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Entre o passado e o presente do frevo

05-06-2008

Claudionor Germano

Claudionor Germano festeja 55 anos de carreira, mas não quer ser tachado de cantor de antigos Carnavais

Michelle de Assumpção
Da equipe do DIARIO

   A lenta produção do ritmo frevo nos Carnavais pernambucanos é algo que ainda preocupa artistas e os apreciadores do ritmo. As composições não se renovam, à exceção de poucas que aparecem a cada ano. O frevo vive cada vez mais do passado e, nesse contexto, torna-se cada vez mais valioso o repertório do maior intérprete de frevo de todos os tempos. Há exatos 55 anos, estava Claudionor Germano iniciando sua carreira solo no programa de Variedades Jorge Castelão, exibido pela Rádio Clube. A festa de aniversário acontece hoje, no bar Freguesia.

  Foi levado pelas mãos do maestro Nelson Ferreira, que o conheceu crooner do grupos Ases do Ritmo. "Ele botou a mão no meu ombro e disse, menino, você deve seguir sua carreira", relembra Claudionor, entre tantas e tantas lembranças de uma trajetória repleta de acontecimentos. Na época de ouro das rádios, passou por quase todas, mas foi na Radio Jornal, no Recife, onde foi contratado por 10 anos, depois de uma tentativa vã de ficar para morar no Rio de Janeiro. Voltou à pedido do próprio Dr. Pessoa de Queiroz. Na Cidade Maravilhosa esteve inúmeras vezes, sendo as mais marcantes em 1966, 1967 e 1968, das três vezes em que participou do Festival Internacional da Canção.

  Em 1967 - quando Geraldo Vandré ficou em 2º lugar com Pra Não Dizer que Falei Das Flores - Claudionor saía animado com um quinto lugar, pela música de Ariano Suassuna e Capiba São Os Do Norte que Vêm e o convite de Vandré para que ficasse no Rio e com ele integrasse a Frente Ampla da Música Popular Brasileira, que nunca foi adiante. Das canções românticas de Orlando Silva - seu grande ídolo e inspirador na época de crooner - aos frevos que o consagrariam no Estado e em todo País - foi uma questão de tempo. "Eu gostava das músicas românticas e o Carnaval de Capiba era romântico, 'canta pra tuas mágoas esquecer', então cantava também. Em 1959 ele chegou me convidando para um disco comemorativo aos seus 25 anos de carreira", recorda Claudionor.

  Capiba, 25 Anos de Frevo bateu recordes de vendagens. Nelson Ferreira, "inimigo cordial", segundo Claudionor, também convidou o mesmo intérprete para o disco O Que Eu Fiz e Você Gostou. No ano seguinte, a dobradinha se repetiria com O Que Faltou e Você Pediu (reunindo sucessos que não entraram no primeiro disco) e O Carnaval Começa com C... de Capiba. "Esgotei o repertório de Nelson, mas de Capiba ainda tinha, então em 1962 fiz mais um Sambas de Capiba. Tanta evidência, nas rádios sobretudo, termômetro do que iria se ouvir nos salões nos dias de Carnaval, terminaria por dar a Claudionor o título de melhor cantor do Rádio e da Televisão de Recife, ato que se repetiria por cinco anos consecutivos.

  "São muitas histórias", diz Claudionor, convidado pela reportagem a reconstituir alguns dos melhores fatos de seu rico currículo. Expoente de Carnavais passados, Claudionor tem uma queixa: não queria ser eternamente tachado como intérprete dos antigos Carnavais. Desde 2000 que grava compositores contemporâneos da cena pernambucana. Os discos, segundo situa, não têm o mesmo efeito dos lançamentos do passado.

  "Na época da Rozemblit, em novembro os discos já estavam tocando nas rádios para que no Carnaval o povo soubesse cantar as músicas nos salões", recorda. Os tempos mudaram, mas Claudionor não é só o passado do frevo, pelo contrário, é um dos poucos grandes presentes.

