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Caetano, na famosa esquina de "Sampa"

05-06-2008

Rubens Cavallari/Folha Imagem

Caetano Veloso canta em Sampa

Nem a chuva atrapalhou a festa do cantor na Avenida Ipiranga com a São João

   Uma rápida rajada de vento, o ministro Gilberto Gil e grossos pingos de chuva deram as caras na festa exatamente no momento em que Caetano Veloso chegava ao microfone, às 23h06, na esquina mais famosa de São Paulo. Todo de branco, empunhando o violão, cumprimentou o público com um tímido “Boa noite e feliz ano-novo”. Abriu o show com “Força Estranha”, composição sua que fez grande sucesso com Roberto Carlos.

   Em seguida, cantou “Saudosa Maloca”, de Adoniran Barbosa, e “Ronda”, de Paulo Vanzolini, que o inspirou a compor “Sampa”, a canção que cita a esquina das Avenidas Ipiranga e São João.

   O público vibrou com “Um Índio”, acompanhando o refrão. “Que beleza, que alegria, que emoção profunda estar aqui cantando na terra de Rita Lee”, disse Caetano, que emendou com “Agora Só Falta Você”, de sua parceira de Tropicalismo. “Posso dizer a vocês, com toda simplicidade: esta terra me deu tudo!” Enquanto apresentava o primeiro convidado, Jair Rodrigues, a produção começou a distribuir capas de chuva para os convidados vip e o público reclamava do baixo volume do som. Caetano se dispersou um pouco até compreender o que a platéia dizia, ao que retrucou: “Acho que no Brasil as pessoas são acostumadas ao som muito alto.” Ao que parece, o pedido do público foi atendido.

   O dueto com Jair Rodrigues foi uma calorosa homenagem a Elis Regina com o pot-pourri que a cantora fazia com Jair no programa “O Fino da Bossa”.

   Bem mais cool entrou o segundo convidado, JoséMiguel Wisnik, em ritmo de bossa nova, igualmente bem recebido pelo público, que não perdeu o ânimo nem com a chuva insistente.

   Caetano iria abrir o show com “Aquarela”, de Toquinho, mas não teve tempo de acertar a harmonia. Entre as mais de 20 canções do roteiro, estavam previstos os sucessos “Sozinho” e “Você Não Me Ensinou a Te Esquecer”. (Lauro Lisboa Garcia)

(© estadao.com.br)


Caetano Veloso rende homenagem emocionada a São Paulo da garoa

GUILHERME GORGULHO
da Folha Online

   São Pedro não deu trégua a São Paulo nem na festa de aniversário da cidade. Sob uma insistente garoa, o cantor e compositor Caetano Veloso liderou o empolgante show que deu início às festividades dos 450 anos da capital paulista nesta noite de sábado.

   Todo de branco, Caetano começou a apresentação sozinho ao violão, conquistando imediatamente os cerca de 35 mil espectadores presentes, segundo dados da Polícia Militar. A organização do evento estimou o público em 70 mil pessoas.

   "Força Estranha" foi a música de abertura do show, seguida de inúmeras homenagens à capital paulista, como "Saudosa Maloca", de Adoniran Barbosa, e a clássica "Ronda", de Paulo Vanzolini, que serviu de inspiração para a "Sampa" de Caetano.

Público

   O público se mostrou animado desde o princípio na esquina das avenidas Ipiranga e São João, mostrando seu amor à cidade mesmo debaixo de chuva.

   Ainda sozinho no palco, Caetano fez um elogio à cantora Rita Lee, que fez críticas a São Paulo e aos paulistanos na última semana durante turnê no Rio de Janeiro.

   "Que beleza, que alegria, que emoção profunda estar aqui, na terra de Rita Lee", e emendou "Agora Só Falta Você".

Confissão

   "Posso dizer com toda a simplicidade, essa terra me deu tudo", declarou o compositor baiano antes de chamar ao palco o primeiro convidado da noite. Neste momento, Caetano foi interrompido pelo público que gritava: "Aumenta o som". Incomodado, Caetano disse: "Acho que as pessoas aqui estão tão viciadas com som alto", e anunciou a participação de Jair Rodrigues.

   Jair abriu sua participação com "Perfil de São Paulo", de Bezerra de Menezes. "Esse é o homem", disse Caetano elogiando o cantor paulista.

   Em seguida, a dupla emendou uma seleção de canções do programa "O Fino da Bossa", estrelado por Jair Rodrigues e Elis Regina nos anos 60.

   Depois foi a vez do músico José Miguel Wisnik dar sua contribuição para a festa de São Paulo. Junto a Caetano, Wisnik tocou "Assum Branco".

   Na seqüência, Caetano chamou ao palco "um dos representantes da nova geração de talentos paulistas", o cantor e compositor Jair Oliveira, que tocou a sua "Uma Outra Beleza".

Sampa

   Cinco minutos após a meia-noite, Caetano parou tudo para cantar o início de "Sampa", de 1978, em versão à capela, acompanhado somente pelo coro do público.

   Entusiasta da cultura hip hop, o mestre de cerimônias da noite convidou Rappin' Hood para subir ao palco. Junto do rapper, Caetano embalou uma inusitada versão do clássico "Odara" misturada com rap.

   O ex-titã Nando Reis conquistou o público com sucessos como "O Segundo Sol", "Relicário" e "Os Cegos do Castelo".

   Nando Reis "representa o momento em que o rock'n'roll do Brasil amadureceu e se afirmou", disse Caetano antes de dar um beijo na boca do ex-titã.

Resposta a Rita Lee

   "Mais do que tudo, quem merece parabéns é o povo desta cidade", comemorou Nando. "Não sei se é festa ou se não é festa, mas é o que a gente sabe fazer de melhor, que é se divertir", declarou Nando em referência às críticas de Rita Lee de que os paulistas não sabem fazer festa.

   A surpresa da noite ficou a cargo da participação do ministro da Cultura e parceiro de longa data de Caetano, Gilberto Gil. O público vibrou com a pequena participação de inesperada de Gil, que cantou "Desde que o Samba é Samba" junto com o parceiro.

   "No momento em que ele [Caetano] reafirmou aqui a sentença de que São Paulo tinha dado tudo a ele, eu estava pensando sobre o que falar. Se São Paulo deu tudo a ele, e ele também deu tudo a mim, então São Paulo me deu tudo também", disse Gil.

   Caetano Veloso também lembrou dos aniversários de seu filho Tom, que faz sete anos neste domingo, e do compositor Tom Jobim, que foi homenageado com "Chega de Saudade".

   "O nome da solução do problema 'Brasil' é São Paulo feliz", afirmou Caetano antes de chamar todos os paulistas de volta ao palco para encerrar o show com três músicas: "Lampião de Gás", de Zica Bergami, "Sampa" e "São São Paulo", de Tom Zé.

(© Folha Online)

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