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 Prévia de folia descolada invade a rua da Moeda

11/02/2004

 

 

Abelardo Mendes Jr

Bonsucesso Samba Clube
 

Festival da AMP reúne bandas "sem palco" na programação do Carnaval

Michelle de Assumpção
Da equipe do DIARIO

   A Articulação Musical Pernambucana (AMP) divulgou a programação da Pré-AMP, um festival de bandas e artistas recifenses e olindenses, que acontece no Bairro do Recife, de amanhã até domingo, na rua da Moeda. O palco está terminando de ser montado, na mesma rua que até o ano passado, nos dias de Carnaval, abrigava o Rec Beat. Este ano, o evento roqueiro vai para o Cais da Alfândega, com mais espaço, e a Pré-AMP está sendo encarada pelo secretário de Cultura do Recife, Roberto Peixe, como uma prévia do Rec Beat. A programação da Pré-AMP foi a primeira a ser anunciada dentre todas que estão dentro do orçamento da Prefeitura. Por outro lado, foi o último palco a fechar sua grade de programação. O custo líquido do evento está em R$ 100 mil.

   A curadoria montada para selecionar os artistas recebeu material de mais de uma centena de bandas, escolheu dezesseis e depois aumentou para vinte e seis atrações, distribuídas em quatro dias de shows. Quem faz as aberturas de cada dia toca no chão. São o maracatu LeãoCoroado, a Orquestra Popular do Recife e as bandas Cabra Alada e Corpos Percussivos. As demais fazem uma média de 40 minutos de apresentação no palco. Há desde quase estreantes, como Orquestra Popular Bomba do Hemetério, Os Procurados, Negroove, 3 ETS Records, Santa Fogo, Casa Bibop; outras já conhecidas, como Maracatu Leão Misterioso, Orquestra de Ademir Araújo, Cila do Coco, Comadre Fulosinha, e outras que atraem grandes platéias, como Faces do Subúrbio e Bonsucesso Samba Clube.

   A curadoria do festival foi formada por Roger Renor (o apresentador do Som da Sopa), o jornalista Renato L (além de eterno expoente do manguebeat, conselheiro de Cultura da Prefeitura), Flávio Mamoha (técnico de som e coordenador geral da AMP) e Sérgio Altenkirch (diretor do Movimento Pró-Criança, onde acontecem as reuniões da AMP). O palco é visto como uma conquista resultante de vários encontros com a Prefeitura. Uma ação que mobilizou todos os coordenadores da AMP - formada por músicos, mas também por técnicos e produtores - ediversos colaboradores.

   O grupo não esconde que fatores de política interna prevaleceram na escolha das atrações para palco. "O primeiro critério para fazer parte era o nível de envolvimento do artista com a AMP, dar idéias, ir atrás de políticos, ajudar a viabilizar as coisas", afirma Roger Man, da Bonsucesso Samba Clube, coordenador administrativo da AMP. Depois, a qualidade dos grupos. "Tinha muita coisa boa, material que ficará no nosso acervo para futuros projetos", afirma Altenkirch, com a promessa de divulgar todos os gastos com o evento depois do Carnaval. A atitude transparente evitaria especulações em torno das intenções da AMP.

   Ainda segundo Roger Man, a escolha passou pela curadoria, pois seria antiético um músico escolher quem iria ou não tocar. "A idéia é que seja rotativo, eu mesmo disse que no próximo evento eu não vou tocar, e nenhuma banda que tocou este ano deveria entrar", reforça. O coordenador Flávio Mamoha ressalta que a AMP não representa um segmento musical. "Nas reuniões temos gente de orquestra, de coral, chorinho, samba. Quisemos compor um mosaico", diz ele, revelando o conceito estético que está por trás do evento.

   Um ponto que cruza com as idéias de um outro festival, o que acontecerá perto dali, uma semana depois. Quando vinculou a Pré-AMP com o Rec Beat, o secretário de Cultura quis dizer isso. Fontes revelam que a Secretaria de Cultura teria sugerido ao próprio Guti - produtor do Rec Beat - que os dois eventos acontecessem no mesmo palco.

