Tatiana Maia
Especial para o DIARIO
Rio de
Janeiro - O que esperar de uma exposição em pleno Rio de Janeiro intitulada
Carnaval? Engana-se quem responde samba, samba e samba. Os ritmos
pernambucanos também estão presentes, com destaque. E graças a Bajado (1912
- 1996), o eterno artista de Olinda. Bajado hoje é do mundo. Considerado um
dos grandes expoentes da arte contemporânea, é um dos 13 artistas que
compõem a mostra internacional Carnaval, comemorando o aniversário de quinze
anos do Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio.
O segundo andar do CCBB acolhe uma exposição de
fotos polaróides feitas pelo ícone da arte-pop Andy Warhol. Warhol, o
profeta dos "quinze minutos de fama", costumava dizer que a massificação, a
repetição de uma mesma imagem é o que a tornava pop. Bajado passou grande
parte de sua vida repetindo traços, imagens do carnaval pernambucano. Uma
vez que o regionalismo está virando moda no mundo globalizado, estaria o
velho Bajado tornando-se um ícone pop?!
Abrem a mostra nove obras do artista olindense.
Elas dividem a salacom a série de setenta desenhos Futuring Company, do
casal alemão Eva & Adele na parede oposta. Há também uma instalação sonora
do alemão Hans Nieswandt - uma mistura de samba e demais ritmos
carnavalescos com música techno alemã.
Os outros expositores: Karim Aãnouz (Brasil),
Assume Vivid Astro Focus (Brasil-Eua), Miriam BÀckstrßm & Carsten Hßller
(Suécia - Alemanha), As Four (Eua), Roberto Cabot (França - Brasil), Dias &
Riedweg (Brasil), Andrea Fraser (Eua) e Beatriz Milhazes (Brasil)
distribuem-se em mais oito salas de exibição.
Carnaval é uma mostra eclética por natureza.
Composta por quase cem obras, inclui pinturas, instalações, desenho,
escultura, moda e música. E Bajado não é o único a retratar o carnaval
pernambucano. As lembranças de Karim Aãnouz do último carnaval em Olinda
estão na instalação Se Fosse Tudo Sempre Assim, com a colaboração do
cineasta Marcelo Gomes. Trata-se de um sensorial caleidoscópio audiovisual,
que projeta imagens diferentes em quatro telas simultaneamente.
IMPACTO- A
obra do artista pernambucano vem atraindo especialmente a curiosidade do
público seja em função do colorido, da super dimensão dos bonecos, do
inusitado da pintura e até do choque cultural provocado pelas imagens.
O alemão Alfons Hug, curador da mostra,
ressalta que "suas figuras (de Bajado) lembram as marionetes de Cervantes,
que pareciam tão vivas que foram atacadas e destruídas pelo cavaleiro da
triste figura".
Longe de associar Bajado à imagens quixotescas,
a aposentada Olga Boscolo usa os quadros para ensinar ao neto que ele não
precisa ter medo das imagens de Carnaval, como o Bumba-Meu-Boi. "Tá vendo
que por debaixo do boi tem um homem?! É um homem fantasiado de boi". O neto
responde: "Um homem que adora cachaça, vó! Vê, ele toma cachaça em todo
quadro!"
Sobre a obra de Bajado, Olga, usando um
discurso "menos cabeça", revela-se tão impressionada quanto Hug: "Achei
interessante. Eu que nunca estive em Pernambuco, me senti lá. Olha como é
vivo! Parece que a gente faz parte de um pedacinho dessa festa. Arte pra mim
é isso aqui!", apontou.
Ricardo Cruz, advogado, diante de Bajado,
afirma que Pernambuco está realmente em alta entre os cariocas: "Muito
interessante ver o coco, o frevo, o maracatu retratados aqui. Graças ao
Chico Science hoje todo mundo sabe o que são esses ritmos. Pernambuco está
em alta pelo seu movimento musical, que não é enjoado como o de Salvador.
Não é forçado, é espontâneo." Viva Pernambuco, então!
Serviço
A exposição Carnaval fica em cartaz no Centro Cultural do Banco do Brasil -
RJ até 28 de março de 2004
Saiba mais sobre esta exposição
(©
Pernambuco.com)