus nação, que tocam música mais dançante e normalmente arrastam uma multidão por onde passam, também são donos de grande espaço no carnaval e fizeram a festa dos foliões na cidade alta de Olinda e no centro do Recife, que foi tomado a partir do fim da tarde pelos blocos de pau-e-corda, líricos, que revivem os carnavais do passado acompanhados por orquestras de pau-e-corda.

   Além das manifestações tradicionais, o carnaval também teve a presença de Lenine, Alceu Valença, Silvério e Antúlio Madureira nos vários palcos distribuídos pela cidade.

(© O Estado de S. Paulo)

Tradicional folia dos papangus anima Carnaval de Pernambuco


Papangus, em Bezerros

FÁBIO GUIBU
da Agência Folha, em Bezerros

   Uma festa diferente, feita por foliões mascarados que cobrem seus corpos e mãos com luvas e lençóis em pleno verão nordestino, foi a principal atração deste domingo no Carnaval de Pernambuco.

   A folia dos papangus, como são chamados os mascarados, acontece há quase cem anos em Bezerros, cidade que, apesar da seca, ganhou a fama de ser a "Veneza do Agreste" em virtude da semelhança entre as festas, baseadas no anonimato de quem participa.

   Em Bezerros, as máscaras só são retiradas à noite, quando a brincadeira é substituída pelos shows gratuitos que animam os foliões até a madrugada.

   O ponto alto da folia é o desfile que antecede o concurso dos mascarados. Animados por orquestras de frevo, cerca de 5.000 papangus, segundo os organizadores, percorrem cerca de três quilômetros de ruas até a apoteose.

   No desfile, blocos como "As bestas do apocalipse", formado por anônimos fantasiados de Saddam Hussein (ditador do Iraque), George W. Bush (presidente dos EUA) e Tony Blair (primeiro-ministro britânico), jogam vôlei com uma réplica do globo terrestre e ironizam as crises políticas com bom humor.

   Outros preferem manter a tradição e utilizam as fantasias que fizeram a fama dos papangus: máscaras ovais, brancas, com perucas cacheadas, panos coloridos cobrindo o corpo, luvas brancas e castanholas nas mãos.

   Segundo o mais antigo artesão da cidade, Amaro Arnaldo do Nascimento, 58, o Lula Vassoureiro, a tradição dos papangus em Bezerros surgiu em 1905.

   Naquela época, disse, os foliões usavam capuzes feitos com pernas de calças cortadas. Os mascarados desfilavam nas ruas e ganhavam ovos, frutas e aves como presentes da população.

   A partir de 1950, as máscaras passaram a ser confeccionadas com papel. E os foliões começaram a ser recebidos nas casas dos amigos com um prato de angu (polenta mole) com carne.

   Sem ser reconhecidos, os mascarados aproveitavam o anonimato para comer o angu várias vezes no mesmo lugar. Esse costume batizou os papangus.

Papangus, em Bezerros   A tradição continua até hoje, mas as máscaras ganharam novas características e passaram a representar uma importante fonte de renda para os moradores.

   A Prefeitura de Bezerros estima que 10% da população _cerca de 6.000 pessoas_ se envolva na fabricação artesanal das máscaras para a venda durante o Carnaval.

   Uma peça de rosto inteiro, confeccionada com papel e cola e pintada com várias cores, era vendida neste domingo na festa por R$ 7.

(© Folha Online)

Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


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