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O nome ainda é Gal

05-06-2008

A cantora Gal Costa

Bernardo Araujo

   Quem é aquela cantora de voz cristalina que embala o quase-amor de Noêmia e Cristiano em “Celebridade”? Gal Costa, óbvio. Ué, então quem gravou Tim Maia com batida eletrônica, Arnaldo Antunes, Vander Lee e músicas que já havia gravado e tinham sido sucesso décadas atrás? Pois é, as notícias sobre o rumo que a carreira de Gal Costa tomou nos últimos anos quase nunca eram boas.

   Desde o disco “Aquele frevo axé” (1998), em que dava uma modernizada no som — para horror da crítica, que hoje, em parte, está arrependida — ela parecia ter se perdido de vez: seu disco seguinte, “Gal Costa canta Tom Jobim”, apesar das vendagens respeitáveis, pouco acrescentou à sua carreira; em seguida, veio o desastre: sem saber para onde correr, já que o resultado, pelo menos junto à crítica, de incursões pela modernidade e pela tradição não havia sido bom, Gal resolveu regravar a si mesma, em “Gal de tantos amores” (2001). Uma catástrofe: pela primeira vez em muitos anos um disco de Gal Costa atingia apenas 50 mil cópias vendidas. E não era para menos, ou para mais. O CD trazia sucesso manjados de Gal como “Folhetim”, “Índia” e “Força estranha”.

Cantora trocou BMG pela Abril Music, que faliu

   Depois do fracasso de “Gal de tantos amores”, ela foi mais uma grande artista da MPB a perder seu contrato com uma gravadora multinacional (no caso, a BMG). Na Abril Music, ela gravou “Gal bossa tropical”, em que investia em compositores jovens, como Arnaldo Antunes (“Socorro”), Vander Lee (“Onde Deus possa me ouvir”) e Sérgio Britto (“Epitáfio”), misturados aos velhos Caetano e Tom & Vinicius. O resultado também não foi lá essas coisas — é bem verdade que a gravadora foi à falência pouco depois — e lá se foi Gal para uma nova casa, a Indie. A idéia era gravar ao vivo, no Canecão, mas a Indie deu para trás na última hora e Gal foi mais uma vez para o estúdio.

   Para sorte da cantora e da MPB, “Todas as coisas e eu” é um clássico disco de Gal Costa, com Noel Rosa (“Fita amarela”, “Palpite infeliz” e outras), Herivelto Martins (“Ave-Maria no morro”) e Ary Barroso (“Pra machucar meu coração”), produzido por Mariozinho Rocha, com arranjos de Eduardo Souto Neto e Julinho Teixeira. Resultado: 92 mil discos vendidos em dois meses e a bela canção de Luís Reis e Haroldo Barbosa estourada.

   — Há anos queria gravar esse disco, uma coleção de músicas presente na memória afetiva da minha geração — diz Gal, por telefone, da Bahia. — É claro que a novela é importante, mas tenho sentido um retorno ótimo de pessoas de várias idades e classes sociais. Acho que vai vender só pelo boca a boca.

(© O Globo)


Altos e baixos de Gal

MINA D'ÁGUA DO MEU CANTO (1995): 157 mil cópias vendidas

ACÚSTICO MTV (1997): 500 mil

AQUELE FREVO AXÉ (1998): 120 mil

GAL COSTA CANTA TOM JOBIM (duplo, 1999): 300 mil

GAL DE TANTOS AMORES (2001): 47 mil

GAL BOSSA TROPICAL (2002): 60 mil

 

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