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Monólogo sui generis

05-06-2008

Danilo Souto Pinho apresenta o trabalho resultante do projeto ''Solos do Brasil''

O cearense Danilo Souto Pinho entra em cartaz com o solo Sui Generis, no Centro Cultural Banco do Nordeste

Teresa Monteiro
da Redação

   Primeiro palco: Centro Cultural de São Paulo. Logo em seguida, já no estado-natal, vieram o X Festival Nordestino de Teatro, o Festival de Teatro de Fortaleza, a V Mostra SESC Cariri de Teatro e o Centro Cultural Oboé. Agora, mais maduro e cada vez mais aperfeiçoando o processo, o ator cearense Danilo Souto Pinho entra em cartaz, desta vez no Centro Cultural Banco do Nordeste, com o mesmo espetáculo solo resultante do projeto ''Solos do Brasil'', do qual participou como bolsista juntamente com mais 14 atores pinçados das cinco regiões brasileiras. Sui Generis, inserido no programa Ato Compacto, estréia amanhã, prosseguindo em cartaz somente às sextas-feiras de janeiro, em três sessões gratuitas: ao meio-dia, 15h30min e 18h30min.

   Porém, antes de qualquer explanação maior sobre o espetáculo, Danilo faz questão de frisar a participação de outra atriz no projeto. ''As pessoas costumam colocar só a Denise (Stoklos) como coordenadora do 'Solos do Brasil', mas também existe a Egla Monteiro, que é cearense, venceu essa selva de pedra que é São Paulo e produz aqui a Denise. Ela é uma das idealizadoras do projeto e foi quem conseguiu os recursos que o estruturaram'', afirmou. Danilo permaneceu, entre abril de 2002 e março de 2003, com oito professores passando por intenso treinamento, pesquisa e montagem de espetáculo, ''o que ofereceu uma formação diferenciada daquela que nós costumamos conhecer nas escolas'', completa.

   O processo para a elaboração de Sui Generis segue, então, as premissas do chamado Teatro Essencial, de Denise Stoklos. ''Resumindo, eu diria que no Teatro Essencial se elimina tudo aquilo que é supérfluo, sobrando apenas o essencial, ou seja, ele parte da conceituação da cena teatral na qual o ator está livre de qualquer adereço que não seja o corpo. Esse ator também dirige, escreve o texto, coreografa e é, antes de qualquer coisa, autônomo e independente, capaz de dominar e elaborar os elementos. Esse é, sem dúvida, um grande desafio. Senão, o maior deles'', explica. Como em cada apresentação, o processo só tende a ser modificado, sobretudo ampliado, Danilo conta com algumas diferenças básicas para esta temporada.

   ''Eu acho até complicado chamar o Sui Generis de espetáculo porque isso, na verdade, é um processo inacabado, um trabalho experimental que se transforma regularmente. Aqui, ele está com vinte minutos a mais (antes eu tinha somente trinta minutos), está mais arrojado e esta temporada é, sim, mais uma experimentação numa nova perspectiva'', diz o ator, já emendando na atual proposta colocada em cena. ''O espetáculo rompe com a expressão do teatro convencional. Eu rompo com a convenção da identidade e, se rompo, abro espaço para a multiplicidade. O convencional trabalha com a imitação - que é respaldada na teoria aristotélica, na mimesis - e esse, com a expressão''.

   E se nas apresentações anteriores, a temática girava em torno da atual estrutura social e política do Brasil, agora é o mundo e o ser humano que vêm à tona. ''O Brasil era o tema central em São Paulo - aliás, como todos os outros projetos apresentados por lá. Ele não está excluído, mas rompi as fronteiras e talvez passei a selecionar mais as estruturas de poder e os efeitos perversos dessas relações na sociedade como um todo. E aí a gente já entra na questão da relação de poder do artista, tanto que eu começo com a frase 'o poder parasita o artista', que abre uma discussão. Mas não há um patriotismo deliberado. O espetáculo não é discursivo, mas é muito plástico, é praticamente um balé, estilizado e sempre com uma preocupação de não cair no panfletário. Não é um ressentido gritando no palco'', conclui.

SERVIÇO

Sui Generis - Espetáculo solo de Danilo Souto Pinho, dentro do programa Ato Compacto. Coordenação artística: Denise Stoklos. Estréia amanhã, dia 09, no Centro Cultural Banco do Nordeste (rua Floriano Peixoto, 941 - Centro) ao meio-dia, 15h30min e às 18h30min, prosseguindo em cartaz somente às sextas-feiras de janeiro. Entrada franca. Informações: 488 4100.

(© NoOlhar.com.br)

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