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05-06-2008
Festival Janeiro de Grandes Espetáculos promove 70 apresentações de teatro e dança desta quinta ao dia 3 de fevereiro em cinco palcos JANAÍNA LIMA
Este ano, são quatro as atrações estrangeiras em teatro: Muito Barulho Por Nada (MT) e A-ma-las (SP), Caboré: a Ópera da Moça Feia (AL) e Joguetes (BA). Na área de dança, os principais destaques de fora são O Pasto Iluminado – coreografia de Maria Paula Costa Rêgo produzida na Bahia (ver matéria na página 6) – e o Ballet de Londrina, que mostra a montagem Fome e coreografias independentes. Mais quatro grupos de outros Estados apresentam coreografias independentes na mostra. PRODUÇÃO LOCAL – O ano de 2003 foi um dos mais difíceis as artes cênicas em Pernambuco, prova disso é que a maioria das peças só entraram em cartaz no final do segundo semestre. Por isso, no balanço do Janeiro de Espetáculos, estão montagens que saíram de cartaz recentemente, a exemplo de A Bicicleta do Condenado, A Caravana da Ilusão e Um Piano à Luz da Lua (que estreou mês passado). Para essas, participar do evento é quase como esticar a temporada. No quesito ‘vale a pena ver de novo’ (peças que estão em cartaz há anos na cidade), a mostra traz a divertida Auto da Compadecida, da Dramart Produções. Ariano Suassuna brilha em dose dupla no evento, portanto. Com essa, que já virou um clássico da cena local e com a novíssima Fernando e Isaura, adaptação de Carlos Carvalho para o romance do autor. (© Jornal do Commercio-PE) Novos diretores e coreógrafos merecem destaque especial O Janeiro de Grandes Espetáculos dá mais uma vez atenção a produções de caráter experimental e à formação dos profissionais de artes cênicas. Pela segunda vez, o evento realiza a Mostra Nova Cena Pernambucana, que cresceu (ganhou mais duas semanas) e foi transferida do Arraial para o Apolo-Hermilo. A mostra paralela estréia neste sábado, com a versão do diretor Rodrigo Dourado para o texto O Mistério das Figuras de Barro, de Osman Lins. A montagem integra o projeto Aprendiz em Cena, que ganha mais uma chance de ser encenado depois de uma temporada no Apolo-Hermilo e do Festival de Teatro. São três versões do mesmo texto do autor. As outras duas são de André Cavendish e Marcus Rodrigues. Além das montagens do Aprendiz, a mostra conta com as peças Noturno, O Ano do Coelho, Versos do Nós, Constança e O Terceiro Dia. A mostra ganhou ainda o acréscimo de espetáculos de dança, sob o título de Novíssimos Coreógrafos. Os estreantes Saulo Uchôa, José W. Jr. e Isabel Ferreira apresentam suas criações. As leituras dramatizadas também voltam a fazer parte do evento, com a série Cordéis Minimalistas, do dramaturgo e colunista do JC OnLine Luiz Felipe Botelho. Serão lidos oito dos dez textos da série, que é inédita no Recife. As tramas são curtas e independentes e abordam temas que vão desde política à descoberta do primeiro amor. Ainda para marcar os 10 anos do festival, os produtores organizaram um palco aberto no Pátio da Feira de Santo Amaro, onde serão realizadas performances de dança, circo e música. (© Jornal do Commercio-PE) Mostra traz O Pasto Iluminado da Bahia Espetáculo de dança inédito no Recife foi criado por Maria Paula Costa Rêgo para o Ateliê de Coreógrafos e une bailarinos do Grial e baianos O festival Janeiro de Grandes Espetáculos vai proporcionar ao recifense uma oportunidade única: a de assistir ao espetáculo O Pasto Iluminado, criação desenvolvida pela coreógrafa Maria Paula Costa Rêgo na Bahia. A produção integrou a seleção do projeto Ateliê de Coreógrafos, realizado em outubro do ano passado. A montagem é a atração dos dias 29 e 30, no Teatro Santa Isabel. Na capital baiana, a peça foi apresentada apenas três vezes. Organizado pela EP Produções, o Ateliê reuniu cinco criadores da Bahia, Rio de Janeiro e Distrito Federal, além de Pernambuco, e tinha como objeto a criação em dança contemporânea. A pernambucana Maria Paula, responsável pelo Grupo Grial (Auto do Estudante que se Vendeu ao Diabo, Romeu e Julieta), percorreu um caminho um tanto diferente dos demais integrantes da mostra. Mantendo-se fiel à estética que vem desenvolvendo desde o início do Grial, ela novamente norteou o seu trabalho a partir das raízes mais profundas da cultura popular pernambucana. Mais uma vez, o escritor Ariano Suassuna, inspirador de praticamente todas as obras da companhia (a única exceção talvez seja Hemisfério Sol, produção mais recente do grupo que foi concebida tendo a tecnologia como mote), funcionou como mentor da coreógrafa. O Pasto Iluminado faz uma clara referência ao livro O Pasto Incendiado do autor. Durante os 45 minutos que duram a encenação, passeiam pelo palco personagens típicos do universo sertanejo: vaqueiros, moças de vestido xadrez, gente simples da roça. Enquanto mostra esse povo em sua vida corriqueira do interior, o espetáculo vai apresentando também os animais que povoam esse universo rural. Nada mais natural já que o próprio nome da peça faz referência direta a pasto, lugar de animais. O nome que completa o título do espetáculo, iluminado, é diretamente ligado ao sentido de vida, de que ali, naquele pasto, as pessoas estão em plena atividade. Na visão de Maria Paula, elas cantam, dançam, trabalham e rezam muito. Num minuto, o palco abriga uma ‘procissão’, no outro, é um típico terreiro de forró, onde acontece um animado São João, com direito até a bandeirinhas. É bom lembrar que, por ter sido produzido para o Ateliê de Coreógrafos, O Pasto Iluminado não utiliza todo o elenco do Grupo Grial. Uma das exigências do projeto era de que a maioria dos intérpretes fossem baianos. Por isso, o time do espetáculo une bailarinos dos dois Estados: Kléber Lourenço, Viviane Madureira e Émerson Dias são os pernambucanos, os demais integrantes são de Salvador. A trilha sonora da montagem, assinada por André Freitas, é um espetáculo à parte. A música começa devagarinho, como se no meio da noite rompesse o som de chocalhos, balançados pelos animais soltos no pasto, para depois, ao longo da coreografia, estourar num animado forró pé-de-serra. O Pasto Iluminado não é só o resultado do trabalho de investigação que o Grial vem desenvolvendo desde que fez o seu primeiro espetáculo, há quase sete anos. É, na verdade, fruto de um mergulho mais recente. Durante todo o ano passado, Maria Paula resolveu radicalizar e botou seu elenco de bailarinos para fazer aulas exclusivamente de maracatu, cavalo-marinho e outros ritmos tipicamente populares. Uma decisão corajosa, que certamente ainda vai render muitas surpresas em futuros trabalhos da companhia de dança contemporânea. (J.L.) (© Jornal do Commercio-PE)
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