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 O pianista

11/02/2004

 

 

Gílson Peranzzetta, apontado como um dos melhores arranjadores do mundo
 

Opção para quem não gosta da folia carnavalesca, o Festival de Jazz & Blues de Guaramiranga abre espaço para talentos locais e traz ainda ao Ceará grandes nomes nacionais e estrangeiros. É o caso do pianista Gílson Peranzzetta, apontado como um dos melhores arranjadores do mundo

Christiane Viana
Especial para O POVO

   O nome talvez não seja familiar ao grande público. Mas, para a crítica especializada, o pianista Gílson Peranzzetta é um verdadeiro mestre no que faz. Considerado um dos melhores arranjadores do mundo, ele trabalhou por vários anos com Ivan Lins, até optar por projetos solo. Hoje, além dos discos autorais, assina ainda parcerias e arranjos para novos e já consolidados talentos da música nacional, como o violonista Chico Pinheiro e a cantora Zizi Possi.

   Peranzzetta é uma das principais atrações da quinta edição do Festival de Jazz & Blues de Guaramiranga, que começa no próximo dia 21. O evento, que também acontece em Fortaleza, a partir do dia 26, traz ainda ao Ceará outros nomes de peso no cenário da música instrumental brasileira e internacional, como Renato Borghetti, Heraldo do Monte, Sérgio Duarte e as canadenses do grupo Without Words. Os talentos locais também têm espaço desde a primeira edição do Festival. Neste ano, se apresentam - entre outros - os cantores Lúcio Ricardo e Idilva Germano, as bandas Blues Label e Bitten Blues, além de projetos especiais como a banda de blues da Fundação Casa Grande, de Nova Olinda.

   Alternativa para quem não se anima em cair na folia carnavalesca, o Festival de Jazz & Blues de Guaramiranga altera a paisagem da serra no período. Além dos shows para público pagante, dentro do teatro Rachel de Queiroz, há ainda várias apresentações gratuitas, em locais inusitados como uma cachoeira ou em frente à Igreja Matriz. ''Nunca participei de um evento assim, mas é uma ótima opção para quem não gosta de Carnaval e prefere outro tipo de música'', ressalta Peranzzetta. Ele sobe ao palco - nos dias 23 e 26 - acompanhado do baixista Paulo Russo e do baterista João Cortez.


O POVO - Você foi responsável, junto com o Vítor Martins, por boa parte dos arranjos dos discos do Ivan Lins, nos anos 70. Era um trabalho que dava prestígio? O que o levou a seguir outros rumos?

Gílson Peranzzetta - O Vitor Martins é o letrista das músicas do Ivan. Na época, nós formávamos um trio, que resultou no disco Juntos, de 1985. De 1975 a 1985, eu fui o responsável por todos os arranjos do Ivan Lins, além de tocar, ser produtor e diretor musical de seus discos. Com certeza esse trabalho dava muito prestígio e abriu portas para mim no Exterior, principalmente junto a Quincy Jones que, não só aprecia meu trabalho como arranjador, como também gravou duas composições minhas, em parceria com o Ivan (''Setembro'' e ''Love Dance''), que são sucesso no mundo todo nas vozes de George Benson, Shirley Horn, Sara Vaughn, Jane Monheit, entre outros. Com o sucesso obtido como arranjador, compositor e pianista, resolvi que já era tempo de me dedicar a carreira solo, o que foi maravilhoso e me rendeu 26 discos já lançados, 150 músicas compostas e turnês pela Europa, Estados Unidos e Japão, além do prazer de me apresentar por todo o Brasil, que eu amo.

OP - A música instrumental ainda é um gênero de difícil aceitação junto ao grande público no País. Mas isso só acontece aqui? Você não acha que, de modo geral, está ocorrendo uma homogeneização do gosto do público no mundo todo?

GP - A música instrumental atinge 1% da população mundial. Mas, se você levar em conta que este 1% representa, em termos numéricos, alguma coisa em torno de dois milhões de apreciadores, só no Brasil, já é uma cifra considerável. Como disse acima, os consumidores do mundo todo têm o mesmo perfil. A globalização evidentemente é a responsável por esta homogeneização a que você se refere, mas a música brasileira sempre se sobressai por sua variedade de ritmos, caminhos harmônicos e qualidade, e é muito apreciada no mundo todo, sem exceção.

OP - Falando nisso, em uniformização dos gostos, há algo nas rádios comerciais que chama a sua atenção?

GP - A mediocridade e a falta de compromisso com a verdadeira essência da música brasileira e, sobretudo, uma apologia ao mau gosto.

OP - Para você, que já trabalhou com vários artistas, como anda a música brasileira nesses últimos tempos? Temos novos promissores talentos surgindo?

GP - Sim, tenho sido convidado a participar como arranjador de trabalhos de músicos jovens, que realmente são talentosos. Como exemplo posso citar dois violonistas de São Paulo, Chico Pinheiro e Chico Saraiva, que vão dar muito o que falar.

OP -
E quanto àqueles que aparecem graças a grandes jogadas de marketing?
GP - Existem muitos cantores, forjados pela mídia, que não têm consistência e, por isso mesmo, não duram mais do que um curto período.

OP -
Você é considerado um dos maiores arranjadores do mundo. Qual o segredo para fazer um bom arranjo? Pergunto isso principalmente se a música já tiver sido gravada antes. Como transformá-la?

