05-06-2008
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Devotos |
Artistas mostram, no
Pátio de São Pedro, shows dos CDs Malocage e Hora da Batalha
MARCOS TOLEDO
A folia está
chegando e a banda de punk-rock-hardcore Devotos se prepara para tocar em
pelo menos dois pólos de atrações. Coisas do
Carnaval recifense. Mas, como ainda não realizou na cidade o show de
lançamento de seu terceiro álbum, Hora da Batalha, o trio, visando
evitar que o brilho da divulgação do trabalho seja ofuscado pela embriaguez
da festa mais popular do País, antecipa o concerto oficial de seu novo disco. A abertura fica por
conta do músico pernambucano radicado na Paraíba Escurinho.
Hora da Batalha é o primeiro
CD totalmente independente da Devotos. Foi gravado no estúdio próprio da
banda, no Alto José do Pinho, com direito a técnicas experimentais e
participações de músicos da cena roqueira local - Lula Côrtes, Marcelo
Santana (Comando Rasta), Zé Brown e Garnizé (Faces do Subúrbio), André Dark
(Nanica Papaya) - e nacional - João Gordo (Ratos do Porão, MTV) e Pitty. Com
14 faixas, mantém a sonoridade e identidade visual dos dois álbuns
anteriores.
Músicas como Alto estima,
por exemplo, mais rock'n'roll e com um refrão fácil, são hits naturais.
Outras, mais hardcore, como Se eu falar posso morrer ("Não tenho
que saber/ vivo por viver/ A rotina é a minha angústia/ Revolta nada muda/
Queria uma ilusão/ sem ódio no coração...") e
Nosso ninho ("Moramos, não esqueça, esse é nosso ninho/ Quem não ouviu
falar no Alto José do Pinho...?") - esta, com intervenções de reggae - ,
mantêm o discurso de cunho social e de defesa da comunidade onde vivem os
integrantes, que fez a história da banda em mais de uma década de sua
existência.
Previsto para maio de 2003, o álbum
ficou pronto apenas no fim de agosto. Desde então, Cannibal (baixo e voz),
Neilton (guitarras e programação visual) e Celo Brown (bateria) montaram uma
estratégia para fechar contrato com uma distribuidora (já firmado com a
Tratore, que também distribui Original Olinda Style, da Eddie) e
divulgar o trabalho a fim de que o público o conhecesse antes de assistir
aos shows da banda.
No mês
passado, o trio foi a São Paulo e se apresentou nas casas Hangar 110 e Black
Jack Bar. Aproveitando a oportunidade, concederam entrevista à revista
MTV e ao programa de Kid Vinil na rádio Brasil 2000, o Happy Hour,
e gravaram os programas Jornal da MTV, Metrópolis (TV Cultura). A viagem
rendeu ainda participação em dois documentários: um sobre o rock brasileiro,
co-produzido por Clemente (Inocentes) e um outro internacional sobre o
punk-rock.
De volta antes do Natal, o grupo
voltou a cuidar da divulgação e distribuição do CD em Pernambuco. Mesmo
programado para tocar no Rec-Beat Carnaval e no pólo de folia do Alto José
do Pinho, optou por fazer um show gratuito antes do período de Momo para
obter maior atenção. E gratuito. Após flertar com a Prefeitura visando à
Praça do Arsenal, recebeu uma proposta para o Pátio de São Pedro. "Às vezes,
o pessoal compra o ingresso e não tem dinheiro para o disco", lembra
Neilton. "Nós queremos mesmo é divulgar o CD.
"A gente queria também um tempo para
o pessoal pegar o CD e para a gente ter estrutura (para tocar)", lembra
Cannibal. A última apresentação dos Devotos no Recife, segundo os próprio
músicos, foi em novembro de 2002, e num ambiente atípico: abrindo para a
Charlie Brown Jr. na Classic Hall. "A galera deve estar seca", aposta Celo.
No Pátio, o grupo pretende fazer uma
retrospectiva dos três álbuns, enfatizando, obviamente, o Hora da
Batalha. O repertório conta com 35 músicas. Portanto, preparem os
ouvidos. O disco estará à venda no local pelo preço módico de R$ 10.
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Devotos
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(©
Jornal do Commercio-PE)
Escurinho mostra seu Malocage numa performance
eletrizante
JOSÉ TELES
"As guitarras e os tambores/ Vão
tocar na sala/ E vai rolar um labacé/ E a poeira vai subir/ Os meninos
enlouquecidos/ Vão brincar lá no terreiro/ A casa vai cair, a casa vai
cair”, esta é uma das melhores músicas do disco Malocage, que o
pernambucano (radicado na Paraíba) Escurinho lança, hoje à noite, com um
show no Pátio de São Pedro.