Serviço

55 Anos de Carreira de Claudionor Germano
Quando: hoje, a partir das 20h
Onde: Bar Freguesia (Rua Rigueira ilho, Parnamirim. Entrada antes do Clube Alemão)
Entrada franca
Participação da Frevioca e artistas locais

(© Pernambuco.com)


Naná rege batuqueiros na rua

Percussionista comanda, cheio de entusiasmo e um pouco de nostalgia, os ensaios com 11 maracatus para a abertura do Carnaval com a Banda Sinfônica do Recife

MARCOS TOLEDO

   A exatamente um mês da abertura do Carnaval, o percussionista Naná Vasconcelos corre para aprontar a versão 2004 de seu projeto que reúne 11 maracatus do Grande Recife para, todos juntos, e com a participação da Banda Sinfônica Cidade do Recife e músicos convidados, fazerem a inauguração oficial do período de Momo da cidade. O evento está marcado para o dia 20 de fevereiro. Até lá, ocorrem os ensaios vários dias por semana.

   Naná é daqueles raros entrevistados que podem ser rotulados de ideais. Com simplicidade, recebe-nos em sua residência improvisada num edifício em Boa Viagem (“Nunca pensei”, fala sorrindo, toda vez que menciona o fato). O artista conta que morava na beira-mar do Janga, mas vendeu sua casa depois que “acabaram com a praia”. Enquanto sua nova casa na Zona Norte do Recife passa por reforma, ele aguarda na “gaiola”, como se refere ao apê.

   No deck da piscina, Naná vai buscar longe sua relação com o Carnaval e os desfiles de maracatu. Nitidamente empolgado e impulsionado por suas lembranças, o músico lembra dos Carnavais nos quais tocou, nos anos de 1960, antes de ir viver no exterior.

   “Era maravilhoso, orgânico”, define o percussionista. Ele recorda que das disputas entre as orquestras dos maestros como José Menezes e Guedes Peixoto, por exemplo. “Nessa época, Duda ainda era um garoto, um jovem músico”, diz. Naná explica que tocava no Clube Português, onde a disputa era entre as orquestras de frevo dos maestros Júlio Rocha e Nelson Ferreira. Mas, apesar da competição, a troca era harmoniosa: a primeira encerrava seu repertório e se despedia com Vassourinhas e a seguinte subia ao palco tocando junto. “O público nem percebia”, fala. “Tenho muitas lembranças. Era muito gostoso.”

   Outro tipo de recordação que serve de preâmbulo para Naná explicar seu interesse e cuidado na preparação do espetáculo de abertura do Carnaval do Recife com os maracatus provoca uma volta ainda maior no tempo. Ele conta, por exemplo, que dançou o Carnaval pela primeira vez, com os Estudantes de São José, ainda aos dois anos de idade. “Fui criança e toco desde criança (12 anos). Tocava no Estudantes, mas tinha que ter autorização do Juizado (de Menores) porque, naquela época, criança era criança”, critica.

   E foi por causa dessa preocupação com as crianças que Naná garante que retornou ao Brasil após cinco anos de morando na França e outros 26 nos Estados Unidos. Aqui, montou o projeto ABC da Artes, no momento, desativado. “Está parado, por enquanto, porque estou buscando recursos”, justifica.

   A abertura oficial do Carnaval do Recife com Naná Vasconcelos, 11 maracatus, Banda Sinfônica Cidade do Recife e convidados ocorre apenas daqui a um mês, no dia 20 de fevereiro. Porém, até lá, o mestre de cerimônias Naná Vasconcelos visita cada sede de agremiação e comanda ensaios gerais semanalmente. O próximo ocorre nesta sexta-feira, no Pátio do Terço.

   Na semana passada, ensaiaram os maracatus Axé da Lua, Sol Nascente e Estrela Brilhante. De amanhã até quinta-feira, Naná visita as sedes do Elefante, Leão Coroado e Encanto da Alegria. Na sexta, ocorre o ensaio com as três agremiações no bairro de São José. No sábado e no domingo, é a vez do músico visitar as sedes do Porto Rico e do Nação de Luanda, respectivamente. Estes, ensaiam juntos na outra sexta-feira, dia 30.

   Nos dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro, Naná visita o Encanto de Dendê e Gato Preto. Até o fechamento desta matéria ainda não estava definido o dia do Cambinda Estrela. Os três ensaiam no dia 6. Todas as atividades ocorrem a partir das 19h, exceto nos domingos, quando começam às 16h.

   Os ensaios gerais, no Marco Zero, com todas as agremiações, banda e músicos convidados estão marcados para os dias 16 e 17 de fevereiro, também às 19h.

(© Jornal do Commercio-PE)

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