05-06-2008
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O Maracatu Rural é
uma importante manifestação cultural da Zona da Mata de Pernambuco |
Música de raiz do
Ticuqueiros conquista o Recife e ensaia estréia nacional
Michelle de Assumpção
Da equipe do DIARIO
A capital
pernambucana sempre recebeu com muito entusiasmo e certa reverência a música
que vem da Zona da Mata e os músicos daqui mesmo que lá iam buscar sua base.
Silvério Pessoa, com Bate o Mancá, trouxe essa sonoridade, por exemplo.
Siba, com Fuloresta do Samba, também. Maciel Salu, com o Terno do Terreiro,
idem. Esse intercâmbio, porém, nem sempre devolveu à Zona da Mata o produto
feito com sua matéria prima cultural: os cavalos marinhos, bois, cocos,
sambas e cirandas. Assim, é com certo entusiasmo que anunciamos a existência
de um grupo de Nazaré da Mata que continua fazendo lá seu mercado de
trabalho.
Os Ticuqueiros não precisaram sair de sua cidade natal para ser sucesso.
De lá mesmo têm conseguido colher bons frutos. Até o Carnaval devem gravar a
faixa na coletânea do Circuito Cultural Banco do Brasil, onde saíram como
destaque no programa Novos Talentos. Devem ainda tocar no evento de
encerramento do projeto, em Curitiba. Além disso, a quantidade de shows se
multiplica. Domingo estão no Recife mais uma vez, fazendo show no Espaço
Usina, em Casa Forte, onde também se apresentam o caruaruense de Recife e
São Paulo, Ortinho.
Ticuqueiro é o homem que corta a ticuca, um mato que sobe na terra onde a
cana será plantada, impedindo seu cultivo. O ticuqueiro, então, é o cara que
permite que a cultura floresça numa terra um tanto ingrata. Todos os seus
músicos são integrantes de grupos da cultura popular de Nazaré. Orquestras
de frevo, maracatus rurais, ciranda, etc. O grupo tem uma extensa formação.
Dyogenes Santos (guitarra), Marquinhos Pereira e Rinaldo Alexandre
apresentaram-se em diversos encontros de música da Mata Norte e Agreste,
seja com as bandas Revoltosa e Capa Bode, ou também nas diversas orquestras
de frevo que movimentam os carnavais das cidades do interior.
João Paulo Rosa de Lima, percussionista e principal compositor, começou
sua história com a música dentro dos maracatus rurais Cambinda Dourada
(Camaragibe) e o Leão Coroado (Nazaré da Mata). O trombonista Galego do
Trombone foi tirado docorte da cana, é ex-ticuqueiro. É o trombonista mais
requisitado da região, tocando com diversos maracatus, como o Estrela de
Ouro de Chã de Camará, Leão Cultural, Cambinda Brasileira, Leão Vencedor,
Leão de Ouro, Leão Coroado (Araçoiaba), Leão Formoso (Nazaré), entre outros.
Atualmente faz parte do grupo Fuloresta do Samba, com o músico Siba.
O percussionista e baterista Sidcley Marcelino também já integrou diversos
maracatus, como o Cambinda Dourada e o Leão Cultural, além de ter
participado da banda Chão e Chinelo e do projeto Maciel Salu e o Terno do
Terreiro. Batuqueiro, Fábio Alberto, o Pipa, carrega a herança do pai,
vencedor de diversos concurso de boi do passado. Juntos, eles promovem um
som diferente, mais para a pegada ligeira e agressiva do rock. A vinculação
com a Zona da Mata está especialmente nas letras - que giram em torno do
universo dos ticuqueiros e dos trabalhadores da Mata, no trombone de Galego
e nos metais de uma forma geral, que remetem às frases dos maracatus rurais.
O som eletrônico do trio baixo, bateria e guitarra estão bem fortes no
trabalho.
A juventude de Nazaré e demais localidades já estão ligadas nos
Ticuqueiros. De Recife, o produtor da banda faz as articulações para que
eles também estejam nos eventos mais badalados. Ano passado, participaram do
Rec Beat, da Fenneart e do projeto O Som da Mata, no Pátio de São Pedro. O
Programa Novos Talentos Musicais, do Banco do Brasil, foi a primeira
investida do grupo na cena nacional. Brevemente, a Zona da Mata estará
exportando mais uma novidade.
