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 Compositor lança álbum atemporal

11/02/2004

 

 

Luiz Guimarães
» DNA do Frevo
» Capiba no Frevo
» Frevo Clonado

 

Frevos de Rua: Volume 1, de Luiz Guimarães, marca os dez anos do selo LG, um dos poucos que grava frevo

MARCOS TOLEDO

   Que o mercado para música de Carnaval em Pernambuco não é o mesmo já estamos cansados de ouvir (ou não ouvir). Mesmo com o advento do compact disc, quando músicos independentes viram facilitados seus sonhos de gravar um disco, este gênero, tendo à frente o frevo seu representante mais popular, continuou com títulos dispersos à margem do mercado dominado pela axé music.

   Na trincheira da música carnavalesca do Estado, no entanto, dividindo espaço com projetos institucionais, surgiu há dez anos uma espécie de ‘anjo protetor’ do frevo: o pianista e compositor Luiz Guimarães. Com sua habilidade de médico, Luiz se engajou na carreira de produtor e minimizou ao longo da última década a deficiência de gravações deste ritmo por seu selo LG. Mantendo a continuidade desta obra, o artista lança o 33º trabalho de sua gravadora: Frevos de Rua: Volume 1, com temas instrumentais de sua autoria.

   O álbum reúne 16 músicas compostas por Luiz, incluindo a inédita DNA do frevo – que ele considera parte da “série médica” ao lado de Frevo clonado (que também está no CD), primeiro lugar no Concurso de Música Carnavalesca da Prefeitura do Recife em 2003, e Transgênico. As demais, já apareciam em outros CDs da LG e foram remasterizadas para este disco.

   O certificado de qualidade da obra de Luiz Guimarães pode ser conferido no encarte. Lá, estão especificados os nomes dos maestros a quem coube fazer os arranjos para todos os temas: Clóvis Pereira, Guedes Peixoto, José Menezes e Duda, ou seja, os melhores. E para quem ainda tem dúvida, a interpretação é a garantia absoluta da superioridade do trabalho do compositor: Orquestra do Maestro Duda e Orquestra de Frevo da Banda Sinfônica Cidade do Recife, sob a regência de Adelmo Apolônio. Tudo orquestrado, nada sintetizado. Frevos de Rua: Volume 1 é um álbum que já nasce atemporal.

(© Jornal do Commercio-PE)


Luiz forma parcerias e produz CDs de vários gêneros musicais

   Devido a seu esforço, concretizado em cerca de 15 trabalhos só com músicas de Carnaval, o selo LG, do músico e produtor Luiz Guimarães, certamente será lembrado no futuro distante como ‘aquele que lançou vários discos de frevo’. A gravadora, no entanto, possui um catálogo com títulos diversos, que inclui jazz, pop, poesia, choro e música erudita.

   Em 1994, Luiz já havia lançado o LP Arrecifes e usou esta experiência para produzir um álbum de um colega do Banco do Brasil – Capiba (o próprio). Frente à burocracia, o produtor teve que formalizar a empresa e, assim, estava criado o selo LG, que teve como primeiro CD Capiba: Cidadão Frevo.

  Em 1998, teve seu “grande chute”: produziu o álbum SaGrama, que considera seu maior sucesso ao lado da série em quatro volumes Frevos de Rua: os Melhores do Século. Um trabalho muitas vezes realizado em parceria, cujo segredo de sucesso, segundo o próprio Luiz, é a objetividade e credibilidade.

(© Jornal do Commercio-PE)


Lançamentos antecipam a folia

Michelle de Assumpção
Da equipe do DIARIO

   O frevo vive um de seus melhores momentos. Novos lançamentos de CDs do gênero chegam para apimentar os dias de folia. Há representantes para todos os estilos: frevos de rua, canção e de bloco. Nesse último quesito está o disco da Orquestra de Frevo de Bloco e Coral Levino Ferreira, fundada em 1997, homenagem da família ao grande compositor de frevos de rua, autor de Pernambuco Falando para o Mundo e Último Dia, entre outras. A orquestra que lhe presta homenagem faz isso com repertório que rememora a si mesmo, suas conquistas, ao próprio Levino, além de fazer referência a outros blocos famosos.

   Não é à toa que o CD da Orquestra Levino Ferreira chama-se Blocos de Ontem e de Sempre. O grupo define como proposta o resgate, a divulgação do cancioneiro de memoráveis frevos-de-bloco de grandes compositores pernambucanos. E faz o lançamento do disco no restaurante Pai D'Égua (Cidade Universitária), sábado, às 20h. No quesito frevo-canção, a novidade fica por conta do disco de Alcymar Monteiro, afinal, não é sempre que intérpretes consagrados num único gênero aparecem com novo repertório. Alcymar mudou temporariamente do forró para o frevo e demais ritmos carnavalescos.

   No disco Carnaval Multicultural, ele assina grande parte das composições. As músicas trazem a simplicidade de temas e melodias presentes na maioria dos frevos de rua, mas não há candidatas a hits. Alcymar contribui pela valorização que dá aos gêneros da cultura popular. O CD, ao mesmo tempo que fornece novas composições, abre espaço para os clássicos, como Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua, de Sérgio Sampaio, É De Fazer Chorar, de Luiz Bandeira, e Evocação Nº 1, de Nelson Ferreira. Aliás, é na interpretação desses frevos que Alcymar aparece em sua melhor forma.

   O terceiro lançamento é o mais original de todos. Não que compor frevos de rua seja algo original, mas fazê-lo nos dias de hoje, com tanto empenho e talento, é algo que merece reconhecimento. E Luiz Guimarães é atualmente o compositor que mais compõe frevo de rua. Uma compilação mais recente de trabalhos seus produzidos nesse gênero está no recém-lançado Frevos de Rua/Luiz Guimarães Vol.1. Nele, Guimarães faz um apanhado de frevos antigos e recentes. Entre eles, Primeiro Dia, numa referência à Ultimo Dia, de Levivo.

   Luiz Guimarães já compôs tantos frevos - foram mais de 100 até 2003 - que o ouvinte é capaz de perceber o estilo Guimarães de compor.

(© Pernambuco.com)

Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


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