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05-06-2008
RODRIGO RAINHO SILVA No universo da música, um velho ditado ensina aos novatos: "Quem não sabe acompanhar não sabe solar". Uma máxima que o alagoano Hermeto Paschoal, 67, compreendeu e dissemina a seus discípulos até hoje. O documentário inédito "Quebrando Tudo", o primeiro da TV Cultura em 2004, entrevista compositores da MPB, leva à tela o próprio Paschoal, que fala sobre as raízes de sua formação social e musical, e faz uma análise da sua influência na nova geração. Muitos deles aparecem no filme dando depoimentos. Imagens de ferrovias e rodovias a rasgar cidades e campos surgem acompanhadas pela música frenética de Hermeto -uma simbologia "do bom bandeirante (o músico) e do bom caminho percorrido" de um alagoano que desbravou fronteiras e chegou ao rico cenário cultural do Rio nos anos 60. Entre os diversos personagens que falam de Paschoal, está o retórico Guinga: "Essa expressão "quebra tudo", tão dita pelos músicos hoje, faz parte do dicionário da música popular brasileira. Hermeto iniciou a estética do "quebra tudo", que na verdade é o contrário: é constrói tudo", diz. Há minas de ouro nesse documentário, criação da produtora independente Toscographics, do Rio. O material de arquivo resgata o Festival de Montreux (Suíça), de 79, turnês pela Europa, em 85, o especial "Porcos e Flautas", de 72, da Band, e até um show no parque Ibirapuera, exibido pela Cultura em 75. Cenas dos filmes "Hermeto Campeão", de Thomaz Farkas, e "Pig Scramble", de Tim Geaney, entre outros, também ilustram "Quebra Tudo", que permite captar, além do som, seus discursos poéticos e imprevisíveis. Elis Regina (1945-82) endossa o
talento do alagoano, com seu carisma inesquecível e seus gestos de carinho.
É o que aparece na cena de arquivo mais comovente do documentário. Ela canta
a clássica "Asa Branca", sorrindo como uma criança. Para Hermeto.
(© Folha de S. Paulo)
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