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05-06-2008
Reagrupamento de ensaios escritos em língua inglesa mostra luso-tropicalismo do autor GILBERTO FELISBERTO VASCONCELLOS Ensaios escritos em inglês são reagrupados pela primeira vez sob o bonito título "Palavras Repatriadas", com prefácio do ilustre gilbertólogo pernambucano Edson Nery da Fonseca, que no Recife, nos anos 80, muito me ajudou quando eu escrevia "O Xará de Apipucos" sobre Gilberto Freyre, com quem tive uma rápida e inesquecível convivência. O leitor não encontrará novidade alguma em "Palavras Repatriadas", mas isso em nada depõe contra o livro, pois em Gilberto Freyre o que conta é a sua volúpia de escrever bem, sentindo enorme prazer em fazê-lo, repetindo (embora vazando em outra forma) o que já havia formulado antes. O seu amigo Sergio Buarque de Holanda sacou essa faceta de sua obra quando disse que depois de "Casa Grande e Senzala", Freyre sempre escrevia o mesmo livro abridor de caminhos. Esse livro do xará encanta-me porque, destinado a um público anglo-saxônico, dá um banho de luso-tropicalismo com a sua tropicologia, categoria cultural que despertou ironia e irritação em muita gente boa, como o ensaísta Eduardo Lourenço, mas que é um achado genial e antecipador da importância vital dos trópicos neste século 21: o trópico como doador da nova energia vegetal e renovável, substituindo os combustíveis fósseis que fizeram a opulência da Inglaterra e dos EUA: carvão mineral e petróleo. Tropicologia significa não o saber
nos trópicos, mas o saber dos trópicos. Não seria descabido afirmar que o
estilo de Freyre está mais próximo da horizontalidade das plantas verdes do
que da verticalidade fóssil e carbonífera. Todavia, eis que Freyre agora reivindica uma civilização no Brasil que "não seja nem a cópia do modelo dos EUA, nem do padrão britânico". No século 20, em que os
intelectuais brasileiros deram as costas para Portugal (a exceção em São
Paulo é Oswald de Andrade), Gilberto Freyre se sobressai por colocar em foco
a pátria de Camões como mediação necessária ao entendimento dos
imperialismos anglo-saxônicos. Com o detalhe de que o Brasil para o xará é
uma "China tropical". (© Folha de S. Paulo)
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