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Museu expõe obras da aristocracia

05-06-2008

   Rua do Hospício, 130, Boa Vista, Centro do Recife. É este o endereço do primeiro museu brasileiro, inaugurado em 1866 nas dependências do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP). Nele, o visitante encontrará objetos que contam fatos importantes da sociedade pernambucana. O ingresso custa apenas R$ 1.

   No casarão azul de portas e janelas brancas, sede do instituto e onde o museu funciona desde 1920, as peças encontram-se organizadas por tema. São três salas no térreo e cinco no primeiro andar, ambientadas de acordo com linhas museológicas. “Fizemos a montagem em função da estética, temática e qualidade dos objetos”, diz o presidente do IAHGP, arquiteto José Luiz Mota Menezes.

   O trabalho começou há três anos e meio, quando José Luiz assumiu a presidência da entidade. O primeiro passo foi levantar o acervo do museu, que estava fechado por falta de segurança. “Esse problema ainda persiste, visto que temos apenas um funcionário”, lamenta o arquiteto. Sócios da entidade, como Maria Cristina Cavalcanti, Reinaldo Carneiro Leão e Tácito Galvão, fizeram o levantamento de todas as peças.

   “Havia objetos pequenos e grandes sobre as mesas, que corriam o risco de serem levados. Por isso fomos obrigados a manter o primeiro andar fechado e o espaço acabou virando um depósito”, diz José Luiz. Depois de identificar o acervo, os sócios definiram as peças que poderiam ser expostas à comunidade, com sentido educativo. “O objetivo é tornar o IAHGP disponível para a grande massa da sociedade.”

   O imóvel, que passou vários anos sem receber uma intervenção de grande porte, foi recuperado pela Companhia Energética de Pernambuco, empresa do Grupo Iberdrola. A reabertura da casa foi realizada no mês passado.

   MUSEU – Ao entrar no prédio, o visitante passará pela Sala Gilberto Freyre (sociólogo que se dedicou ao estudo das casas urbanas e rurais), decorada com pinturas de famílias da aristocracia do açúcar, cristais e pratas. No segundo ambiente, Sala José Hygino (sócio do IAHGP no século 19), estão gravuras de padres escritores e a primeira prensa do jornal mais antigo em circulação na América Latina, o Diário de Pernambuco.

   A terceira sala, das Lutas Libertárias, tem como homenageado o historiador José Antônio Gonsalves de Mello, presidente de honra do instituto e falecido em 2002. “Pernambuco se destacava no País pela oposição ao Governo Central. Somente no século 19 foram realizadas quatro revoltas”, comenta José Luiz Menezes. Há dois painéis retratando a primeira e segunda Batalha dos Montes Guararapes e a espada que pertenceu ao Leão Coroado e que deu início à Revolução de 1817.

   No primeiro andar, a visita começa pela Sala do Império, onde há uma coleção de retratos da família imperial: Dom Pedro I, Dona Amélia e Pedro II (menino e velho). Em seguida, vem a Sala do Conde da Boa Vista, com móveis do século 19 usados no Palácio do Governo durante sua administração. As peças vieram para o IAHGP na reforma do palácio, em 1818. “O Conde da Boa Vista foi um grande incentivador das mudanças no Recife. Ele transformou a cidade colonial no Recife francês”, comenta o arquiteto.

   A Sala do Poder é ambientada com móveis franceses e retratos das pessoas que ocupavam o poder político no século 19. O penúltimo ambiente é a Sala Eclética, decorada com objetos variados e uma coleção de cadeirinhas de arruar das mais completas do Nordeste. “Da mais rica à mais pobre”, informa o arquiteto.

   O último ambiente reproduz um quarto do século 19. Há uma cama, uma escrivaninha de esteira e uma penteadeira francesa. O acervo do museu foi construído aos poucos. “Ao longo dos anos, o instituto recebia muito material, como grandes quadros e móveis) de famílias que trocavam casas por apartamentos”, declara.

(© Jornal do Commercio-PE)

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