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05-06-2008
Danilo Janúncio O nome pode parecer um pouco diferente, inusitado. Surgiu de uma lenda contada por um ex-baterista e agradou. A história seria a do mandorová, um mosquito carnívoro, vindo da África, e que vive apenas por um dia. Preservando a palavra, a banda Mandorová (taturana, segundo o dicionário Aurélio) está lançando seu primeiro disco "independente do independente" para divulgar seu trabalho. O CD "No Trecho" traz seis músicas e é um apanhado do que a banda andou fazendo entre São Paulo, Campinas e São Luís (MA), este último onde o grupo se consolidou. "O disco é uma seleta que representa os estilos que nós fazemos, como o reggae, baião, samba, bumba-meu-boi maranhense, lelê, tambor de crioula, música caipira, e tantos outros", afirma Zé Siqueira, violonista e compositor da Mandorová. Tal qual o estilo do grupo, que mistura influências para construir as melodias, a banda é uma miscigenação regional. É composta por três campineiros - Silo Sotil, no vocal, Bruno Sotil, na percussão e Zé Siqueira, na guitarra - pelos são-luisenses - João Neto, na flauta, e Franklin Nazarus, na bateria - pelo patoense - Ramúsyo Brasil, no baixo, de Patos (PB) - e pelo paulistano Rodrigo Sencial, no violão. Além de canções inéditas, como "A Nova", " Trecheiros", "E Alagô", Circo e... Cadê o Pão (A Tia)", "Menino Marrom", o disco ainda traz a música "À Queima Roupa", premiada com o segundo lugar no 1o Festival da Canção Popular - Expomusic Fest. O festival, que aconteceu nos dias 27 e 28 de setembro de 2003, no Expo Center Norte, em São Paulo (SP), é a versão brasileira da Expomusic que acontece em diversas capitais do mundo. NA ESTRADA Há dois anos na estrada, a banda vende o CD "No Trecho" durante seus shows. Entre outros lugares que já se apresentaram está "O Maior São João do Mundo", festa que acontece em Campina Grande (PB), que conta com a partipação de grandes nomes da música nordestina, e é distribuído por três grandes palcos. De acordo com o vocalista Silo, a experiência valeu a pena para conhecer outros músicos e novas bandas, como o Cabruêra, de Campina Grande. Em seus shows, a Mandorová toca as próprias músicas, mas, segundo o violeiro Rodrigo, a exceção são alguns sons que eles fazem questão de interpretar "para contextualizar as influências do grupo". Inspirados na realidade maranhense, e brasileira, as composições da banda festejam a vida, a realidade, e não esquecem o desmazelo social do país. Eles também celebram o rico folclore da terra com pitadas fortes da música popular brasileira. Para compor a faixa "Trecheiros", o músico Zé Siqueira se inspirou no documentário do mesmo nome, do qual ele havia feito a trilha sonora. Nele, são contadas as histórias de vida de alguns brasileiros que vivem sem morada fixa, de cidade em cidade, a procura de emprego. Com os versos "foi querendo encontrar/ sou errante sonhador/ madame ao me ver passar/ me enxerga com o horror", o músico toca no tema com sensibilidade e acerta em cheio a cadência com um rock-baião. REALIDADE O velho tema "pão e circo", que sossega o descontentamento do povo, é lançado na música "Circo e... Cadê o Pão (A Tia)". Segundo Zé Siqueira, a distribuição de cachaça de graça em uma festa em São Luís deu origem à música. Quando ele chegou á cidade, em 2002, o povo festejava a candidatura de Roseana Sarney para a vaga de senadora. Nessa festa foram chamados diversos grupos folclóricos do interior do Maranhão para apresentações na Praia Grande, praia de São Luís, onde se reuniram milhares de pessoas. "Lá foi distribuído cachaça de graça aos participantes que, se não beberem, travam e não tocam o bumba-meu-boi", conta Zé. Enquanto se apresenta e vende seu CD independente, a banda Mandorová busca o apoio de uma gravadora para, no futuro, gravar um disco inteiro, com mais de dez músicas, o que ainda não sai barato para um grupo independente. "Nesse tempo, vamos aprimorando nosso trabalho, nos apresentando e compondo mais músicas", afirma o flautista João Neto. O que eles querem? "Viver fazendo música e não precisar trabalhar", conta Zé Siqueira, aos risos. ´No Trecho´ - Mandorová, 2003. Distribuição independente. (© Revista Brasil de Cultura)
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