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Um passo adiante para o maracatu

05-06-2008

 

CD de estréia de Abissal e os Caboclos Envenenados é mais uma ação do Projeto Capibaribe, empreendimento cultural com ações sociais e de meio ambiente

MARCOS TOLEDO

   Depois de mais de dez anos, surge um álbum de um grupo de maracatu que pode significar para esta década o que representou o emblemático LP do Maracatu Nação Pernambuco para os anos de 1990. Várzea do Capibaribe, CD de estréia de Abissal e os Caboclos Envenenados – formado por dissidentes do MNPE –, dá continuidade ao trabalho de inovação do gênero sem descaracterizá-lo.

   Alcidésio ‘Pirulito’ Santana, percussionista co-fundador do Nação Pernambuco em 1988, e Abissal, cantor que entrou para o grupo três anos depois, formaram em 1994 A Cabra Alada, banda na qual passaram a experimentar outros ritmos como coco, ciranda e maculelê.

   Em 2000, já fora da A Cabra Alada e trabalhando em oficinas de cultura popular para crianças e adolescentes, a dupla foi convidada para participar do festival Rec-Beat de Carnaval com os garotos do Daruê Malungo, da comunidade de Chão de Estrelas (Campina do Barreto). A oportunidade se transformou na gênese do Abissal e os Caboclos Envenenados, núcleo do chamado Projeto Capibaribe.

   No ano seguinte, Abissal (canto), Pirulito (percussão) e a cantora e bailarina Flávia Correia (dança) continuaram a ministrar oficinas com o intuito de concretizar mais um objetivo do projeto: a criação do Maracatu Várzea do Capibaribe, o que aconteceu em setembro de 2001. “Isso tudo é uma forma de dividir o conhecimento da gente”, afirma Pirulito. “O que a gente quer é aglomerar”, complementa Abissal.

   O trabalho chegou a ser extendido inclusive a outras cidades, como Itambé, no interior do Estado, e Mossoró (RN). “O Maracatu Reis de Paus se vestia como escola de samba e tocava samba-reggae”, diz Abissal, referindo-se à agremiação potiguar. “Fomos dar uma ‘ajeitada’ nele.”

   ENGAJADO – No Recife, o Várzea do Capibaribe nasceu inspirado no ecossistema do famoso rio que corta a cidade, especialmente no trecho onde funcionavam os antigos engenhos, que vai da Ilha do Retiro ao bairro da Várzea. “Não é só um maracatu. É um projeto cultural e social com ações sociais e de meio ambiente”, garante a produtora Tatiana Braga.

   Além dos Caboclos Envenenados formados no Daruê e das oficinas ministradas por Abissal, Pirulito e Flávia, o projeto busca o resgate histórico do bairro da Várzea, onde ocorrem os ensaios do maracatu, na Escola Municipal de Artes João Pernambuco, e prevê a criação do Maracatu Piabas do Capibaribe, formado apenas por crianças. E, no lançamento do CD Várzea do Capibaribe, a contrapartida social ocorre com a destinação de parte da renda nas vendas do disco para o Instituto Materno-Infantil de Pernambuco (Imip).

   Atualmente cerca de cinqüenta componentes, pessoas de várias partes da cidade, participam do maracatu. Os ensaios, que podem ser acompanhados pelo público em geral, ocorrem todos os sábados, na Praça da Várzea, das 16h às 18h. Durante o Carnaval, a trupe se apresenta no próprio bairro, no Bairro do Recife e em Porto de Galinhas. Após a folia de Momo, Abissal e os Caboclos Envenenados seguem para uma turnê regional.

Abissal e os Caboclos Envenenados
» Na Várzea do Capibaribe
» Tributo a Ogã
» Guerreira Nação



(© Jornal do Commercio-PE)

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