05-06-2008
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O Homem da Meia Noite, "pai" do
"Menino do Dia", foi o primeiro boneco-bloco no carnaval de Olinda |
Boneco desfila pelas
ladeiras de Olinda no seu aniversário. Recife tem festa na Bom Jesus
Filho do Homem da Meia Noite e da Mulher do Meio Dia,
o Menino da Tarde celebra, neste domingo, seu aniversário de 30 anos,
completados no último dia 6. A partir das 10h, a festa dá início aos eventos
carnavalescos do dia, que não têm hora para acabar. Depois de subir e descer
as ladeiras de Olinda, quem ainda tiver fôlego tem como opção o ensaio do
Maracatu Estrela Brilhante, no Alto José do Pinho, às 16h. Quando o sol
estiver mais agradável, o folião poderá participar do Grito de Carnaval, a
partir das 17h30, no Bairro do Recife.
O Menino da Tarde é terceiro boneco mais antigo da cidade e foi criado
pelo artista plástico Sílvio Botelho. A idéia surgiu como maneira de selar a
união de seus pais depois que eles se encontraram pela primeira vez, durante
uma campanha política. Apesar de já estar crescido, seu espírito continua
brincalhão e a festa promete ser divertida. Como acontece tradicionalmente
no sábado de Carnaval o desfile do grupo sairá do Amparo e seguirá pela
ladeiras.
Ainda em Olinda, a agremiação Flor da Lira, que iniciou seus ensaios na
sexta-feira, sairá do Mercado da Ribeira às 20h. Guiados pela orquestra do
maestro Duda e ao som de frevo de bloco, os foliões desfilarão pelas
ladeiras da cidade. A festa se repetirá todas as noites, até a terça-feira,
provocando a resistência dos participantes.
A partir do próximo domingo, a Prefeitura de Olinda interdita 16 ruas do
Sítio Histórico para o tráfego de veículos. Com o propósito de permitir o
desfile de blocos e agremiações carnavalescas, a medida será aplicada aos
domingos, das 14h às 22h, durante a época das prévias do Carnaval 2004, até
o dia 13 de fevereiro.
BOM JESUS - No Recife Antigo, as festas de Momo começam hoje com o Grito de
Carnaval. No palco armado entre a rua do Bom Jesus e avenida Rio Branco, a
partir das 17h30, a orquestra tradicional de Olinda com Lilian Reis e
Eduardo Fonseca irá animar os foliões. No repertório estão previstos frevo
de rua, canção, de bloco e outros ritmos. O evento é desenvolvido pela
Secretaria de Turismo eEsportes da Prefeitura do Recife e integra a
programação da Feira de Antiguidades.
Os apreciadores de Maracatu podem se preparar para uma maratona pois os
grupos já deram início aos ensaios em suas sedes. Hoje, às 16, é a vez do
tradicional Estrela Brilhante, no Alto José do Pinho. Esse ano, o
percusionista Nana Vasconcelos e os mestres dos grupos também estarão
presentes e os ensaios gerais serão no Marco Zero, Recife Antigo, nos dias
16 e 17 de fevereiro.
(©
Pernambuco.com)
Coletânea renova tradição dos frevos de blocos
CD do Eu Quero Mais reúne composições de
Bráulio e Fátima de Castro
Mais um registro de frevos de blocos está pronto para
fortalecer a tradição, às vésperas de mais um Carnaval. Dessa vez é o disco
do bloco Eu Quero Mais, É Tempo de Bloco, que traz quinze músicas, entre
frevos de bloco e canção, dos compositores Bráulio e Fátima de Castro. O
disco também faz homenagem aos 100 anos de Edgar Moraes. A coletânea tem
início com o hino do bloco, Eu Quero Mais Olinda e finda com o Regresso do
Bloco Eu Quero Mais. As duas composições foram as primeiras feitas pelo
casal Bráulio e Fátima, que recebeu a encomenda das músicas por Leone
Correa, presidente do BCL Eu Quero Mais. Leone cobrou os frevos à Braúlio e
retiraria da sua coleção outros três ou quatro, mas quando viu as vinte
músicas que ele lhe enviou através de fita K7, são hesitou, faria um disco
apenas com as suas composições, homenageando aqueles que sempre foram os
padrinhos do Eu Quero Mais.
O disco, segundo Leone, faz parte do conjunto de idéias da agremiação de
manter viva a expressão mais lúdica e romântica do CarnavalPernambucano. Na
visão de Bráulio, o disco é mais uma prova de que o frevo de bloco vem se
tornando o gênero musical do Carnaval do Estado que mais se fortalece.
