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 Bajado, um artista (pop) do Mundo

11/02/2004

 

 

O carnaval de Olinda retratado por Bajado
 

Tatiana Maia
Especial para o DIARIO

   Rio de Janeiro - O que esperar de uma exposição em pleno Rio de Janeiro intitulada Carnaval? Engana-se quem responde samba, samba e samba. Os ritmos pernambucanos também estão presentes, com destaque. E graças a Bajado (1912 - 1996), o eterno artista de Olinda. Bajado hoje é do mundo. Considerado um dos grandes expoentes da arte contemporânea, é um dos 13 artistas que compõem a mostra internacional Carnaval, comemorando o aniversário de quinze anos do Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio.

   O segundo andar do CCBB acolhe uma exposição de fotos polaróides feitas pelo ícone da arte-pop Andy Warhol. Warhol, o profeta dos "quinze minutos de fama", costumava dizer que a massificação, a repetição de uma mesma imagem é o que a tornava pop. Bajado passou grande parte de sua vida repetindo traços, imagens do carnaval pernambucano. Uma vez que o regionalismo está virando moda no mundo globalizado, estaria o velho Bajado tornando-se um ícone pop?!

   Abrem a mostra nove obras do artista olindense. Elas dividem a salacom a série de setenta desenhos Futuring Company, do casal alemão Eva & Adele na parede oposta. Há também uma instalação sonora do alemão Hans Nieswandt - uma mistura de samba e demais ritmos carnavalescos com música techno alemã.

   Os outros expositores: Karim Aãnouz (Brasil), Assume Vivid Astro Focus (Brasil-Eua), Miriam BÀckstrßm & Carsten Hßller (Suécia - Alemanha), As Four (Eua), Roberto Cabot (França - Brasil), Dias & Riedweg (Brasil), Andrea Fraser (Eua) e Beatriz Milhazes (Brasil) distribuem-se em mais oito salas de exibição.

   Carnaval é uma mostra eclética por natureza. Composta por quase cem obras, inclui pinturas, instalações, desenho, escultura, moda e música. E Bajado não é o único a retratar o carnaval pernambucano. As lembranças de Karim Aãnouz do último carnaval em Olinda estão na instalação Se Fosse Tudo Sempre Assim, com a colaboração do cineasta Marcelo Gomes. Trata-se de um sensorial caleidoscópio audiovisual, que projeta imagens diferentes em quatro telas simultaneamente.

   IMPACTO- A obra do artista pernambucano vem atraindo especialmente a curiosidade do público seja em função do colorido, da super dimensão dos bonecos, do inusitado da pintura e até do choque cultural provocado pelas imagens.

   O alemão Alfons Hug, curador da mostra, ressalta que "suas figuras (de Bajado) lembram as marionetes de Cervantes, que pareciam tão vivas que foram atacadas e destruídas pelo cavaleiro da triste figura".

   Longe de associar Bajado à imagens quixotescas, a aposentada Olga Boscolo usa os quadros para ensinar ao neto que ele não precisa ter medo das imagens de Carnaval, como o Bumba-Meu-Boi. "Tá vendo que por debaixo do boi tem um homem?! É um homem fantasiado de boi". O neto responde: "Um homem que adora cachaça, vó! Vê, ele toma cachaça em todo quadro!"

   Sobre a obra de Bajado, Olga, usando um discurso "menos cabeça", revela-se tão impressionada quanto Hug: "Achei interessante. Eu que nunca estive em Pernambuco, me senti lá. Olha como é vivo! Parece que a gente faz parte de um pedacinho dessa festa. Arte pra mim é isso aqui!", apontou.

   Ricardo Cruz, advogado, diante de Bajado, afirma que Pernambuco está realmente em alta entre os cariocas: "Muito interessante ver o coco, o frevo, o maracatu retratados aqui. Graças ao Chico Science hoje todo mundo sabe o que são esses ritmos. Pernambuco está em alta pelo seu movimento musical, que não é enjoado como o de Salvador. Não é forçado, é espontâneo." Viva Pernambuco, então!

Serviço

A exposição Carnaval fica em cartaz no Centro Cultural do Banco do Brasil - RJ até 28 de março de 2004

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(© Pernambuco.com)

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