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Ponte musical

05-06-2008

DJ Dolores

A ponte aérea Fortaleza-Recife decola com a festa comandada pelo DJ Dolores no Amici's Sport Bar

Patrícia Karam
da Redação

   O intercâmbio entre artistas cearenses e pernambucanos por intermédio da realização de shows, festas, palestras, oficinas e outros eventos. Munidos dessa proposta, o produtor cultural e designer gráfico Franciscus Galba e os DJs Guga de Castro e Marquinhos idealizaram o projeto Conexão Recife, que deve ter edição mensal. O pontapé inicial da iniciativa acontece hoje com a passagem do DJ e produtor DJ Dolores, nome artístico de Helder Aragão, por Fortaleza. À tarde, ele vai ministrar palestra sobre música no auditório do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. À noite, o DJ Dolores vai discotecar festa no Buoni Amici's Sport Bar.

   ''Primeiro, nós estamos trazendo os nomes da cena pernambucana, pois eles têm mais bagagem. A idéia é que eles passem a conhecer o pessoal daqui e dêem uma força para que a gente leve os cearenses para Recife, pois esse é o segundo passo do projeto'', explica Galba. Também estão nos planos do Conexão Recife a realização de um festival em Fortaleza com bandas das duas capitais nordestinas. Por enquanto, o que está definido é o próximo convidado. O jornalista Renato L, um dos idealizadores do mangue beat, vem em fevereiro para palestrar sobre os dez anos do movimento e discotecar. ''Falta apenas definir o dia exato, mas vai ser antes do Carnaval'', garante Galba. Para março, está quase fechada a participação da banda Eddie. ''Eles farão show na sexta. No dia seguinte, o Fábio Trummer, guitarrista e vocalista, será o DJ da festa'', adianta o produtor cultural.

   Ao lado da Eddie, o DJ Dolores foi apontado pela última edição do programa Fantástico como o ''som de 2004''. Indagado sobre o fato, Dolores brincou: ''Espero que apareça mais trabalho. É a única coisa que compensa pelo fato de se expor na TV. Mas, deixando de lado a rabugice, claro que fico feliz. É uma forma de reconhecimento. Tanto eu quanto Eddie trabalhamos duro, sério e independente'', escreveu por e-mail do Recife. Entretanto, trabalho é o que não tem faltado para um dos nomes mais badalados da atual cena pernambucana. Dolores já fez quatro turnês pela Europa. ''A última durou 52 dias e teve 34 datas. No meio, uma quebra para tocar em Nova Iorque e, logo em seguida, Espanha. Foi uma loucura!! Mas a recepção da audiência européia compensa. O público é quente e respeitoso. Levamos uma informação nova, para além dos estereótipos do samba'', afirmou.

   Aliás, Dolores procura fugir de estereótipos. Ao lado da Orchestra Santa Massa, criada em 2000, ele levou a cabo uma experiência de música eletrônica com elementos da música popular da região Nordeste, mas deixa claro que não quer o rótulo de regional. ''O problema é que há algo pejorativo nesse termo... regional. Nossa música desperta interesse fora da cidade, do País, nossa música dialoga com elementos internacionais, portanto chamá-la de regional é limitá-la à redoma feita com o vidro do preconceito'', declarou. Após a experiência com a Santa Massa, Dolores prepara novo projeto, batizado de ''Aparelhagem''. Dessa vez, a meta é ''criar uma zona de confluência entre as várias expressões da tradição musical urbana do Norte-Nordeste do País, revistos sob a ótica da eletrônica''.

   Uma curiosidade: apesar de ser um dos expoentes e da cena pernambucana e integrante do núcleo inicial do mangue beat, Dolores é sergipano e sua formação é em design. Inclusive, criou alguns ícones do movimento, a exemplo de capas, logotipos e videoclipes de Chico Science & Nação Zumbi, Mestre Ambrósio e Mundo Livre S/A, entre outros. A música se transformou em seu projeto profissional por acaso. ''O fato é que as máquinas novas como sampler e laptops permitem gente como eu, que não tem formação musical, desenvolver idéias musicais. Fiz uma trilha para um filme daqui do Recife. Lançaram em CD e repercutiu bem nos meios profissionais. Acabou chovendo convite pra trabalho com música e eu me vi no meio de outra profissão...'', lembrou pelo e-mail. Foi por essa época que Helder transformou-se em DJ Dolores. Como precisava de um nome artístico para assinar a trilha, pegou emprestado o nome da tia de um amigo. ''Gosto do jeito que provoca o povo. Ninguém espera que eu seja Dolores e muitas vezes já me perguntaram se eu era o empresário dela, da Dolores'', revelou.

   Em maio do ano passado, Dolores discotecou festa em Fortaleza, no Ritz Café e troca figurinhas com alguns nomes da cena eletrônica da cidade: ''Tenho bastante contato com o Guga de Castro. Conheço algumas pessoas do núcleo do Pragatecno local. Os caras fazem um bom trabalho de difusão da cultura eletrônica ... Ah, o público por aí é incrível!!''. Para a palestra de logo mais, Dolores pretende falar sobre ''como podemos usar a tecnologia do nosso jeito. Quero falar sobre defeitos que geram originalidade''. E para a festa? ''Vou tocar coisas novas e velhas: banghra, que eu adoro, bootlegs, coisas latinas... Ah, se o povo se animar, estou levando um set com disco pogo. Rápido e rocker!!'', encerrou.

SERVIÇO
Projeto Conexão Recife
- Festa comandada pelo DJ Dolores, hoje, a partir das 22 horas, no Buoni Amici's Sport Bar (rua Dragão do Mar, 80 - no calçadão do Centro Dragão do Mar - Praia de Iracema). Participação dos DJs Guga de Castro e Marquinhos. Ingresso: R$ 10,00. Informações: 219.5454. Antes, às 17 horas, palestra e bate-papo sobre música com DJ Dolores, com a mediação de Guga de Castro e Fernando Catatau. No auditório do Centro Dragão do Mar. Grátis.

(© NoOlhar.com.br)

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