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02/02/2004
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Lirinha, do Cordel
do Fogo Encantado,
que deixou o público quase que hipnotizado
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Chuvas que caíram no fim de semana não tiraram o fôlego
das 75 mil pessoas que foram ao Festival de Verão, que foi marcado por
atrasos, problemas no som, mas muita animação
RAFAEL GUERRA
Muita chuva, lama, 18 atrações
e aproximadamente 75 mil pessoas animadíssimas. Este foi o saldo do primeiro
Festival de Verão do Recife. Sem acrescentar nada de novo para a cidade,
musicalmente falando, o evento ao menos abriu as portas para artistas locais
(seis ao todo) que não pertencem ao esquema das grandes gravadoras e das
rádios. Mesmo com todo o volume d’água que caiu sobre a cidade no fim de
semana, o público não se intimidou e lotou os diversos espaços da estrutura
montada entre o Classic Hall e o Centro de Convenções, mostrando-se bastante
receptivo e vibrando com shows tão díspares quanto os do Cordel do Fogo
Encantado e do Charlie Brown Jr.
No sábado, segunda e última noite
do festival, a organização se redimiu do atraso de mais de três horas da
sexta e seguiu o horário dos shows com um rigor quase intocável. Rita Lee
deu início às apresentações no palco Recife. Assim como todos os artistas
veteranos que se apresentaram no evento, a ex-mutante apostou num repertório
de clássicos que, convenhamos, é o que se deve fazer em festivais como este.
Depois da roqueira, entraram, na seqüência, Engenheiros do Hawai e Kid
Abelha. As duas bandas oitentistas desfilaram suas gamas de hits levando a
multidão molhada ao delírio.
Enquanto as bandas se revezavam
nos palcos Recife e Olinda, a tenda eletrônica Chico Science, na Classic
Hall ‘bombava’. Um grande público, no geral bem jovem, preferiu passar a
noite toda ao som do bate-estaca. Passaram pela tenda 12 DJs (pernambucanos,
paulistas e paranaenses), entre eles Bruno V., Cecília Bradley, Aléxis e
Rodrigo Parcionik. No pavilhão do Centro de Convenções, havia outras opções
para quem não entrou no clima do ‘verão’ e preferiu não enfrentar a chuva.
Esportes radicais, feira de tendências (sem grandes atrativos), praça de
alimentação e telões para acompanhar os shows. O acesso às barracas de
bebida e comida estava tranqüilo, sem filas.
O quarto show da noite foi, sem
dúvida, o melhor. Cordel do Fogo Encantado fez uma apresentação tão boa
quanto a da Nação Zumbi na noite da sexta e deixou o público quase que
hipnotizado. O show foi vibrante e sem concessões pop. Concentrado, como
sempre, na figura cativante, poética e teatral do vocalista Lirinha, a
apresentação dos rapazes de Arcoverde mesclou bem músicas dos dois discos da
banda. O ponto alto do show ficou a cargo da execução da música Chover,
por motivos óbvios.
Logo após o melhor show da noite,
Charlie Brown Jr. fez o mais longo. Quase todas as pessoas presentes foram
para a frente do palco prestigiar o rock dos rapazes de Santos, liderados
pelo carismático Chorão. Charlie Brown Jr. mostrou ser a banda de rock
brasileira com maior público da atualidade, nem o som confuso e as diversas
interrupções devido a pequenas confusões entre seguranças e fãs mais
exaltados, desanimou a platéia que pulava com o enorme repertório dos
santistas. Eles ainda foram políticos e tocaram uma versão capenga de
Samba makossa do primeiro disco de Chico Science e Nação Zumbi animando
ainda mais a platéia.
Depois da galera da Charlie Brown,
Natiruts mostrou seu reggae de raiz e colocou todo mundo para dançar com
suas canções simples e pegajosas.
