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05-06-2008
Beto Kaiser e a Mucica e Luciano Magno & Fábio Valois, projetos que se destacaram na fértil cena de música instrumental do Estado em 2003, lançam seus primeiros álbuns MARCOS TOLEDO “Jazz quem grava são os norte-americanos”. Com esta frase, o pianista Fábio Valois resume bem a quanto anda a música instrumental pernambucana. O gênero, que tradicionalmente fez fama fora do Estado, ganha ainda mais força com experiências que colocam os ritmos da região em harmonia com os mais tradicionais do mundo. Depois de um 2003 repleto de festivais mostrando a consolidação de vários projetos instrumentais, o novo ano desponta com alguns desses trabalhos concretizados na forma de CD. O próprio Valois aparece no requintado álbum Sotaque, ao lado de outro grande talento, o guitarrista Luciano Magno. Numa verve mais blues-rock, outro guitarrista, Beto Kaiser, demonstra também grande potencial de criação com seu projeto A Mucica no disco Mensageiro do Vento. Dois trabalhos empreitados pelo selo local Via Som. Mensageiro do Vento, mais do que o CD de estréia de um dos guitarristas mais elogiados do Estado, constitui-se uma verdadeira lição de vida e de perseverança de um músico que viu de perto a possibilidade de deixar de tocar. No início de 2002, enquanto tocava com amigos na banda Munganga, Beto Kaiser levou um choque elétrico que praticamente decepou sua mão esquerda e partiu um pedaço do osso do ombro direito. Após um milagre e meses de recuperação, o guitarrista pôde reavaliar sua vida pessoal e profissional e chegou à conclusão de que era mais do que a hora de desengavetar o projeto de seu primeiro álbum. “Não fiz um disco antes covardia”, reconhece. “Para mim, era mais cômodo plugar a guitarra e sair por aí tocando feito um doido”, desabafa. Superado mais ou menos o trauma, Beto tentou formar a banda A Mucica para gravar um CD. Não deu certo. O guitarrista resolveu, então, encampar um projeto solo, no qual teria alguns amigos tocando suas músicas. O projeto passou a se chamar Beto Kaiser e a Mucica, tendo o guitarrista como principal estrela e, neste disco, o apoio do baterista Ebel Perrelli e do contrabaixista Gustavo ‘Bigode’ Alencar, entre outros convidados. O álbum, só instrumental, traz 12 faixas: 11 de Beto, cinco destas em parceria. “Minha vida está aí”, explica. De fato, em seu primeiro rebento fonográfico Beto Kaiser (apelido em homenagem ao ex-craque do futebol alemão Franz ‘Kaiser’ Beckenbauer) coloca todas as suas influências e repertório que adquiriu ao longo de mais de 20 anos de carreira profissional. A principal influência é a do guitarrista britânico Eric Clapton, desde que seu irmão, o baixista Sérgio Eduardo – que toca na faixa Deidsbus –, presenteou-lhe com uma coletânea do Cream. Mas, além do blues-rock, Beto bebeu de fontes como o jazz – mais presente na música Boas conversas – e os ritmos nordestinos – como o baião Chocolate ou o “caos” que encerra a mesma Boas conversas com uma intervenção de riffs do frevo Vassourinhas, do tema do Globo Repórter e da canção Cai cai balão. Além do irmão, o autor convidou outros amigos para participar deste trabalho. O baixista Nando Barreto substitui Bigode na supracitada Chocolate, esta mesma faixa e Boas conversas conta com o baterista Augusto Silva, o também baixista André Alencar toca no lugar do irmão, Bigode, em Sky diver, e, nos dois últimos temas – Rico boi e Ricifi –, Beto sola sobre bases programadas pelo tecladista Renato Tinoco, dando um toque experimental à produção. Outro momento de destaque de Mensageiro do Vento é a música Tio Deda, única em que Beto deixa sua Fender Stratocaster e pedais de lado para empunhar com virtuosismo seu violão de aço Ibanez. O resultado é um blues folk interpretado com a agilidade de um tocador de frevo. “É um trabalho de equipe, que só vai ficar se conseguir chegar às pessoas”, reconhece o guitarrista. “No momento, estou cuidando de distribuir. Depois, quero fazer bons shows.” Para Beto, o disco ficou conforme planejou. “Tem erros, defeitos, mas não mudaria nada”. O CD se encontra à venda nas maioria das lojas independentes da cidade ao custo de R$ 10. (© Jornal do Commercio-PE)
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