Frevos de Rua: Volume 1, de
Luiz Guimarães, marca os dez anos do selo LG, um dos poucos que grava frevo
MARCOS TOLEDO
Que o mercado para música de Carnaval em Pernambuco não é o mesmo já
estamos cansados de ouvir (ou não ouvir). Mesmo com o advento do compact
disc, quando músicos independentes viram facilitados seus sonhos de
gravar um disco, este gênero, tendo à frente o frevo seu representante mais
popular, continuou com títulos dispersos à margem do mercado dominado pela
axé music.
Na trincheira da música carnavalesca do Estado, no entanto, dividindo
espaço com projetos institucionais, surgiu há dez anos uma espécie de ‘anjo
protetor’ do frevo: o pianista e compositor Luiz Guimarães. Com sua
habilidade de médico, Luiz se engajou na carreira de produtor e minimizou ao
longo da última década a deficiência de gravações deste ritmo por seu selo
LG. Mantendo a continuidade desta obra, o artista lança o 33º trabalho de
sua gravadora: Frevos de Rua: Volume 1, com temas instrumentais de
sua autoria.
O álbum reúne 16 músicas compostas por Luiz, incluindo a inédita DNA
do frevo – que ele considera parte da “série médica” ao lado de Frevo
clonado (que também está no CD), primeiro lugar no Concurso de Música
Carnavalesca da Prefeitura do Recife em 2003, e Transgênico. As
demais, já apareciam em outros CDs da LG e foram remasterizadas para este
disco.
O certificado de qualidade da obra de Luiz Guimarães pode ser conferido
no encarte. Lá, estão especificados os nomes dos maestros a quem coube fazer
os arranjos para todos os temas: Clóvis Pereira, Guedes Peixoto, José
Menezes e Duda, ou seja, os melhores. E para quem ainda tem dúvida, a
interpretação é a garantia absoluta da superioridade do trabalho do
compositor: Orquestra do Maestro Duda e Orquestra de Frevo da Banda
Sinfônica Cidade do Recife, sob a regência de Adelmo Apolônio. Tudo
orquestrado, nada sintetizado. Frevos de Rua: Volume 1 é um álbum que
já nasce atemporal.
(© Jornal do
Commercio-PE)
Luiz forma parcerias e produz CDs de
vários gêneros musicais
Devido a seu esforço, concretizado
em cerca de 15 trabalhos só com músicas de Carnaval, o selo LG, do músico
e produtor Luiz Guimarães, certamente será lembrado no futuro distante
como ‘aquele que lançou vários discos de frevo’. A gravadora, no entanto,
possui um catálogo com títulos diversos, que inclui jazz, pop, poesia,
choro e música erudita.
Em 1994, Luiz já havia lançado o
LP Arrecifes e usou esta experiência para produzir um álbum de um
colega do Banco do Brasil – Capiba (o próprio). Frente à burocracia, o
produtor teve que formalizar a empresa e, assim, estava criado o selo LG,
que teve como primeiro CD Capiba: Cidadão Frevo.
Em 1998, teve seu “grande chute”:
produziu o álbum SaGrama, que considera seu maior sucesso ao lado
da série em quatro volumes Frevos de Rua: os Melhores do Século. Um
trabalho muitas vezes realizado em parceria, cujo segredo de sucesso,
segundo o próprio Luiz, é a objetividade e credibilidade.
(© Jornal do
Commercio-PE)
Lançamentos antecipam a folia
Michelle de Assumpção
Da equipe do DIARIO
O frevo vive
um de seus melhores momentos. Novos lançamentos de CDs do gênero chegam para
apimentar os dias de folia. Há representantes para todos os estilos: frevos
de rua, canção e de bloco. Nesse último quesito está o disco da Orquestra de
Frevo de Bloco e Coral Levino Ferreira, fundada em 1997, homenagem da
família ao grande compositor de frevos de rua, autor de Pernambuco Falando
para o Mundo e Último Dia, entre outras. A orquestra que lhe presta
homenagem faz isso com repertório que rememora a si mesmo, suas conquistas,
ao próprio Levino, além de fazer referência a outros blocos famosos.
Não é à toa que o CD da Orquestra Levino
Ferreira chama-se Blocos de Ontem e de Sempre. O grupo define como proposta
o resgate, a divulgação do cancioneiro de memoráveis frevos-de-bloco de
grandes compositores pernambucanos. E faz o lançamento do disco no
restaurante Pai D'Égua (Cidade Universitária), sábado, às 20h. No quesito
frevo-canção, a novidade fica por conta do disco de Alcymar Monteiro,
afinal, não é sempre que intérpretes consagrados num único gênero aparecem
com novo repertório. Alcymar mudou temporariamente do forró para o frevo e
demais ritmos carnavalescos.
No disco Carnaval Multicultural, ele assina
grande parte das composições. As músicas trazem a simplicidade de temas e
melodias presentes na maioria dos frevos de rua, mas não há candidatas a
hits. Alcymar contribui pela valorização que dá aos gêneros da cultura
popular. O CD, ao mesmo tempo que fornece novas composições, abre espaço
para os clássicos, como Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua, de Sérgio
Sampaio, É De Fazer Chorar, de Luiz Bandeira, e Evocação Nº 1, de Nelson
Ferreira. Aliás, é na interpretação desses frevos que Alcymar aparece em sua
melhor forma.
O terceiro lançamento é o mais original de
todos. Não que compor frevos de rua seja algo original, mas fazê-lo nos dias
de hoje, com tanto empenho e talento, é algo que merece reconhecimento. E
Luiz Guimarães é atualmente o compositor que mais compõe frevo de rua. Uma
compilação mais recente de trabalhos seus produzidos nesse gênero está no
recém-lançado Frevos de Rua/Luiz Guimarães Vol.1. Nele, Guimarães faz um
apanhado de frevos antigos e recentes. Entre eles, Primeiro Dia, numa
referência à Ultimo Dia, de Levivo.
Luiz Guimarães já compôs tantos frevos - foram
mais de 100 até 2003 - que o ouvinte é capaz de perceber o estilo Guimarães
de compor.
(©
Pernambuco.com)