Às 4h da manhã, Detonautas, uma
espécie de imitação da banda de Chorão, entrou no palco fazendo um show
baseado no seu primeiro disco que está estourado nas paradas das rádios e da
MTV. Mesmo com toda a pontualidade, as pratas da casa Mundo Livre S/A e
Almir Rouche (uma espécie de extra-terrestre entre as atrações) fizeram suas
apresentações já de manhã para um público menor. Muita gente já havia
deixado as dependências da Classic Hall.
(©
Jornal do Commercio-PE)
Atraso de três horas
comprometeu a sexta
GEISA AGRICIO
Chuva, muita chuva. Essa foi a
lembrança mais marcante da primeira noite do Festival de Verão do Recife, a
última sexta-feira. Como era previsto, mais de 50 mil ingressos foram
vendidos só para este dia, mas o temporal acabou espantando boa parte do
público e quem acabou no prejuízo foram os cambistas, que, ao início das
apresentações, tentavam amenizar as perdas oferecendo entradas por menos de
50% do valor do ingresso.
A infraestrutura armada, com dois
grandes palcos no estacionamento, uma tenda eletrônica no interior da
Classic Hall e uma área de serviços no Pavilhão do Centro de Convenções
permitiu que a multidão ficasse bem acomodada, mas a chuva também acabou
trazendo contratempos para a organização. Um dos palcos apresentou falhas
técnicas e a programação, que deveria se iniciar às 21h, começou às 23h45,
num atraso massacrante, em que hora alguma foi informado à platéia os reais
motivos da demora.
Cidade Negra abriu a maratona de
shows, mas, mesmo sob uma expectativa de horas, a massa presente não se
aqueceu com a entrada dos reggaeiros pop, graças a uma equivocada escolha de
repertório. Toni Garrido e companhia fizeram uma seleção de covers, abrindo
mão de seus antigos sucessos e apresentando versões infelizes de Led
Zeppelin a Paralamas do Sucesso.
Skank deu continuidade às
apresentações fazendo um show animado, principalmente para os adolescentes
presentes.
Entre tantas atrações nacionais de
renome, foi a prata da casa que garantiu o grande show do festival: a Nação
Zumbi comprovou a boa fase da carreira: ótimo disco no mercado e uma
marcante presença de palco. A banda fez realmente uma exibição memorável,
aliando músicas mais novas e os sucessos da era Chico Sciense.
Depois do show dos mangueboys,
houve um esvaziamento progresivo ocasionado pelo cansaço geral, depois de
mais de 5h dos portões abertos. Aos poucos, o público foi debandando,
durante as apresentações de Titãs, Biquíni Cavadão e Alceu Valença. O cantor
pernambucano só deixou o palco de manhãzinha.
Quem não arredou o pé da arena foi
a legião de fãs do Los Hermanos. Antes de a banda entrar no palco, às 5h30,
adolescentes já faziam coro com as canções do grupo. Marcelo Camelo,
vocalista da banda, agradeceu sem parar e declarou-se privilegiado por poder
tocar para uma platéia tão fiel àquela altura da manhã.
A farra ainda durou muito mais
tempo, para os que ainda ofereceram resistência. A banda de reggae
maranhense Tribo de Jah começou a destilar seus sucessos roots às 6h30 da
manhã. A platéia ainda pediu para eles continuarem, mas a produção apelou o
fim da apresentação para a entrada de Otto, a última atração. Quando a banda
ainda estava se despedindo, Otto começou a tocar no palco Olinda, por volta
das 7h.
Fatigada, a maioria do público
remanescente catou as cadeiras disponibilizadas na praça da alimentação do
Centro de Convenções, montando seu camarote particular. Com bom humor, Otto
brincava com a situação, agradecendo a presença dos ‘corajosos’ e dizendo
que aquele era o melhor horário para tocar, já que ninguém correria perigo
na saída e a turma poderia voltar pra casa de ônibus. O show rolou até quase
8h30 e quem agüentou até o fim pôde conferir os novos acordes do
pernambucano, presentes no último disco Sem Gravidade, além de cantar
junto sucessos como Pelo engarrafamento e Por que.