Em João Pessoa, Escurinho é um dos
mais conhecidos nomes da efervescente cena local. Malocage é o
segundo disco deste artista que já tem mais de uma década de estrada. Com
Chico César, ele (como aliás muita gente boa na Paraíba) fez o estágio
obrigatório na lendária banda pessoense Jaguaribe Carne.
O repertório do show inclui
canções do CD anterior, Labacé, que também é o nome do grupo que
acompanha Escurinho: Alex Madureira, Igor Aires, Pablo Ramirez, Flávio Boy,
Clóvis Neto, e ainda o DJ Efee.
Cocos, caboclinhos, gemedeiras,
maracatus, sambas, o universo rítmico da Paraíba assemelha-se muito ao de
Pernambuco, daí, apesar da influência confessa do Mangue Beat, Escurinho
fazer um disco bem paraibano, com guitarra distorcida, e muita adrenalina.
Ao vivo, ele tem uma performance
eletrizante, de não deixar ninguém parado, mesmo que suas músicas sejam
desconhecidas do público recifense. O importante nesse show é que ele ajuda
a aproximar a música da vizinha João Pessoa dos pernambucanos.
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Escurinho
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(©
Jornal do Commercio-PE)
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Devotos lava a alma em novo CD
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Michelle de Assumpção
Da equipe do DIARIO
Violento,
certeiro, sem papas na língua. Assim está o terceiro disco da banda
Devotos, que será lançado hoje no Recife, num show logo mais, no Pátio
de São Pedro. A noite punk vai contar ainda com a rebeldia do paraibano
Escurinho, lançando segundo disco. A vontade de Canibal (vocal e
guitarra da banda) de tocar no Marco Zero vai continuar. O que poderiam
esperar músicos que - mesmo formando a maior banda de punk rock de
Pernambuco, reconhecida em todo o País - ainda não entraram num circuito
próprio, do hardcore? O grupo é capaz de citar uma pá de bandas que
vieram da cena indie e tiveram que ajustar seu som para entrar no
mercado alternativo, que, pela abrangente denominação, é capaz de
abrigar grupos dos mais diversos estilos e níveis de participação no
mercado. Os Devotos ainda procuram a sua cena, sozinhos, assim não
correm o risco de serem passados para trás.
"Estávamos com um produtor e soubemos que ele andava dizendo que não
trabalhava mais com a gente, só cozinhando em banho-maria", conta
Canibal. Do desprezo alheio surgiu uma reação positiva. O disco do
Devotos nasceu ali mesmo, no Alto José do Pinho, na casa de Canibal, e
não poderia ficar melhor se feito em outro canto. A banda conseguiu dar
a altura certa aos instrumentos, deixar o som limpo, o que não significa
dizer que está pop. Ao contrário, está menos pop que os primeiros, Agora
Tá Valendo (1997) e Devotos (2000). Em A Hora da Batalha, aparece uma
Devotos amadurecida, certa do que quer, e mais revoltada e segura nas
letras.
A voz melódica quase que desaparece, ficando mais dura, gritada, como
é clássico no hardcore. No entanto, há mais variações rítmicas, como em
Nosso Ninho, música em que Canibal fala do bairro onde vive. Lá pras
tantas, a banda detona num reggae roots, para depois retomar a pancada
punk rock. A massa sonora produzida pela Devotos nos faz duvidar de que
aquilo tudo é produzido por apenas três integrantes: Cello Brown
(bateria), Neilton (baixo) e Canibal (guitarra).
"Esse disco é um recomeço para a banda, por uma gravadora grande ele
nunca seria gravado assim", diz Canibal, ressaltando ainda as
desvantagens para quem quiser piratear a bolachinha: primeiro é que não
vão ter o encarte, precioso, com cada letra de música recebendo
ilustrações que mais fazem o material parecer uma revista em quadrinhos.
Depois, o preço. Com R$ 10,00, o cidadão leva o disco para casa.
"A gente está buscando o circuito alternativo, onde nunca entramos.
Fomos a Portugal, poderíamos ter feito mais países", diz o vocalista.
Então, por que a banda ainda não conseguiu passaporte nesse circuito
indie? "Falta o canal", diz Canibal. Se for mesmo por isso, então
brevemente a banda irá encontrar a sua. O mesmo produtor da banda Ratos
de Porão e Inocentes, os maiores nomes nacionais do punk rock, está
agenciando shows e tentando abrir mais caminhos para a Devotos onde a
cena hardcore é mais viva.
(©
Pernambuco.com)
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