O diretor Cláudio Assis e o organizador
do CinePE 2003, Alfredo Bertini, discordam quanto ao destino do filme. Lançamento no
Parque não dever ser mais em maio
JAILTON MARTINS
Uma briga silenciosa ocorre nos bastidores da sétima arte em
Pernambuco. Dois representantes da cena cinematográfica local, o cineasta Cláudio Assis
e o organizador do CinePE Festival do Audiovisual 2003 (novo nome do Festival de Cinema do
Recife), Alfredo Bertini, andam divergindo sobre a exibição do premiado longa Amarelo
Manga, no evento, que acontece de 24 a 30 de abril no Centro de Convenções, em
Olinda.
A peleja não é corpo a corpo, mas à distância. Do Rio, onde está a
trabalho, Cláudio Assis diz que Bertini dificulta a inscrição do seu filme Amarelo
Manga na mostra competitiva do CinePE 2003 - curiosamente, esta sessão seria a
estréia do longa na sua terra natal. O cara não quer me dar o prêmio,
dispara o cineasta, por telefone. Um filme que ganhou o Festival de Brasília e o
Fórum do Festival Internacional de Berlim este ano já nunca passou aí no Recife,
justifica Assis.
Do lado de cá, Bertini se defende alegando que Amarelo Manga não
precisa sair atrás de conquistas para ser mostrado e adianta qual o destino do
filme no CinePE 2003. Quero mostrá-lo no horário nobre do evento, declara o
organizador, referindo-se à sessão hours concours, que encerra o festival, mas que não
conta para competir pelo Passista, a cobiçada estatueta da premiação.
Por falar em cobiça, fontes ligadas ao CinePE 2003, que pediram reserva,
afirmam que Cláudio Assis entra em todo festival com clima de já ganhou. Isso desde que
ele conquistou o Candango de melhor longa em Brasília no ano passado. Ele força a
barra, diz a tal fonte.
O Invasor e Bicho de Sete Cabeças não ganharam
Brasília e, depois, foram inscritos na competitiva do Recife e saíram vitoriosos? Por
que Amarelo Manga não pode?, digladia-se o diretor, que estreou na direção
de longas justamente com Amarelo Manga. Bertini se defende: Há várias
produções querendo não competir no CinePE 2003 e que até agora não pudemos fechar
suas participações, diz.
Um filme pernambucano competindo num festival pernambucano com títulos de
outros Estados pode fazer o público achar que o resultado vai dar marmelada. Por isso
Bertini, como organizador, previne-se e Assis, como cineasta, deseja disputar o prêmio.
Uma coisa passou batido no calor da discussão. Quem decide se o filme vai
ou não para qualquer lugar é a distribuidora. Amarelo Manga só será exibido no
CinePE se a Rio filmes liberar. É uma estratégia. Nem sempre que um filme é exibido num
festival de prestígio, como o CinePE, o sucesso está garantido.
Nesta segunda-feira, Bertini adianta as novidades do CinePE 2003 numa
entrevista coletiva para a imprensa. Quanto a estréia oficial de Amarelo Manga no
Cinema do Parque, a data só deve sair daqui a duas semanas quando o produtor executivo do
filme Marcelo Maia se reúne com a cúpula da Rio Filmes para fechar o mês de
lançamento. Ele antecipou para o JC que o mais provável é junho e não maio,
como divulgaram fontes da Prefeitura do Recife.
(© Jornal do Commercio-PE)