Serviço
Os Ticuqueiros e Ortinho
Onde: Espaço Usina (Rua Tapacurá, s/n, Casa Forte)
Quando: Domingo, a partir das 18h
(©
Pernambuco.com)
Otto vira mestre de cerimônia no Terminal
Edição piloto do projeto Palco Pernambuco,
dia 25, promove encontro entre músicos locais e cantores brasileiros
Júlio Cavani
Da equipe do DIARIO
O Terminal
Marítimo de Passageiros do Marco Zero, também conhecido como Armazém 12,
está prestes a se tornar um novo espaço para a música contemporânea
pernambucana. É lá que acontece o projeto Palco Pernambuco, comandado pelo
cantor Otto, que vai receber no palco cantores brasileiros famosos para o
acompanharem com uma banda especialmente montada para o evento. A primeira
edição está marcada para domingo, dia 25 de janeiro, tendo como convidados
Fernanda Abreu, Frejat e Luciana Mello. A proposta dos responsáveis pela
iniciativa é retomá-la sempre nas férias de julho e janeiro com o mesmo
formato.
De acordo com o produtor Sílvio Pontual, da HS Empreendimentos,
organizadora do evento, a intenção é também consolidar o Terminal Marítimo
como espaço cultural, servindo de exemplo para impulsionar outras
iniciativas que aproveitem sua estrutura. Ele prevê um público de até 4 mil
pessoas e não esconde suas intenções turísticas ao comparar o projeto com o
Candyal Ghetto Square, de Salvador, que se tornou conhecido nacionalmente
com a presença de Carlinhos Brown como mestre de cerimônias. O armazém é de
responsabilidade da Prefeitura do Recife.
No Palco Pernambuco, Otto vai estar sempre acompanhado de uma banda
especial formada por parceiros da Nação Zumbi (Pupillo, Toca Ogan, Marcos
Mathias), da Mundo Livre S/A (Bactéria, Júnior Areia) e de outros conjuntos
locais. Além de um show com músicas do cantor, eles vão ensaiar as canções
dos convidados, com novos arranjos, para acompanhá-los durante os encontros.
Otto diz que as apresentações vão durar cinco horas e, além de cantarem com
ele, os visitantes vão ter direito de mostrar três ou quatro músicas
próprias sozinhos. "É super legal porque eu sempre era convidado para tocar
com alguém e agora sou eu quem vou chamar os artistas", festeja.
Além de estrelas da música pop, Pontual pretende trazer grandes nomes da
MPB para cantar com o pernambucano. Luiz Melodia, João Bosco, Marcelo D2,
Lenine e Rogério Flausino, do Jota Quest, já estão sendo contatados. Depois
destaprimeira experiência no dia 25, o projeto deve voltar nas próximas
férias com um porte maior, acontecendo em quatro domingos seguidos,
começando às 17h. Antes dos shows, uma banda local vai subir ao palco (ainda
não está confirmada a atração da noite inaugural) e no final, DJs seguram o
público até a madrugada.
Otto também quer discotecar no evento junto com os parceiros da banda. O
músico acaba de lançar o disco Sem Gravidade, pela gravadora Trama, mas
ainda não vai ser desta vez que ele vai mostrar o show oficial de divulgação
do álbum. Isso deve acontecer em fevereiro, caso seja confirmada sua
possível participação no Rec-Beat do Carnaval. Se o Palco Pernambuco se
confirmar como permanente no calendário cultural da cidade, Otto finalmente
vai poder tornar freqüentes suas apresentações no Recife (atualmente, ele
vem fazendo apenas um show por ano, em média).
Para os shows, o Terminal Marítimo vai ter sua infra-estrutura reforçada,
funcionando com ar-condicionado e lanchonetes. O Mercado Brasilis (feiramix)
também estará montado no local a cada edição. "Esse espaço tem um grande
potencial por sua localização central e turística e por ser um ambiente
muito agradável", observa Pontual, que também é responsável pelas boates
Downtown e Theatro Lounge e por outros eventos musicais de grande porte
(muitos deles com bandas baianas ou de pop rock). Otto, que mora no Rio de
Janeiro, esteve no Recife esta semana para gravar os comerciais e acertar os
detalhes do projeto.
(©
Pernambuco.com)
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