(©
Jornal do Commercio-PE)
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Temporal aquece shows do Festival de
Verão do Recife |
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Michelle de Assumpção
DA EQUIPE DO DIARIO
O
clima era de festival de Inverno, mas a chuva não iria esfriar o fogo de
milhares de jovens que a partir das 21h de sexta começavam a chegar no
Centro de Convenções de Pernambuco, que dava acesso ao Festival de Verão do
Recife, parceria da Classic Hall com a Rede Globo. O impacto da intensa
campanha publicitária, sobretudo nas propagandas televisionadas, refletia-se
na multidão de quase 50 mil pessoas que se distribuíram entre o próprio
Pavilhão - principalmente, os que não queriam ficar ensopados - o interior
do Classic Hall, onde funcionava uma pista de dança, e os dois palcos,
armados um de frente para o outro.
Terminava o show num palco e, os últimos da
platéia, eram os primeiros a chegar à frente do segundo palco. De um lado e
de outro, camarotes, também lotados, com comes e bebes, dos melhores, a
noite inteira, de graça. Para ouvir melhor as bandas, era necessário descer
e enfrentar a chuva e a multidão. Um problema técnico atrasou por mais de
duas horaso início do show. Cidade Negra veio com um Tony Garrido bem menos
elegante do que estava na noite em que cantou para a platéia do Festival de
Verão de Salvador, evento referência para o Festival do Recife que revelou
menos falhas do que poderia, para um evento em sua primeira edição. Afinal,
um fenômeno como as chuvas torrenciais que caíram na cidade era coisa que
ninguém iria prever em pleno janeiro recifense.
Cidade Negra tem um ótimo show, mas para uma
banda com o repertório, a projeção e a grandeza que tem dentro da MPB, canta
demais músicas dos outros. A Novidade, do Paralamas do Sucesso, Será, de
Renato Russo, entre outros hits batidos do pop rock brazuca. Apesar da
quantidade de bandas, elas tinham bastante tempo para tocar, dava tempo para
mostrar as coisas mais novas e terminar com os hits. Todas fizeram isso,
Skank, Nação Zumbi (botou até Jimi Hendrix no repertório mas a resposta do
público veio mesmo com Manguetown, com um arranjo mais cadenciado, menos
bate cabeça, Macô, Samba do Lado), Los Hermanos, Biquini Cavadão e Titãs.
Titãs é uma grande banda, não precisa de
firulas, não faz esforço, é uma sumidade. Com ele, do começo ao fim, só
clássicos. É como Alceu Valença, que depois de tanta estrada, comanda a
platéia como um mestre. E olhe que já estava amanhecendo quando o menestrel
veio mostrar suas antológicas e revisitadas canções. Talvez para o próximo
ano o Festival possa começar mais cedo para que alguns grupos não sejam
prejudicados pela falta de energia do público, como foi Biquini Cavadão, que
ainda teve a desvantagem de ficar entre o show bombástico dos Titãs, e o
carisma exacerbado que o Los Hermanos despertam.
Os regueiros da Tribo de Jah, que tocaram
depois, já conseguiram um efeito melhor. Talvez pela pegada do reggae, que
naquela altura do campeonato era a melhor pedida para o corpo já cansado,
cujas pernas não obedeciam mais o comando do cérebro, esse sim, ainda
ecoando os agudos de uma madrugada do barulho. As turmas começavam a
planejar a volta para casa. Foi isso que muitas fizeram quando o
pernambucano Otto entrou no palco. Nem o próprio Titãs, que no aplausômetro
foi a melhor banda da noite, teria conseguido se tocado às 7h da manhã. Se a
idéia do festival é ser uma maratona, o feito está conseguido, mas isso não
quer dizer qualidade de show, sobretudo para o artista. Que tal, no próximo
ano, começar um pouco mais cedo?
