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Amor traduzido em dor-de-cotovelo

05-06-2008

 

Antônio Maria e Dolores Duran, ícones da música brasileira, são personagens de espetáculo no Santa Isabel

Ivana Moura
Da equipe do DIARIO

   O compositor, cronista, poeta e jornalista pernambucano Antônio Maria tinha uma personalidade intrigante. Ficou conhecido por seus amores, por músicas de dor-de-cotovelo, a exemplo de Ninguém me Ama, e um senso de humor provocativo, que alfinetava seus entrevistados. A cantora e compositora carioca Dolores Duran realizou parcerias memoráveis com figuraças da MPB, como Tom Jobim, o que rendeu obras musicais como Estrada do Sol e Por Causa de Você. Maria era cardiopata desde a infância, mas nunca abriu mão de uma boa boemia. Morreu ao 43 anos, em 1964. Duran viveu uma carreira meteórica e morreu aos 29 anos, em 1959. Os dois são os personagens principais do musical Maria e Duran, atração do projeto Janeiro de Grandes Espetáculos de hoje, às 20h, no Teatro de Santa Isabel.

  Com direção do poeta e jornalista Orismar Rodrigues, roteiro de Pedro Oliveira inspirado na peça Brasileiro Profissão Esperança, de Paulo Pontes, e arranjos e direção musical de Múcio Callou, o espetáculo transforma-se numa elegia ao amor doído, à paixão demasiada. Afinal, a dupla foi responsável por uma facção da dor-de-cotovelo na MPB, na década de 1950.

  No palco, os atores-cantores Pedro Oliveira e Thina Cunha assumem as personagens de Maria e Duran. No repertório do espetáculos estão obras como Castigo e Fim de Caso, Se Eu Morresse Amanhã de Manhã e Frevo do Recife Nº 1. Além de interpretar as canções, a dupla funciona como uma espécie de narradores das histórias dos dois artistas, que na vida real, nunca se encontraram. "Além de ser toda recortada por crônicas e poesias de Antônio Maria, a montagem resgata clássicos da MPB, músicas que marcaram toda uma geração", assegura Pedro Oliveira.

  Mas também há momentos para o humor. Como no pout-pourri de canções que foram interpretadas por Dolores em várias línguas, como o Castelhano, Inglês, Francês, Português (de Portugal) e Italiano. Cinco músicos acompanham a dupla: Múcio Callou (violão), Spock (sax), Marcos Araújo (baixo), Leonardo Guedes (violoncelo) e Antônio Barreto (bateria).

BALÉ -Entra Janeiro, sai Janeiro, e o espetáculo Nordeste, a Dança do Brasil integra a grade da programação do evento. Espécie de cartão postal da dança pernambucana, com números quase acrobáticos (quem duvidar, que tente fazer todas aqueles passos), o Balé Popular do Recife desfila as principais coreografias nordestinas, com músicas eletrizantes e figurinos coloridos, hoje, no Teatro do Parque.

  Com 26 anos de estrada, o Balé instigou a criação de muitos grupos de dança popular no Recife. E já está na hora de André Madureira levantar outras encenações para sua trupe, calcadas na dança brasílica, com outras variações de frevo, maracatu, caboclinhos, dança afro. Mas é bom ressaltar que Nordeste, a Dança do Brasil é um belo espetáculo, que tem força para arrebatar platéias no Brasil e Exterior. Aliás, como o Balé vem fazendo há muitos anos.

Serviço

Musical Maria e Duran
Onde: Teatro de Santa Isabel (praça da República, s/n, fone: 3224 1020)
Nordeste, a Dança do Brasil
Onde: Teatro do Parque (Rua do Hospício, 81, fone: 3423 6044).
Quando: Hoje, às 20h (os dois espetáculos)
Quanto: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (estudantes e maiores de 65 anos)

(© Pernambuco.com)


Teatro seduz desde a infância

   Aos três anos de idade, Pedro de Oliveira resolveu entrar em um espetáculo do Teatro Popular do Nordeste - TPN, de Hermilo Borba Filho, amigo de seu pai Alfredo de Oliveira. No palco, a personagem de Leda Alves reclamava do marido, porque o cabra que não era muito fã do trabalho. Corria a montagem A Farsa da Boa Preguiça, de Ariano Suassuna, e o garoto resolveu furar a quarta parede e foi perguntar porque ela mesma não ia trabalhar para comprar seus vestidos. Resultado: o público adorou. Borba Filho não ficou muito satisfeito e pediu ao amigo Alfredo que não levasse o menino ao teatro de bolso do TPN, que ficava na Conde da Boa Vista.

  Já era tarde. O garoto gostou da experiência e meses depois estreava oficialmente num pequeno papel, integrando o batalhão do capitão-fantasma Tio Gerúndio, da peça Pluft, o Fantasminha, de Maria Clara Machado, com direção de seu pai Alfredo de Oliveira. A produção era do Teatro de Brinquedo do Recife, que iniciava temporada no Teatro de Santa Isabel.

  Hoje, quando pisarnovamente no Santa Isabel, ele dá início às comemorações dos 40 anos de carreira. Com a coincidência de que Leda Alves, a protagonista da Farsa, é a atual diretora do teatro.

  Desde esta época, Pedro não parou mais. Passou 11 anos como ator do Teatro de Amadores de Pernambuco. Aos 14 anos, lançou-se diretor da peça A Revolta dos Brinquedos, e depois dirigiu Os Saltimbancos, Se Chovesse Vocês Estragavam Todos e Cabaré Valentim .

  Passou anos no Rio, onde dirigiu episódios Chico Anysio e Angélica e participou de Gardel, Uma Lembrança, de Manuel Puig, dirigido por Aderbal Freire Filho.

(© Pernambuco.com)

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