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Literatura infantil como brincadeira

05-06-2008

A escritora Lenice Gomes, com alunos do Colégio Boa Viagem, no Recife

Escritora pernambucana mergulha na magia da cultura popular para conquistar leitores mirins

Augusto Pinheiro
Da equipe do DIARIO

   Inspirada por formas variadas da poesia popular, a escritora pernambucana Lenice Gomes brinca com as palavras nos três livros infantis que lançou pela editora Paulinas (SP). Quando Eu Digo Digo Digo, O Tempo Perguntou pro Tempo e Brincando Adivinhas adentram o universo mágico de adivinhas, parlendas, trava-línguas, provérbios, cantigas de roda e trovas.

   Lançado simultaneamente, escrito a quatro mãos com Hugo Monteira Ferreira, o livro teórico Pelas Ruas da Oralidade desvenda, de forma poética e didática, o conceito, significado e importância dessas pequenas manifestações culturais e lingüísticas - que fazem parte das brincadeiras infantis.

   Nele o leitor "descobre" que as adivinhas são os tradicionais "o que é, o que é". As parlendas são "jogos culturais caracterizados pela ludicidade e a estruturação lingüística", geralmente acompanhados de rima, como em "Quem cochicha o rabo espicha/Come pão com lagartixa". Os trava-línguas brincam com a repetição de fonemas, que dificultam a fala: "Se a aranha arranha arã/se a rã arranha a aranha".

   "A intenção desse livro foi dar uma orientação ao professor sobre essas formas lingüísticas", diz Lenice, que aposta na utilização delas na sala de aula para incentivar o gosto pela leitura.

   DIVERSÃO - Quando trabalhava na biblioteca de um colégio, no início dos anos 80, Lenice criou o projeto Recreio da Palavra. "Consegui sensibilizar as crianças para a leitura a partir dessas brincadeiras", conta.

   Apesar de partir da mesma inspiração, os três livros têm formas diferentes. Brincando Adivinhas conta a história da chegada de um brincante a uma pequena cidade, para a felicidade das crianças. O enredo é entremeado de adivinhações -sem respostas, vale salientar. Destaque para os belos traços da ilustradora carioca Elisabeth Teixeira.

   Em O Tempo Perguntou pro Tempo, Lenice escreve poemas que passeiam pelo nonsense e agregam elementos como referências literárias (Manuel Bandeira), termos populares (arrelembrou, achegando) e lendas. O fio condutor são trava-línguas, parlendas e trovas, ainda que diluídos no texto. "Esse livro brinca com a questão do tempo", explica Lenice. Tem ilustrações de Rosinha Campos.

   Já Quando Eu Digo Digo Digo surgiu a partir de espetáculo poéticos que a escritora apresenta em escolas e congressos. "Falo da oralidade, da antiguidade aos tempos atuais, na forma dos poetas", diz.

   No papel, o resultado é uma brincadeira para cada dia da semana. Começa com o acalanto da segunda-feira e termina nas cantigas de roda do domingo. Os desenhos ficaram por conta do pernambucano André Neves. Lenice tem outros quatro livros infantis, lançados nos anos 90 pela editora Bagaço.

Serviço

Brincando Adivinhas, O Tempo Perguntou pro Tempo e Quando Eu Digo Digo Digo
De Lenice Gomes
Editora Paulinas, R$ 19,50 cada
Pelas Ruas da Oralidade
De Lenice Gomes e Hugo Monteiro Ferreira
Editora Paulinas, 32 págs., R$ 7,50

(© Pernambuco.com)

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