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Antonio Meneses entre o Brasil e o mundo

05-06-2008

Antonio Meneses fechou o ano de 2003 com a certeza do dever cumprido

Adriana Pavlova

   O pernambucano Antonio Meneses fechou o ano de 2003 com a certeza do dever cumprido. Foi a temporada em que o violoncelista brasileiro de maior projeção internacional deixou platéias cariocas e paulistas de boca aberta diante do teste de força de apresentar por aqui, lado a lado com o pianista Menahem Pressler, em concertos consecutivos, todas as peças para violoncelo e piano de Beethoven.

   E foi também o ano em que ele, aos 46 anos, encarou a empreitada de gravar dois hits do repertório de Villa-Lobos, as Bachianas brasileiras 1 e 5, não por acaso, as duas maiores obras para violoncelo de um compositor brasileiro.

Projeto era gravar Bachianas com músicos brasileiros

   O desafio aconteceu numa parceria com a Osesp, hoje a grande orquestra brasileira de calibre planetário.

   - Foi uma questão de oportunidade, que até hoje não tinha aparecido, principalmente porque sempre tive o sonho de gravar essas obras com músicos brasileiros - diz o tímido e recatado Meneses, pelo telefone, falando de Paris, esta semana, onde estava ensaiando com o Trio Beaux Arts, grupo liderado por Pressler e do qual ele faz parte há seis anos. - Não há dúvida que outras orquestras do mundo podem interpretar Villa-Lobos mas são os músicos brasileiros que sentem no sangue cada nota escrita por ele, porque são os sons das nossas raízes. Não é questão de interpretar bem ou estar afinado, é questão de sentir a música em todos os sentidos.

   A gravação das Bachianas aconteceu no finzinho de 2003, quando Meneses passou a temporada pré-natalina por aqui. Ele fez concertos com a Osesp, numa preparação para o registro, e, depois, na Sala São Paulo vazia, deixou seu nome entre os convidados do projeto que vai juntar em discos as Bachianas de Villa-Lobos. Tudo sob o comando de Roberto Minczuk, maestro adjunto da orquestra.

   - A primeira Bachiana é fantástica porque é uma orquestra de violoncelos, na qual os temas caros a Villa-Lobos ficam expostos com muito ritmo, como o samba e as cantigas de roda - diz. - Tudo muito vibrante e alegre. Já na Bachiana n 5, na qual há participação de uma soprano, no caso a americana Donna Brown, começa com uma ária que mais parece um chorinho para depois seguir para um caminho mais nordestino.

   Depois de um fim de ano cheio de descobertas, Meneses entrou em 2004 também sem tirar as mãos do violoncelo. A temporada na fria Paris do inverno tem servido para dar fôlego a um novo repertório ao lado do Beaux Arts. O trio fundado por Pressler, que em 2005 fará 50 anos de existência, prepara-se agora para mais uma turnê européia. Depois de mudar de gravadora (agora os músicos estão na Warner), enfim, o trio vai gravar com a formação que tem Meneses no violoncelo.

   - Os discos são o começo da celebração do meio século do trio - avisa o brasileiro, que vai gravar o Trio de Mendelssohn, um dos primeiros registros do grupo. - Depois, mais para o fim do ano, vamos gravar peças escritas especialmente para nós por compositores contemporâneos.

Desafio com a Filarmônica de São Petersburgo

   A turnê do Beaux Arts começa em Londres, no Wigmore Hall, no fim desta semana, seguindo, depois, por Ljubljana (Eslovênia); Eindhoven e Amsterdã (Holanda); Stuttgart(na Alemanha). As gravações acontecem na Holanda. Fora isso, em maio Meneses se apresenta no prestigiadíssimo Bath Festival, na Inglaterra, palco de grandes estrelas.

   No Brasil, o violoncelista tem programados dois concertos com a Osesp, em maio. No Rio, no entanto, ele só poderá ser visto no segundo semestre, quando, depois de anos, volta a se apresentar ao lado da Orquestra Sinfônica Brasileira. Mas, na área dos "desafios" para o novo ano, Meneses inclui na primeira categoria a apresentação com a Orquestra Filarmônica de São Petersburgo, a mesma que ficou conhecida por aqui, principalmente, por aparecer no documentário "Nelson Freire", de João Moreira Salles.

(© O Globo)

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