(©
Pernambuco.com)
Platéia mantém fôlego na despedida
Para
Rita Lee não existe tempo ruim. Sob uma tempestade, ela animou a platéia
encharcada do Classic Hall, no sábado, último dia do Festival de "Verão" do
Recife. A própria roqueira, que abriu a noite, às 21h30, ficou toda molhada,
com o cabelo colado na cara, e teve até que interromper o show para "a tia
se enxugar", como disse. O público foi de 46 mil pessoas, segundo a
produção.
A verve bem-humorada da cantora percorreu todo
o show, com gestinhos obscenos, peruca com bobs e muitos sucessos, como as
clássicas Doce Vampiro, que cantou com uma capa preta, e Ovelha Negra, que
fechou o espetáculo em grande estilo, com todos cantando juntos com as mãos
para cima. No palco, ela dividiu a cena com o marido, Roberto de Carvalho, e
o filho Beto Lee.
O show, que foi aberto com Jardins da
Babilônia, ainda teve Top Top, música dos Mutantes, e cover do Ramones, com
I Wanna Be Sedated. Do CD novo, a mais ovacionada foi Sexo e Amor, que está
na novela Celebridade.
Se a tia roqueira mostrou que ainda está em
forma, a nova geração não deixou por menos. O show da banda paulista Charlie
Brown Jr., quinta a se apresentar, enlouqueceu o público. O vocalista Chorão
falou sem parar sobre violência, música e sua adoração por Recife e pelas
bandas daqui. "É uma satisfação enorme tocar na terra de Chico Science",
disparou logo após o primeiro sucesso estrondoso, Papo Reto, que seria
repetido no bis.
O Kid Abelha agradou o público, mas manteve a
temperatura morna. Desfilou os hits do CD Acústico, como Lágrimas de Chuva
(apropriada para o tempo da cidade), Como Eu Quero, Eu Tive Um Sonho,
Fixação, Eu Só Penso em Você e uma versão "funk com berimbau" de Quero Te
Encontrar, da dupla Claudinho e Buchecha.
Paulo Toller, de frente única preta brilhosa,
se insinuava para a platéia com frases como "Vocês gostam de sexo pela
internet?" e "Tá todo mundo molhadinho" -em referência à chuva, claro.
Aliás, o aguaceiro virou personagem da noite e dos shows. Quando Lirinha,
vocalista do Cordel do Fogo Encantado, soltou o verso "Eu canto para que o
céu escute/para que desça a chuva", a galera toda gritou "não". Nessa hora,
a chuva havia dado uma trégua, como em outros intervalos também.
O show do Cordel, a "prata da casa",
como disse o apresentador, foi um sucesso, com excelente iluminação e a
energia sem fim de Lirinha, que às vezes parecia estar tendo ataques
epiléticos.
No habitual tom messiânico, ele mostrou músicas
do último CD, O Palhaço do Circo Sem Futuro, como Quando o Sono Não Chegar,
de abertura, e Tempestade (olha ela aí de novo...). A banda mostrou também
uma música nova, Morte e Vida Stanley, sobre um peão pernambucano que vive
em São Paulo.
O Engenheiros do Hawaii, segundo grupo a se
apresentar na noite, mostrou que ainda faz sucesso entre a moçada. Entre
hits recentes, como A Montanha e Terceira do Plural, e antigos, como
Infinita Highway e O Papa É Pop, o vocalista Humberto Gessinger conquistou o
público. O reggae do Natiruts deu um tom mais leve ao festival após os
petardos do Charlie Brown Jr. Detonautas e Mundo Livre também levantaram o
público, e Almir Rouche terminou a noite em ritmo de Carnaval.
A tenda eletrônica ficou lotada, com
apresentações de DJs como Bruno V, acompanhado do percussionista Rodrigo
Parciornik, e do VJ Alexis, responsável pelas imagens do telão.
(©
Pernambuco.com)
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Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)
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