"Bloco não dá dinheiro, mas os grupos estão crescendo, as famílias que os
formam trazem novos integrantes, somente no último final de ano, sei de seis
lançamentos com músicas de blocos", conta Bráulio, que iniciou-se como
compositor no gênero samba.
O Coral Edgard Moraes - formado por filhas, netas e sobrinhas do
compositor - participa do disco com a canção 100 Anos de Edgard. O disco
traz outras participações especiais, além do coro de doze vozes
afinadíssimas do Quero Mais. O produtor e compositor Walmir Chagas é solista
na canção O Bonde, classificado no disco como bloco-pastoril. A compositora
Fátima de Castro, originalmente uma cantora de bossa nova e blues, também
canta seis das 15 faixas do disco. O encarte do CD está cheio de referências
a seus participantes, gente que ninguém conhece mas faz parte da história do
bloco e do Carnaval pernambucano.
Entre eles, o clarinetista Parrô, a banjista Leila Chaves, o cavaquista
Nestor, o violonista Maximino, o bandolinista Adalberto Cavalcanti, o
arranjador Forró, o trompetista Edson Gomes, o trio de flabelistas Lilia,
Tereza e Carminha Soler, entre outras figuras importantes para a realização
dos desfiles do Eu Quero Mais. O Bloco foi fundado no Carnaval de março de
1992, na Ladeira do Varadouro, em Olinda. O desfile oficial acontece no
sábado de Zé Pereira, a partir do Mercado Eufrásio Barbosa. (Michelle de
Assumpção)
Serviço
Lançamento do CD do Bloco Eu Quero Mais
(©
Pernambuco.com)
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Maracatus sem dinheiro no caixa |
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Mestres reclamam dos cachês abaixo da
média no Carnaval e da condição de pobreza associada aos grupos
Michele de Assumpção
Da equipe do DIARIO
No morro mais artisticamente ativo do Recife, o Alto
José do Pinho, estará acontecendo hoje uma cena inédita e histórica.
Considerado um mestre de percussão, mas longe de ser um mestre do
maracatu, Naná Vasconcelos estará na sede do Estrela Brilhante, comandando
um ensaio com seus mais de 80 batuqueiros, sob a permissão do seu
verdadeiro mestre, o Walter. O encontro de Naná com os tocadores vai se
repetir em mais nove sedes de cada um dos grupos que farão parte do já
tradicional espetáculo de abertura do Carnaval recifense, quando mais de
300 tocadores se juntam no mesmo baque. Esse ato ilustra um momento
importante vivido pelos maracatus, de discussões e mudanças. Produto de
exportação, cartão postal do Estado, símbolo de identificação cultural, à
manifestação ainda não é dado o devido valor.
Todo ano é a mesma coisa, dizem os maracatuzeiros. As melhoras vêm a
conta gotas. Eles ainda recebem mal, tiram dinheiro do próprio bolso ou
pedem emprestado para terminar as fantasias, confeccionar os adereços e,
oque é mais caro, comprar peles novas para as alfaias (bombos de
maracatu), que custam caro e têm que ser trocadas todos os anos. Pronto o
maracatu, terminadas as obrigações de Carnaval, não sobra dinheiro para
pagar a todos os integrantes. A despesa de um grupo gira em torno de R$ 10
mil, mas geralmente não tiram mais que R$ 8 mil. Isso para um grupo de
grande porte, que consegue mais apresentações.
É consenso geral que a Prefeitura da Cidade ou o Governo do Estado não
são os únicos responsáveis pela situação. Os maracatus devem, ao longo do
ano, criar meios para tornarem-se auto-sustentáveis. Sozinhos, no entanto,
é difícil conseguir essa estruturação. "Comecei a reunião com os grupos
pedindo o adiantamento da cota de subvenção que é pago pela Prefeitura
através da Federação Carnavalesca, e eles ficaram de fazer diferente esse
ano", conta Naná Vasconcelos, que também preocupou-se, este ano, em
ensaiar com os grupos, evitando que a vaidade e o sentimento de disputa
atrapalhasse o espetáculo, que deve ser de união.
