05-06-2008
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A cineasta
pernambucana Kátia Mesel |
Júlio Cavani
Da equipe do DIARIO
Depois de
mais de cinco anos batalhando apoio para iniciar as filmagens do
longa-metragem O Rochedo e a Estrela, a cineasta pernambucana Kátia Mesel
resolveu reformular completamente o projeto e agora quer transformá-lo em um
documentário. Inicialmente, o filme seria uma ficção com atores, que
reconstituiria a trajetória dos judeus que fugiram da Europa para o Recife e
daqui saíram para fundar a primeira sinagoga de Nova York, quando a cidade
tinha apenas 200 casas.
Após correr atrás de patrocinadores e inscrever o projeto em mais de uma
dezena de concursos, procurando arrecadar R$ 7 milhões em verbas, a diretora
percebeu ser impossível continuar tentando alcançar o montante necessário e
resolveu modificar o formato, para diminuir os custos. "Resolvi me assumir
de vez como documentarista", disse Kátia, satisfeita com a desistência, pois
agora fica mais à vontade em um formato que possui experiência de 30 anos. O
novo roteiro já está pronto, ainda em busca de mais patrocinadores.
"Descobri que Pernambuco não pode se dar ao luxo de filmar produções de R$
7 milhões. Por puro favorecimento, só os cineastas do Sudeste conseguem algo
assim. Esse preconceito precisa acabar", desabafa a diretora, sem
frustração, pois já arrecadou o suficiente para iniciar as filmagens. Ela
pretende começar a filmar no dia 29 de fevereiro, no Recife. O documentário
terá formato final em 35 milímetros, mas será filmado em várias bitolas,
inclusive com câmeras digitais. Além de rodar em Pernambuco, Kátia pretende
entrevistar autoridades judaicas e historiadores de outros estados e países.
Como já estava previsto desde o projeto original, algumas cenas vão ser
filmadas em Nova York, na Holanda e em ilhas do Caribe, por onde passaram os
judeus do enredo.
Se o cronograma for cumprido, o filme pode ficar pronto até o final de
2004. Isso reforçaria a boa fase do cinema pernambucano que, neste ano, vai
lançar os longas-metragens Árido Movie, de Lírio Ferreira, e Cinema,
Aspirina e Urubus, de Marcelo Gomes, além de pelo menos quatro curtas. Kátia
pretende usar perto de R$ 1 milhão para filmar, quantia elevada para um
documentário, mas que se justifica em um projeto que envolve viagens ao
Exterior. "Abri mão de algumas coisas, mas preciso manter o essencial."
Apesar da mudança, o roteiro gira em torno dos mesmos acontecimentos da
versão anterior.
Além dos depoimentos, o filme será ilustrado com imagens das localidades
envolvidas na história, como o Porto do Recife, a cidade de Amsterdã e a
sinagoga novaiorquina. O rabino Mark Engel será um dos entrevistados. Kátia
quer também sugerir uma viagem no tempo por meio de alegorias e metáforas
visuais.
(©
Pernambuco.com)
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