05-06-2008
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Nação
Zumbi |
Banda iniciou negociação em torno da
comercialização do disco com versões do Hino de Pernambuco
Júlio Cavani
Da equipe do DIARIO
Os músicos da
banda Nação Zumbi Lúcio Maia, Pupillo e Dengue estão reivindicando por meio
de seus advogados o pagamento dos direitos autorais referentes ao disco que
continha novas versões do Hino de Pernambuco, gravado em 2001 sob encomenda
do Governo do Estado. Quando receberam o convite para participar das
gravações, eles haviam sido informados que o CD só seria distribuído
gratuitamente em escolas públicas e que sua tiragem seria de 10 mil cópias,
segundo informa o advogado Clayton Soares. Por causa disso, eles aceitaram
tocar sem receber cachês. Produzido pelas agências Ampla Propaganda e MCI e
pela Muzak Produções em Áudio, o disco acabou atingindo uma tiragem de 150
mil cópias e chegou a ser comercializado em bancas de revistas, sem que os
artistas recebessem a mais por isso. De acordo com Marcelo Soares, diretor
do Muzak, a negociação já está sendo feita sem transtornos.
No ano passado, as três empresas pagaram os direitos aos cantores
Cannibal, Fábio Trummer, Roger Man, Maciel Salustiano, Karina Buhr e Isaar
França, que também gravaram o Hino para o projeto e depois reivindicaram o
pagamento. Eles preferiram não divulgar o processo na época para evitar que
contornos políticos fossem dados ao caso. Segundo Marcelo Soares, "isso foi
resolvido com esses artistas, mas os músicos da Nação Zumbi não estavam no
Recife quando foram realizadas as reuniões de negociação. Já estamos
negociando para resolver com os músicos da Nação Zumbi da mesma forma". Ele
também lembra que os CDs vendidos nas bancas tiveram sua arrecadação
revertida para instituições sociais.
O advogado disse que os envolvidos não chegaram a assinar um contrato
formal para oficializar a forma de participação, mas que o convite deixava
claras as condições de trabalho. De acordo com Clayton Soares, as músicas do
CD ainda foram usadas no guia eleitoral da campanha de reeleição do
governador Jarbas Vasconcelos e um kit com o disco estaria sendo
comercializado nos comitês do PMDB no período da eleição, tudo isso sem a
autorização dos músicos.
(©
Pernambuco.com)
Baque Solto:
Feliz 2003
Lula Queiroga
lula@lulaqueiroga.com.br
Correndo por
fora, a música feita em Pernambuco alcança maior reconhecimento. muita gente
do Rio, de Salvador, de Minas, Brasília, São Paulo, Curitiba admira o nosso
som num clima de quase tietagem. A música de boa qualidade vem de Pernambuco
2003 pode ter sido um ano esquivo,
refratário, enigmático. Vai entrar para os anais como um tempo de
perplexidade diante de tanta quebra de paradigmas. Mas isso levaria a
discussões macroeconômicas, disparidades financeiras, mega-avanços
tecnológicos em contraponto a desastres sociais, o desajuste do coletivo. O
ser humano, como uma cioba se debatendo em vão, fisgado pelo anzol do
futuro. Deixa pra lá. Vamos fechar o foco e tentar esboçar um breve
mapeamento (sem cronologia objetiva) do que aconteceu de bacana nesse 03 que
foi muito promissor pra cena musical do Estado.
Este ano
passado, por exemplo, consolidou-se um amadurecimento generalizado nas
produções musicais, no acabamento dos discos, nos repertórios, nos shows. As
idéias em rede avançaram pelo estado, várias cidades começam a ter grupos
conhecidos, ligados no mesmo interesse de reinventar uma música com seu
toque próprio, que traduza seu mundo e sua personalidade. Respirando
tradições e novidades, léguas distante do universo tosco e fabril do sucesso
subornado pelos paradões do jabá.
E é exatamente correndo por fora que a música feita em Pernambuco alcança
ainda maior reconhecimento. Na verdade muita gente do Rio, de Salvador, de
Minas, Brasília, São Paulo, Curitiba admira o nosso som num clima de quase
tietagem. Sério. (E os Festivais internacionais?). Tá rolando na cabeça
deles (principalmente dos formadores de opinião) uma confirmação que música
de boa qualidade vem de Pernambuco. Inventiva, vigorosa, antenada com as
voltas do planeta e ao mesmo tempo reverente à sua rica base popular.
Vamo lá: Não paro de ouvir e recomendar esse CD maravilhoso das Comadre
Fulozinha. A música que abre o disco (de Erasto Vasconcelos) é linda, tambor
e voz, Assisti a uns 3 shows delas esse ano. Chegaram a um refinamento
notável. Karina, Isaar e cia. estão com a bola toda.
O Fantástico, domingo passada, alardeou para sua estupenda audiência
nacional que o som que os brasileiros vão ouvir neste novo ano são: Dj
Dolores e banda Eddie. Com direito a curtas entrevistas e imagens de palco.
A turnê internacional de Dolores deixou milhares de gringos de boca aberta e
os últimos shows da Eddie aqui e no Rio elevaram o Olinda Style ao pódio de
banda must da estação. O último do ano na Usina (Casa Forte) foi
inesquecível.
Do celeiro de Olinda, returbinado pela força dos brothers do Instituto
(SP), a Bonsucesso Samba Clube soltou os bichos e o que tem se visto nos
shows pelo Brasil afora é que o som está de cima, afinadaço e o disco é
(consenso geral) ótimo. O samba chegou na ladeira, fazendo circular também o
charme dA RODA, banda instrumental (ou não), estilosa e suingada, com
repertório alto nível. A RODA rolou por todo canto em 03 e agradou em cheio.
Assim como a Mombojó, grata revelação que taí lotando shows e com um disco
superbonito sendo lançado. Felipe S. e banda engendrou um grupo de canções
cheias de modulações interessantes, climas, com letras legais embaladas numa
atmosfera contemporânea.
Siba e Silvério Pessoa solidificaram seus projetos e abriram outros. Estes
dois cabras geniais atravessaram 03 em intensa atividade. Silvério tocou
mais de dois meses na Europa, cobrindo um grande circuito por todo sul da
França, tocando em Festivais de grande expressão e já preparou um novo
mergulho com a Refinaria, projeto eletrodigital em parceria com o Digital
Groove, (Zezão e Felipe Falcão). Siba foi aclamado no Mercado Cultura de
Salvador onde se apresentou com a fantástica Fuloresta do Samba. E ainda
gravou um CD de baque solto com o ilustre Barachinha.
E o Cordel? E a Mundo Livre S.A. com seu engenhosíssimo O Outro Mundo de
Manuela do Rosário? E Ortinho ? E Jr. Barreto? E o Coco Raízes de Arcoverde?
E a Hanagorick de Surubim? E a Nação Zumbi, a maior banda do mundo (que
acabou de registrar um DVD ao vivo em Sampa)? E a Devotos de Canibal que
gravou todo o último disco sem sair do Alto Zé do Pinho e compôs o projeto
gráfico mais chocante do ano? E mais tanta gente que não coube hoje neste
espaço, mas que sexta que vem vamos continuar relembrando o saldo positivo
desse 03que no final das contas terminou sendo de inegável prosperidade para
a cena musical de Pernambuco. Até semana que vem. Feliz 2003.
(©
Pernambuco.com, 09.01.2004)]
Ouça o Hino de Pernambuco
na Versão Mangue
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