GP - O segredo de se fazer um bom arranjo, acho eu, reside em algumas ''normas'': 1) Embelezar a música sem querer tomá-la para si; 2) Escolher com atenção os instrumentos que melhor possam traduzir o que o autor quis passar; 3) Não exagerar na instrumentação para não deixar o trabalho pesado. É como uma mulher que deve se maquiar na medida, senão em vez de elegante fica ''perua''; 4) Deixar sua assinatura como arranjador, para que quando as pessoas ouçam possam dizer: 'Este arranjo é do Peranzzetta'.

OP -
Você compôs a trilha sonora de alguns filmes, quais são eles?

GP - Não trabalhei muito com trilhas de cinema, mas assino a trilha de Everest - Uma Conquista Brasileira, de Valdemar Niclevisky; do curta-metragem A Moeda no Brasil e do filme Dom, recentemente exibido, com Marcos Palmeira e Maria Fernanda Cândido. Tive músicas usadas no seriado Dallas e no filme Boys'n the Hood.

OP -
Como foi essa experiência de compor para cinema? Há muita diferença?

GP - Existe, sim, porque você tem que compor em cima de um tema dado e precisa, através da música, sugerir os climas que o diretor deseja passar, como tensão, amor, suspense etc. Muitas vezes, você precisa compor assistindo ao ''copião'' para ver que tempo tem que ter a música e que efeitos precisam ser usados. Às vezes, o silêncio é o melhor som...

OP -
Para terminar, gostaria de saber um pouco mais sobre o começo, sua iniciação na música. Desde quando você toca? É uma tradição na família?
GP - Comecei a tocar profissionalmente aos 12 anos. Na época, era o acordeon (instrumento muito popular - todos queriam aprender acordeon) e só depois passei para o piano. Minha família é formada por músicos e, desde menino, convivi com serestas e rodas de choro. Depois, parti para o ensino formal no Conservatório Brasileiro de Música e na Escola Nacional de Música, mas isso foi bom só pelo lado erudito de minha carreira. O lado popular eu adquiri fazendo bailes e tocando em bares, até começar a me apresentar em shows e a trabalhar em estúdio.

(© NoOlhar.com.br)


Carnaval em Guaramiranga

   Hospedagem em Guaramiranga e arredores, nessa altura do campeonato, é algo difícil de encontrar. Há que se procurar bastante. A maioria dos hotéis e pousadas da região já está com sua capacidade esgotada para o Carnaval. Se, antes, a serra era uma alternativa de calmaria durante o período, agora, a busca por um lugar para ficar é motivada pelo Festival de Jazz & Blues, que movimenta a cidade.

   Moradores do local também aproveitam para ganhar um dinheiro extra, disponibilizando quartos em suas residências - ou até mesmo a casa inteira - para os visitantes. Essa ainda é a principal esperança dos turistas que decidem, na última hora, subir a serra durante o Carnaval. A Secretaria de Cultura e Turismo de Guaramiranga, inclusive, prepara sempre uma listagem com as residências para alugar. ''Atualmente, não temos nenhuma casa disponível. Mas está sempre aparecendo alguma. A população nos procura para divulgar. Servimos como mediadores nesse processo'', destaca a secretária Nilde Ferreira.

   Ela alerta, portanto, que os interessados devem ligar para a Secretaria - (85) 321.1416 - a fim de saber das oportunidades que forem surgindo nos próximos dias. O preço do aluguel dos imóveis para o período - de sábado à quarta-feira - fica entre R$ 600,00 e R$ 1.500,00, dependendo do tamanho e número de cômodos. Também ainda restam cinco vagas na Pousada Recreio, em frente à Praça Central de Pacoti. O pacote para o casal custa R$ 400,00, incluindo café da manhã. Mais informações podem ser obtidas através dos fones: (85) 325.1340 e 9983.9376 - falar com Robério. (CV)

Festival de Jazz & Blues de Guaramiranga:

* Datas: dos dias 21 a 24, em Guaramiranga e arredores. De 26 a 29, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza.

* Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia), cada noite, à venda na loja Desafinado (Av. Dom Luis, 655, fone: 224.3853).

* Casas: A Secretaria de Cultura e Turismo de Guaramiranga dispõe de lista com imóveis para alugar por temporada durante o Carnaval. Informações: (85) 321.1416 (Nilde Ferreira).

* Hotéis: A maioria dos hotéis e pousadas da região está lotada.
- Chalés da Montanha, em Guaramiranga, fone (85) 321.1150
- Chalés Cana Brava, Guaramiranga, fone (85) 96038132
- Escola Apostólica de Baturité, fone (85) 347.0362
- Convento da Gruta dos Capuchinhos, Guaramiranga, fone (85) 321.1112
- Sítio Paraíso, Guaramiranga, fones (85) 321.1197 e 224.0215
- Remanso Hotel de Serra, Pacoti, fones (85) 231.7099 e 325.1222
- Pousada Recreio, Pacoti, fones (85) 325.1340 e 9983.9376
- Hotel Resort Lameirão, em Mulungu, fone (85) 9986.4925
- Hotel Escola de Guaramiranga, fone (85) 321.1106

(© NoOlhar.com.br)

Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


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