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Bruxo no comando

05-06-2008

 

Bruxo dos sons, Hermeto Pascoal baixa no MAM como maestro, arranjador e solista da banda A Fina Flor, e promete uma "zorra" no palco: "Vai ter muita improvisação"

Ana Cristina Pereira

   A apresentação de Hermeto Pascoal e a big band A Fina Flor, amanhã, deveria ser o encerramento do XII Festival Vivo de Música Instrumental da Bahia. No entanto, a suspensão dos quatro primeiros dias - devido às chuvas - esticou o evento até sábado, sempre a partir das 19h, no Museu de Arte Moderna (Av.Contorno). Hermeto, a atração de maior destaque do evento, foi mantido no mesmo dia e horário, após os shows dos baianos Matita Perê e Yonsen Maia. Os ingressos custam R$10 (inteira).

   Hermeto Pascoal baixa no MAM para reger e solar a big band A Fina Flor, formada por 19 experientes músicos baianos. Entre eles, nomes como Fred Dantas, Joatan Nascimento, Ivan Huol, Giba Conceição, Leitieres Leite e Zeca Freitas. O último, divide a curadoria do evento com o pianista, diretor e ator Fernando Marinho. "Vai ser muito bom", projetou Hermeto, que falou com o Folha de Curitiba, cidade onde mora há seis meses.

   Empolgado como sempre, ele conta que repetirá no evento baiano uma experiência que realizou há cerca de quatro anos em Londres, quando tocou com uma big band do local. "Gosto da formação completa, cinco sax, cinco trombones, cinco trompetes mais a cozinha, ou seja, piano, baixo, bateria e percussão", detalha o bruxo dos sons.

   O papel de Hermeto será de arranjador e solista. Ele enviou cinco composições para serem ensaiadas pela A Fina Flor e trouxe "mais uma de lambuja", que acabou de fazer, para estudar a possibilidade de executá-la. "Vai ter muita improvisação, pois não quero repetir tudo que fiz em Londres", diz Hermeto, que nem consegue se lembrar direito o nome das músicas que apresentou por lá.

   Em se tratando do músico e compositor alagoano, não dá para esperar mesmo uma apresentação muito fechadinha. No entanto, quem gosta de surpresas, é bom ficar atento, pois ele promete uma "zorra" no palco. Além de reger a big band, Hermeto vai tocar instrumentos como o teclado DX7 ("tem um som acústico de instrumento antigo"), uma flauta baixa ("considerada a vovó das flautas"), uma sanfona pequena ("usada pelo Sivuca e chamada sanfona de suvaco") e outras coisinhas como um copo d''água.

   Vida movimentada - A vinda de Hermeto para o festival foi em parte intermediada pelo pesquisador baiano Roberto Tôrres, que está escrevendo a biografia do músico. Hermeto diz que conheceu Roberto em Maceió e se surpreendeu com a quantidade de informação que ele possuía sobre sua vida e carreira. Roberto conseguiu conversar com os pais e o irmão de Hermeto, todos falecidos. "Não tenho muita paciência para ficar lembrando coisas do passado, fico meio cansado, mas depois percebi que tenho que colaborar", afirma Hermeto.

   Aos 67 anos, Hermeto está cheio de projetos. Ano passado, ele lançou o disco Mundo verde esperança e está se preparando para estrear show em São Paulo, acompanhado de seu novo amor, a cantora e violonista gaúcha Aline Morena, 24 aninhos. "Conheci Aline num workshop em Londrina. Ela é maravilhosa. Canta, dança e toca viola", afirma Hermeto, que mora com a moça em Curitiba, cidade com a qual também está em fase de namoro. Esta entrevista, por exemplo, atrasou porque o músico saiu e não conseguia achar o caminho de volta. "Como não conheço bem o lugar, me perdi na hora de voltar para casa. Se fosse no Rio, poderia me perder para sempre", afirmou. Hermeto conta que escolheu Curitiba porque sempre tocava na cidade, da qual gosta muito. "O clima é melhor para trabalhar e a cidade é bem mais tranqüila, sem aquele estresse do Rio, que está impossível", compara.

Prêmio à música erudita

   Aproveitando a presença de Hermeto Pascoal e a realização do Festival Vivo de Música Instrumental da Bahia, a Secretaria de Cultura do Estado lança, amanhã, a edição 2004 do Prêmio Nacional Jorge Amado de Literatura e Arte, que será dedicado à música erudita. A cerimônia acontece às 20h30, durante o evento, com a presença do secretário da Cultura e Turismo, Paulo Gaudenzi. "Ao dedicar a edição 2004 à música erudita, o prêmio presta também uma homenagem aos 21 anos da Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba) e aos 50 anos da Escola de Música da Universidade Federal da Bahia - esses que são, sem dúvida, os pilares da música erudita no estado", diz o secretário. Maestros, compositores e instrumentistas clássicos de todo o Brasil podem ser indicados para a premiação, no valor de R$100 mil, a maior do país na área.

(© Correio da Bahia)

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