   A coordenação da Pré-AMP prefere não vincular os dois festivais. "O Rec Beat também nasceu na cena cultural, Guti é amigo da AMP, aqui temos bandas que já tocaram lá e podemos ter bandas que ainda vão tocar", explica Mamoha. A diferença, segundo ele, é que o palco não é a única finalidade do grupo. "Temos o projeto do palco-escola, com oficinas que visam formar profissionais para a cadeia produtiva da música no Estado", lembra Roger. Nessa primeira edição do Pré-AMP, cerca de 25 estagiários, alunos das oficinas do Pró-Criança, atuarão nas áreas de fotografia, vídeo, roadie, operação de áudio e iluminação.

   "Precisamos acabar com o amadorismo e aprender a fazer negócio. A gente tem vontade de fazer um mercado daqui até o final do ano, para vender nossa música", antecipa Roger. E dá a pista de futuros apoios e parcerias para esses projetos: "os gringos estão vindo aqui, ficando doidos com tudo isso".

(© Pernambuco.com)


Polêmica na fase de seleção

   Os integrantes da AMP costumam se reunir toda segunda-feira, a partir das 19h, na sede do Movimento Pró-Criança (rua Vigário Tenório, Bairro do Recife). Na última segunda, o auditório estava lotado como nunca. Eram artistas querendo saber do palco conseguido pela AMP e - o que gerou insatisfações - como entrar na programação. Questionaram o porquê da AMP ter divulgado na Imprensa que estaria recebendo material para audição e seleção, quando já havia fechado a programação com grupos que fazem parte da própria Articulação. "Isso não é verdade, antecipamos cerca de dez nomes, mas a programação final fechou com vinte e seis, fizemos um esforço para colocar o maior número de pessoas", responde Flávio Mamoha.

   Ele assume que foi recomendado à curadoria do festival que bandas envolvidas no processo da articulação entrassem no evento. Seria legítimo, segundo Mamoha. Ele acha que a partir de agora a AMP vai agregar um maior número de interessados. De fato, a programação está recheada de grupos ligados direta ou indiretamente à AMP. Não por isso, deixa de ser uma boa seleção. De algumas certezas e muitas apostas. Isso porque o povo da AMP desconhece, em palco, grande parte das atrações. A maioria foi mesmo recomenda por Roger ou Renato L, tidos como mais capazes de reconhecer um provável talento.

   Dentre essas apostas, está o 3 ETS Records. Para alguns, uma experiência trash. O negócio é um show com bonecos de ETs, manipulados ao som de Elvis Presley e Ozzy Osbourne, entre outras palhaçadas. Santa Fogo, por exemplo, quase ninguém assistiu. O grupo promete um repertório "a partir da memória afetiva de cada componente do grupo, bem como músicas da tradição oral". Orquestra Popular Bomba do Hemetério, só por esse nome, merece ser ouvida. Mas os caras prometem mesmo agradar, com uma execução nada convencional do frevo. Tirando o que o público já conhece, não há muito o que explicar. O negócio é comparecer ao evento para aprovar ou não. A panela do festival é um caldeirão grande, que promete ingredientes novos a cada ano.

(© Pernambuco.com)


Programação

QUINTA-FEIRA

- Maracatu Leão Misterioso
- Orquestra Popular Bomba do Hemetério
- Os Procurados
- Media Sana
- Casa Bibop
- Ticuqueiros
- Bonsucesso Samba Clube

SEXTA-FEIRA

- Orquestra Popular do Recife
(Maestro Ademir)
- Calunga de Ouro
- Negroove
- Mombojó
- Comadre Fulosinha

SÁBADO

Corpos Percussivos
Erasto Vasconcelos
3ETS Records
Escurinho
Santa Fogo
Spider e Icógnita Rap
Faces do Subúrbio

DOMINGO

Cabra Alada
Cila do Coco e seus Pupilos
Tonami Dub
Alex Mono
Siba e a Fuloresta do Samba
Cascabulho

(© Pernambuco.com)

Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


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