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05-06-2008
Banda se sai muito bem no seu disco de estréia, Nada de Novo, no qual explora vários gêneros: surf music, lounge e principalmente o bom e velho samba Nada de Novo é um golpe feroz do Mombojó. Como experiência de estréia, o grupo fez um disco todo vazado pela pergunta ‘o que fazer depois de todos os excessos dos anos 90?’. Para quem cresceu ouvindo expressões como fusão e mistura de ritmos pulsando no vocabulário musical da Cidade, a resposta não é fácil. Entregue ao risco, os músicos brincaram com os cânones que os cercam – mas ainda com um certo respeito. Como (eles alegam) nada é novo, o grupo recauchutou as influências de sempre – o samba nosso de cada dia, a lounge music, a eletrônica, um rock em baixo volume, etc. – e as subverteu à sua maneira. Por isso, Cabidela, a faixa de abertura, passa distante da balbúrdia prometida pelo seu título, e desova em um arranjo melancólico, flertando com o Air do Moon Safari, com letra sobre o fim de um relacionamento. A senha do Mombojó é mesmo romper fronteiras de gêneros musicais, mas sem fincar terreno, o que fica evidente em faixas brilhantes como a picaresca Deixa-se acreditar, uma surf music com cara de vinheta de MTV, e em A missa, a melhor do disco – com seu arranjo de várias possibilidades, que em certo momento flerta com o lá-lá-lá de um samba que quer se dizer velha guarda. O disco aborda a condição masculina na beirada dos 20 e poucos anos, criando um rico e cru imaginário pessoal – “eu já cai/ já estou no chão/ e estou torcendo pra você ficar na merda/ como eu também estou”, canta Felipe. Em Adelaide, a musa fica em segundo plano em relação ao drama do cara que não quer deixá-la partir. O ‘eu’ das letras de Nada de Novo acaba engolindo as outra pessoas do discurso. A vantagem do Mombojó é que o suporte musical por trás de seu ideário masculino é sólido e variado. Se as preocupações, em certos momentos, soam adolescentes, o resultado das músicas já é bem crescido.(S.C.) Serviço: (© Jornal do Commercio-PE)
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