"Ganham mais as produtoras que vão trabalhar com os maracatus do que os
próprios grupos. O pessoal da comunidade acha que a gente está ganhando
dinheiro, mas mostro a eles que não é verdade", diz mestre Afonso Gomes,
do Leão Coroado. Ele conta que não consegue pagar a seus batuqueiros. Com
o dinheiro das apresentações, o máximo que consegue é comprar cestas
básicas ou ajudar com remédios. "Nós vivemos no descaso, ninguém está
ligando", diz ele. Dinheiro é importante, claro, mas os maracatus parecem
ter se acostumado a viver sem ele.
Aos grupos importa mais os conceitos, a tradição. Mestre Afonso reclama
da atual comissão julgadora dos maracatus na Avenida. "Estão premiando
quem não sabe o que é um maracatu", diz ele, que diz ter assumido um
compromisso com o lendário mestre Luiz de França (Elefante) de nunca mudar
o baque do maracatu. "Eu preciso muito de dinheiro, mas preciso mais
manter a tradição do Leão Coroado, foi um pacto que fiz, não posso
modernizar", diz ele. Quem assiste a uma apresentação de macaratu não
entende o complexo que é a sua organização.
Não é só o baque que varia, na verdade, ele é resultado das diferentes
mentalidades dos mestres que o comandam. O Porto Rico, vencedor na Avenida
justamente por "ostentar" tais modernizações, defende que não é bem assim.
"Resgatamos os atabaques, pois os maracatus começaram com eles, ligados ao
candomblé. O xequerê dá mais brilho e é um instrumento religioso", diz
Chacon.
Os maracatus podem se modernizar, não vão por isso deixar suas origens,
acredita Jair Bernardino dos Santos, diretor do Estrela Brilhante. Ele não
vê problema na inovação dos baques e acredita que maracatu vive mesmo das
disputas. "Colocamos agogô, caixa de guerra e alfaias, isso é o
tradicional, mas cada um trabalha do seu jeito", diz ele.
(©
Pernambuco.com)
Marciano diz que sofreu represália
A
liberdade de pensamentos dentro do maracatu é uma prática que comumente
leva a mal entendidos, como o que tirou o Cambinda Estrela, de Chão de
Estrelas, do evento de abertura. O seu mestre, Ivaldo Marciano, criticou a
homogeneização dos grupos, disse isso em entrevista na televisão, causando
um mal estar entre os participantes. Foi excluído pela própria PCR, que o
incluirá apenas na Noite dos Tambores Silenciosos. "Esse evento é uma
dívida com a comunidade afrodescendente, mas isso não significa que vamos
ficar calados e aceitar tudo", diz ele.
Segundo Ivaldo, o Cambinda é feito para divertir, mas também para
discutir questões pertinentes à sua comunidade. O Secretário de Cultura
Roberto Peixe tergiversou e disse que nenhum grupo está fora do Carnaval,
que polêmicas desse tipo são normais. Também reconhece a pobreza dos
maracatus, mas diz que o Estado não pode adotar uma postura paternalista.
Lindivaldo Júnior, diretor do núcleo afro da Prefeitura do Recife, que
teria pedido a retirada do Cambinda do evento, diz que esse ano os
maracatus receberão mais pelas apresentações, cerca de R$ 4,5 mil só pelo
evento de abertura, incluindo R$ 700 pelos ensaios. Mas valor é a terça
parte de um cachê de uma banda de porte médio do Recife.
"O dinheiro é pouco, mas não dá para pensar que os 21 maracatus vão
conseguir grana como se fossem uma banda de porte médio", argumenta
Piedade Marques, assessora do Núcleo Afro. A reflexão desses vários pontos
de vista têm, de alguma forma, tirado os maracatus do ostracismo. Estão
mostrando que são mais que agremiações, mas também comunidades pensantes,
ativas, patrimônio de conhecimento e tradições que precisam ser mantidos.
O maracatu não quer só passar, ele quer também f icar.
(©
Pernambuco.com)
Ensaios
Estrela Brilhante
Onde: Alto José do Pinho
Quando: 11/01, às 16h
Nação Eleante
Onde:Bomba do Hemetério
Quando: dia 20/01, às 16h
Leão Coroado
Onde: Águas Cumpridas
Quando: 21/01, às 19h
Encanto da Alegria
Onde: Bomba do Hemetério
Quando: 22/01, às 16h
Nação Porto Rico
Onde: Pina
Quando: 24/01, às 19h
Sol Nascente
Onde: Água Fria
Quando: 25/01, às 16h
Encanto do Dendê
Onde: Macaxeira
Quando: 31/01, às 19h
Gato Preto
Onde: Água Fria
Quando: 01/02, às 16h
(©
Pernambuco.com) |
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