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05-06-2008
Chegar até a
música de Jorge Dissonância não é fácil mas, uma vez lá, a fidelidade estará
garantida. O sobrenome artístico revela o tipo desse sergipano, que está há
três discos, desde 2002, na cena musical popular experimental brasileira. A
dissonância foi revelada por um tipo que lhe ensinava violão, ainda na
juventude. Jorge intuitivamente buscava por uma sonoridade que lhe parecesse
familiar, agradável. Chegou, sem saber, à dissonância, que depois veio a
saber por professores de música que era algo bem complicado, sugeria acordes
abertos, mas que não vem ao caso de encucar o leitor nessa reportagem. Aqui
só para dizer que Dissonância está mais uma vez no Recife, para um show hoje
e amanhã no bar La Prensa, em Casa Forte. (© Pernambuco.com) Dissonância no La Prensa
MARCOS TOLEDO Imagine o que aconteceria se Caetano Veloso ou João Bosco resolvesse musicar a obra de Haroldo de Campos. Pois, guardadas as devidas proporções, é nessa linha que se apresenta o álbum V, terceiro do cantor, violonista e compositor sergipano Jorge Dissonância, no qual ele dá melodias e interpreta a obra do poeta Wilmar Silva. Cumprindo o trajeto obrigatório que faz todos os anos, Jorge lança o CD hoje (quinta) e sábado no Recife, no bar La Prensa, sempre às 22h. O show, contudo, não se concentra apenas em V. O músico aproveita e faz uma espécie de retrospectiva/expectativa de sua carreira, interpretando temas dos discos anteriores e do próximo, que sai ainda neste ano. Natural de Maruim (SE), Jorge Dissonância, 40 anos, iniciou a carreira como boa parte dos artistas populares brasileiros: cantando e tocando na noite. "Mas sempre busquei uma personalidade própria para o meu trabalho, mesmo como violonista", ressalva. "Acho que encontrei. Se não, estou bem próximo." Influenciado por ídolos da MPB como Djavan – segundo o intérprete, devido à divisão musical do alagoano, herança de Jackson do Pandeiro e também influência de Lenine – e de João Bosco – "pela forma da dinâmica da mão direita, do suingue" –, há seis anos Jorge fixou residência em Belo Horizonte. Na Capital das Minas Gerais, o artista chama a atenção pela forma como sua música flerta com o jazz, oferecendo um pouco mais de requinte à tão explorada MPB. "Nunca fui muito obediente ao público da noite", explica. "Atendia a pedidos, mas fazia o que gostava. Alguns (pedidos) nunca toquei." Seguindo o caminho dos artistas autorais, Jorge chegou aos primeiros álbuns de temas próprios em 2000: Bem H2O (voz & violão) e Caípe saíram quase que simultaneamente. Aconteceu que, quando o compositor conseguiu viabilizar o lançamento do primeiro, o segundo já estava quase pronto. Fato semelhante ocorre agora, com este V. Jorge Dissonância já estava com seu terceiro disco solo, D’Afiada, bem encaminhado quando recebeu a proposta do poeta Wilmar Silva para pôr melodia em alguns poemas de seus dez livros. Com uma peculiaridade: sem mexer em uma vírgula sequer do texto original. Mesmo alertado por amigos de Wilmar se tratava de um poeta hermético, o violonista comprou o desafio. O resultado é um CD leve, bom de ouvir e que exige apenas uma atenção maior nas leituras das letras para acompanhar o que o poeta quer dizer. Para gravar as 13 faixas que compõem o álbum (independente), Jorge convocou um naipe de 13 músicos – dois deles, que haviam participado de Caípe. Como num livro de receitas, o cantor distribui dois, três instrumentistas por faixa, conforme exige a característica da composição. "Cada música tem um sentimento, uma inquietude. Resolvemos colocar em cada música um instrumento que se conotasse mais completo à música", lembra Jorge. O cavaquinho, conforme exemplifica, caiu como uma luva para o tema Essência, que, segundo o autor melódico, "remete a uma saudade". A última faixa, Nomes, é uma ode à obra completa de Wilmar Silva: o violonista toma os títulos dos dez livros do poeta, editados entre 1986 e 2002, e compõe a única letra não-adaptada de um poema. Jorge Dissonância faz aqui um show mais intimista, apenas com voz e violão, com músicas de seus três discos e outras inéditas. Ele espera firmar parcerias para, numa próxima apresentação, viabilizar a vinda da banda que o acompanha em BH. Show com o cantor e violonista Jorge Dissonância. Hoje e sábado, às 22h, no bar La Prensa (Avenida 17 de Agosto, 1.927, Casa Forte). Couvert: R$ 3. Informações: 3275.6183 (© Jornal do Commercio-PE)
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