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05-06-2008
Na Ipiranga com São João, músico canta hoje com Zé Miguel Wisnik, Nando Reis, Jair Rodrigues, Jair Oliveira e Rappin" Hood MÁRVIO DOS ANJOS Talvez a maior expectativa de deslumbramento de um brasileiro que visite São Paulo pela primeira vez passe longe da av. Paulista, do edifício Copan ou da Igreja da Sé. É provável que, para muitos, o lugar que traduziria essa sensação seja uma simples esquina do centro da cidade: a que une as avenidas Ipiranga e São João. Foi lá que algo aconteceu no coração de Caetano Veloso e deu ao cruzamento os versos mais famosos da canção "Sampa", de 1978. Tornada cartão-postal do imaginário nacional, a esquina recebe o compositor hoje, às 23h, para um show que comemora os 450 anos de São Paulo. O show não é inédito no local: o baiano já se apresentara ali em 1995. Caetano, porém, recusa a "invenção" da esquina. "O lugar já era mencionado em "Ronda", de Paulo Vanzolini, cuja melodia eu também cito em "Sampa'", afirma. Na verdade, Vanzolini cita apenas a São João, sem a Ipiranga. Existe alguma correção a ser feita na música, 26 anos depois? "O essencial de Sampa permanece. Acho que as correções necessárias foram feitas pelo Jair [Oliveira]", disse, rindo, referindo-se à canção "Uma Outra Beleza" do filho de Jair Rodrigues, espécie de "resposta" a "Sampa". Ambos são convidados de Caetano no show, que terá ainda Nando Reis, José Miguel Wisnik e Rappin" Hood. Para Caetano, Jair Oliveira comentou "o estranhamento das estranhezas" que o baiano sentiu ao chegar à cidade, principalmente a "deselegância discreta" das paulistanas. "Havia, no meu caso, uma questão de classe: eu andava num ambiente de classe média para baixo, então havia essa deselegância. Eu não conhecia aqueles paulistas que consideram os outros como uma classe muito inferior, por terem mais dinheiro e mais viagens ao exterior", afirma. Ainda sobre os estranhamentos de
"Sampa", o compositor se recordou de quando conheceu a cidade, nos anos 60.
"Cheguei com a [Maria] Bethânia, e a cidade nos pareceu feia, não parecia
grande... nos pareceu provinciana, com aqueles cartazes de cinema de mau
gosto. Tinha algo de cidade do interior", afirma, ressaltando que a canção é
uma crônica da época. Segundo ele, os comentários sobre a cidade presentes
na canção se tornaram com o tempo menos "indiscutíveis". "Hoje a paulistana
já é pop, é Daslu, é São Paulo Fashion Week, e as meninas de São Paulo hoje
são elegantes. Não eram!", exclama. Ao lado dos cinco convidados, Caetano disse que o show de hoje será marcado pelo despojamento. "Não estamos ensaiando há dois meses com uma banda. Não é um espetáculo de Las Vegas", disse, justificando o caráter intimista da apresentação -banquinho e violão. Ou violões, já que Nando Reis e Jair Oliveira confirmaram empolgados as presenças dos seus. "O que não vai faltar são Jaíres", comentou Caetano, com humor, ao que Jair Rodrigues emendou: "Então é melhor "já ires" embora". A descontração foi marcante durante a entrevista coletiva. Animadamente, Caetano e Jair Rodrigues trocam idéias sobre músicas que devem cantar no show. Além da confirmadíssima "Sampa", estarão lá "Lampião de Gaz", de Zica Bergami, sucesso de Inezita Barroso, e "São, São Paulo, Meu Amor", de Tom Zé, vencedora do festival de 68. Os duos serão uma constante. "Nando Reis e eu estamos em dúvida se cantaremos "O Segundo Sol" ou "Relicário'", disse Caetano, que pediu a Jair Oliveira uma frasezinha de "Uma Outra Beleza", "Assum Branco" a Zé Miguel e "Tudo no Meu Nome" a Rappin" Hood. "Vai ser um prazer cantar um "sou negrão" com você", disse Caetano ao rapper, que agradeceu afirmando que, devido ao exílio, Caetano é contestador como um "rapper, só que anos à frente". CAETANO VELOSO E CONVIDADOS. (© Folha de S. Paulo) Caetano promete show despojado na Ipiranga com São João Denis Moreira - Diário de S.Paulo
SÃO PAULO - "Vai ser um show muito
despojado. Não será um espetáculo de Las Vegas, mas de conteúdo muito
grande." Com estas frases, o cantor e compositor Caetano Veloso definiu na
quinta-feira os moldes da apresentação que irá fazer no sábado, na esquina
das avenidas Ipiranga e São João, no centro da Capital. Com início marcado
para as 23h, o show faz parte do calendário de festejos pelos 450 anos de
fundação de São Paulo. (© Globo Online)
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